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“A agricultura da região não está virada para o emprego”
 
03-01-2013 14:51:26
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A União dos Sindicatos do Distrito de Beja (USDB) elegeu recentemente uma nova direção para o quadriénio 2012/2016. Mas a eleição para o secretariado e para o coordenador da organização está marcada apenas para 10 de janeiro. É muito provável que Casimiro Santos prossiga mais quatro anos à frente dos destinos dos sindicatos afetos à CGTP no distrito de Beja. Nesta entrevista exclusiva, Casimiro Santos alerta para a subida galopante do desemprego, nomeadamente nos serviços e na agricultura, que já atinge perto de 15 mil trabalhadores na região. O sindicalista acusa os agricultores de passadismo e de não optarem por culturas geradoras de emprego. E denuncia o uso de mão-de-obra estrangeira barata em certas explorações agrícolas, o que está a fazer “baixar a fasquia” em termos de ordenados. Apesar da crise, revela Casimiro Santos, existem cerca de 12 mil trabalhadores inscritos nos sindicatos da USDB.

Texto Paulo Barriga Fotos José Serrano

Como classifica 2012 no que toca ao movimento social e sindical?
Foi um ano muito, muito exigente. Mas acho que conseguimos, na maior parte dos acasos, demonstrar e valorizar o nosso protesto, ainda que os ataques tivessem sido muitos. O anterior Governo já vinha numa linha de destruição dos direitos conquistados pelo 25 de Abril e este Governo prosseguiu esse processo, com a agravante de ter mentido claramente aos cidadãos durante a campanha eleitoral, dizendo que ia fazer uma política diferente em relação às condições de vida das pessoas. Veio a verificar-se que fez precisamente o contrário.

Portanto, foi um ano trabalhoso…
Foi um ano trabalhoso. Exigiu da CGTP um conjunto de posições claras e de propostas concretas. Tivemos sempre uma postura de crítica à política seguida pelo Governo, mas com propostas. Nomeadamente no que respeita à forma de ir buscar os quatro mil milhões de euros, sem tornar ainda mais difícil a vida dos trabalhadores. Propusemos que fossem taxadas as grandes fortunas, as negociatas financeiras e um conjunto de situações que poderiam recuperar estes valores sem ter sido necessário o ataque serradíssimo que foi movido contra os direitos dos trabalhadores.

Acha que há da parte do Governo um plano ideológico no que respeita à negociação e cumprimento da dívida? 
Acho que sim. O que eles querem realmente é provocar uma transformação na sociedade, alterar o nosso estilo de vida, a nossa forma de pensar em relação ao futuro. A perspetiva de qualquer cidadão é a melhoria da sua vida, é criar melhores condições para os seus filhos. A situação que se está a viver é a inversa. Começam já a aparecer bolsas de pessoas com fome, o desemprego continua a crescer de uma forma assustadora, a perspetiva de vida das pessoas acaba por estar um bocado esvaziada… E isto leva ao descrédito e a alguma inércia em relação a algumas coisas.

Essa inércia também está a atingir o meio sindical? 
O ataque constante aos direitos das pessoas e aos sindicatos leva a que possa haver algum… Não digo um baixar de braços, mas algumas dúvidas em relação ao futuro da parte de alguns. Mas pensamos que os dirigentes e os ativistas da CGTP têm conseguido responder a esses ataques. Não temos tido só derrotas. E a mais recente prova disso está na luta dos trabalhadores na questão da privatização da TAP. Pode haver momentos, ainda assim, em que pensamos sermos impotentes para conseguir dar a volta por cima. Mas também é verdade que, hoje em dia, está interiorizado nas pessoas que só se consegue alguma coisa lutando. Quando temos a garantia, a certeza, de que aquilo por que lutamos são direitos inalienáveis, não baixamos os braços facilmente.
 
