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Escultura a ferro e fogo
 
03-01-2013 14:33:13
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Está pelos últimos dias, a exposição “Com Ferro e Fogo”, que o artista plástico Francisco Hermenegildo (Gildo) tem patente ao público no Pátio dos Rolins, em Moura. Uma mostra onde a criatividade se alia de forma assombrosa à reutilização de materiais usados, nomeadamente sucata automóvel. Gildo é um escultor autodidata que, desde criança, se dedica à construção de “engenhocas”. Há uma década a esta parte que as engenhocas começaram a resultar em obras de arte. Quase sempre inspiradas pelo sol alentejano e pela pintura da Salvador Dali.

Como e quando despertou para a questão da escultura em ferro?
Desde muito cedo e já na escola primária mostrei sempre grande aptidão para os trabalhos manuais. Sempre gostei de construir peças, objetos e “engenhocas” que inventava e depois punha a funcionar. O gosto pelos trabalhos em metal, aliado à paixão pela arte, facilmente me encaminhou para este tipo de atividade.

Utiliza exclusivamente materiais encontrados em sucatas. Como é que percebe que um qualquer objeto rejeitado pode dar em obra de arte?
Quase todo o material que utilizo provém de sucata auto, mesmo aquelas peças em que não se vê a sucata bem explícita são feitas do aproveitamento de chapas, tubos e de veios que reutilizo. Estou sempre atento ao material e por vezes consigo ver numa ferramenta velha, numa mola ou numa roda dentada parte de uma figura humana, um animal, etc.. Depois é só juntar o puzzle.

É colecionador de carros e de outros veículos antigos. Essa paixão reflete-se de alguma forma no seu trabalho artístico?
Os carros e as motas antigas, e também os relógios, são outras das minhas paixões, pois elas também são verdadeiras obras de arte. Eram construídos de uma maneira muito artesanal por verdadeiros artistas. Para restaurar estas peças, também é preciso muita arte e muita paixão. Por vezes levo meses ou até anos a trabalhar num destes projetos, pois muitas peças já não existem no mercado e isso obriga-me desde logo a um longo trabalho de pesquisa para depois as executar manualmente. Mas no final é bastante gratificante ver um veículo com largas dezenas de anos voltar a circular. Acho que este meu hobby em nada influencia o meu trabalho na escultura, pois são duas coisas distintas, a não ser que tem apenas em comum saírem das minhas mãos peças de arte.

Exerce a profissão de eletricista auto e é um autodidata confesso no mundo das artes. Qual é a sua principal fonte de inspiração e que outros artistas plásticos admira ou o influenciam?
A minha principal fonte de inspiração é sem dúvida o mundo que me rodeia, o local onde vivo e principalmente o Alentejo. Grande parte das minhas obras tem qualquer coisa do Alentejo. Se repararmos, o sol está presente em quase todos os trabalhos e nada mais perfeito do que o sol para simbolizar o Alentejo. O meu gosto pela escultura vem também, e por muito incrível que pareça, pelo interesse pela pintura. Vejo sempre algo nas grandes pinturas que depois transponho para o ferro. Algumas das minhas obras também têm algo de “daliniano”, pois Salvador Dali, tal como Picasso, são algumas das minhas influências. Daí o vasto número de trabalhos que tenho executado de esculturas de parede como se de quadros se tratassem.

Para além da reciclagem de materiais, também utiliza apenas tintas aquosas sem solventes orgânicos. Pode dizer-se que o seu trabalho respeita por completo o ambiente? Porquê esta opção?
Ao recuperar material que já não tem qualquer utilização estou realmente a favorecer o ambiente e a reduzir os custos de material. Acho que todos temos que pensar um pouco em termos do futuro ambiental. Se juntarmos estes pequenos contributos, conseguimos todos juntos uma grande diminuição da poluição no planeta.


Francisco Hermenegildo (Gildo)
49 anos,natural de Moura


É eletricista auto. Mas já foi pintor de automóveis e bate-chapas. Tem, aliás, pelos automóveis e pelos ciclomotores clássicos, uma paixão muito antiga. É colecionador dos veículos que restaura. E com as peças que já não têm uso faz arte. A arte do ferro e do fogo. A arte da reutilização no tempo do desperdício.



Paulo Barriga


 
 
 
 
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