Por vezes a CGTP é acusada de fazer a luta pela luta…
Nós não fazemos a luta pela luta. Por vezes somos acusados de só dizermos mal, mas não é verdade: a CGTP tem propostas claras, nomeadamente na concertação social. O ministro das Finanças disse que eram viáveis as propostas da CGTP, simplesmente o que dá a ideia é que ele está mesmo agarrado a um conjunto de medidas que tem de tomar, mesmo que não sejam justas. 

Enquanto membro recém-eleito da direção da União de Sindicatos de Beja, quais são as suas principais preocupações para 2013?
As preocupações fundamentais passam pela questão do emprego e pelo desenvolvimento da produção nacional. Estas são as duas linhas fundamentais. A salvaguarda dos direitos adquiridos, nomeadamente à saúde, ao ensino, à segurança social. E em torno disso circula todo um conjunto de preocupações.

É possível, neste momento, quantificar o desemprego na nossa região?
É quase impossível, porque todos os dias aumenta. Emprega-se uma pessoa num sítio, desempregam-se várias noutro… Mas apontamos para os 15 mil desempregados no distrito de Beja, desempregados fixos, que se mantêm desempregados há muito tempo. O desempregado, hoje, é um cidadão mais formado e mais jovem. Estimamos que o desemprego jovem deve rondar os 35 a 40 por cento do número total de desempregados.


Quais são os setores produtivos mais afetados pelo desemprego?
Os serviços e a agricultura. Há muita gente que poderia estar a trabalhar na agricultura e que neste momento não tem grandes saídas. A agricultura que se está a fazer na nossa região não está virada para o emprego. Mesmo com o regadio, está preparada para a exploração em extensivo. Não se está a tirar partido da possibilidade de converter a agricultura em hortícolas e em frutícolas que poderiam empregar muito mais gente. Os nossos agricultores continuam naquela linha de ganhar o máximo, gastando o mínimo. Na zona em que estamos integrados, a terra tem de desempenhar um papel social, criar emprego para os jovens e ganhar os jovens para a sua terra. A dificuldade de conseguir emprego na agricultura leva a que os jovens se afastem e comecem a pensar noutras paragens.

Está a dizer que os agricultores mantêm alguns tiques do passado?
É uma questão que ainda continua. É preciso formar os agricultores. Para além da sua função, o agricultor tem de estar integrado numa perspetiva de desenvolvimento da sua própria sociedade e do meio em que está inserido. E nós temos condições para isso. Temos o Alqueva, temos um plano de rega para o Alentejo, mas isso está a servir meia dúzia de pessoas, enquanto a maioria da sociedade à volta não sente o aproveitamento do investimento que foi feito. Daí que era importante introduzir novas culturas que criassem emprego. Ao criar emprego, cria-se riqueza e a riqueza gera movimentação de mercado e condições para que realmente a economia local se desenvolva e dinamize. 

Hoje fala-se muito na exploração do trabalho imigrante nas explorações agrícolas. Tem recebido denúncias neste sentido?
Temos um grupo de trabalho para a área da imigração, embora não seja uma área fácil de lidar. A língua é logo uma barreira grande que temos de comunicação. Depois, é preciso criar uma grande empatia de ligação e contato para conseguir tirar alguma informação a estes trabalhadores. Muitos deles são pessoas que estão isoladas, ninguém sabe como trabalham, quais os rendimentos que obtêm… Sabemos que muitos trabalham sem contratos de trabalho convencionais, trabalham por esquemas que ninguém percebe… Algumas comunidades, nomeadamente a romena, não está integrada minimamente na nossa sociedade e, por vezes, surgem problemas entre eles, uns com os outros… Há algumas situações em que são usados…

Essa situação tem implicações ao nível dos trabalhadores locais?
Tem feito baixar o nível salarial aqui na agricultura da região, que nalguns casos deve andar a rondar o mínimo nacional. Há mão-de-obra disponível, barata, eles vêm para cá e estão dispostos a receber qualquer dinheiro e até receber comida a troco do trabalho que prestam. E isto faz baixar a fasquia. A nossa posição é a seguinte: um imigrante, em Portugal, deve ser tratado como um trabalhador português normal, sem qualquer tipo de discriminação. 

Continua a haver muita precaridade no emprego em Beja?
Hoje a precariedade é transversal a todos os setores. Quando há uma reformulação, uma reorganização de uma empresa, os trabalhadores efetivos dessa empresa são normalmente substituídos por trabalhadores precários ou precaríssimos. E, depois, temos aí algumas situações gritantes, como é o caso do call center da PT, em Beja. É uma coisa terrível. Houve alturas que estiveram perto de 500 pessoas ali a trabalhar sem definição da sua vida, com horários altamente flexíveis ou diminuídos. Muitas vezes, quando assinavam o contrato de admissão, assinavam logo uma carta de rescisão voluntária; a todo o momento metiam-nos na rua sem mais nem menos. 

Ainda vale a pena sair à rua para protestar?
Acho que sim, vale sempre a pena. A luta tem demonstrado que não se ganha tudo, mas sempre se ganha alguma coisa. E se não lutarmos não se ganha nada. Não podemos, de forma alguma, baixar os braços a este ataque fortíssimo que está a ser movido contra os direitos conquistados pelo 25 de Abril. Em que as pessoas tinha uma perspetiva de vida melhor, a perspetiva de um futuro melhor. Não podemos agora abandonar essa ideia e aceitar sermos usados e abusados da forma que o Governo quer. 

Os sindicatos não perderam já algum controlo sobre as manifestações de rua?
É natural que haja gente que possa ter perdido a paciência. Mas as pessoas que lutam por objetivos coletivos, objetivos comuns da sociedade não têm esse problema. Na CGTP, a nossa luta é para construir e não para destruir. Se a gente vai fazer uma luta para destruir aquilo que temos neste momento edificado e construído, estamos, ao fim e ao cabo, a ser contraditórios com aquilo que desejamos e exigimos para nós próprios. Exigimos é o respeito por aquilo que temos e a melhoria de condições de vida para todos, sem discriminação. 

Não respondeu à pergunta.
Toda a gente tem o direito de se manifestar e de se revoltar com a situação. Pode haver situações mais extremas em que pessoas, de forma descontrolada, possam ter determinado tipo de atitudes menos pacíficas. Por vezes até podem estar por detrás de alguns pequenos grupos, como já tem acontecido, podem ser pessoas instrumentalizadas para provocar alguma desavença, alguma discórdia, algum ambiente de desordem, para prejudicar a luta dos trabalhadores que estão organizados nas suas empresas para exigir direitos fundamentais para as pessoas. Estes grupos podem vir, às vezes, baralhar um bocado as coisas. 

Como é que encara a UGT hoje em dia? 
Normalmente não gosto muito de fazer comentários aos outros, nomeadamente nesta área. Toda a gente conhece a UGT, a forma como surgiu, toda a gente conhece os posicionamentos que a UGT tem tido em cada situação. Na CGTP, por seu lado, estamos solidários, estamos unidos e ao lado daqueles que quiserem lutar connosco de forma organizada por uma sociedade melhor e mais justa para todos. 

Mas não vê melhorias na UGT?
Não sei. Houve sindicatos da UGT que estiveram connosco nesta última greve geral, contrapondo e contradizendo o próprio secretário-geral da UGT, não sei o que isto significa para a UGT. O povo e os trabalhadores julgarão as atitudes que a UGT tem tomado ao longo dos tempos.

A crise tem trazido mais trabalhadores para os sindicatos? Pode dizer quantos sindicalizados tem atualmente a União de Sindicatos do Distrito de Beja?
Neste momento existirão à volta de 12 mil trabalhadores sindicalizados. Tem havido perda de sindicalizados nalguns setores, mas, em contrapartida, tem havido uma grande renovação de associados. Os sindicatos têm sido afetados pela crise. Se o desemprego aumenta, há menos pessoas a trabalhar, certamente algumas eram sindicalizadas. No geral, aqui no distrito de Beja, continuamos a ter uma grande adesão à atividade sindical.


 
 
 
 
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