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Concorrência desleal ou complementaridade?
 
03-01-2013 14:30:56
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José Filipe Murteira Professor

No passado dia 12 de dezembro foi inaugurada a nova sede da Associação de Futebol de Beja. Para além do protocolo inerente a este evento, assistiu-se a uma justa e merecida homenagem ao dr. João Covas Lima (“dr Nana”), ao ser atribuído o seu nome ao auditório desse espaço.
De toda a cerimónia, ressaltam, entretanto, as críticas dos presidentes da Associação de Futebol anfitriã e da Federação Portuguesa de Futebol à “concorrência desleal” da Fundação Inatel, que retira clubes às competições associativas para disputarem os campeonatos desta entidade. As declarações do presidente federativo foram até “amplificadas” pela notícia da Lusa e foi assim que, pelo menos através do rodapé da RTP, todo o país delas teve conhecimento (um pequeno aparte, para realçar a importância da componente regional da agência noticiosa, nesta e em outras situações, como a forma de chegar a todo o lado o que se vai passando pelo chamado “país real”).
Essas declarações, além de injustas, enfermam até de algum desconhecimento do que se passa na realidade. É que na verdade, não existe nenhuma concorrência, mas sim uma complementaridade, que não é de agora, mas de há muitas décadas, quando o Inatel ainda era a FNAT do Estado Novo.
Este é um falso problema, que só agora se coloca e que tem na sua génese uma questão que no desporto, não é exclusiva do futebol e, nesta modalidade, atravessa todas as associações e a própria federação. Falamos da quebra de receitas da maioria dos clubes, provocada, em grande medida, pela redução dos apoios das câmaras municipais e dos patrocinadores, que levou a que esses clubes tivessem de rever a sua participação nas diversas competições. Não é só na AFB que não há 2.ª Divisão, o mesmo acontece, por exemplo, no Algarve e, mesmo em Setúbal, uma das maiores do País, o número de clubes neste escalão é bastante reduzido.
O presidente Fernando Gomes também não deve ignorar que, na sua própria “casa”, houve clubes que abdicaram de participar em campeonatos nacionais, preferindo manter--se nos distritais. Em Setúbal aconteceu isso com o Vasco da Gama de Sines, em Beja com o Praia de Milfontes, tal como sucedeu em outros distritos com outras agremiações. Isto para não falar nos clubes que, pura e simplesmente, abandonaram o futebol sénior, mantendo apenas as camadas jovens.
Mais estranho ainda foi ouvir esse responsável afirmar que a própria “saúde pública” dos atletas do Inatel “estava em causa”, porque não é obrigatório um seguro de acidentes pessoais, ao contrário do que acontece com os atletas federados. Esta afirmação revela, antes do mais, um desconhecimento da realidade. Basta consultar o site da fundação, para ver que a apólice 10001968 de uma seguradora cobre todos os atletas inscritos na época de 2012/13.
E, ao afirmar que a solução para os problemas do futebol passa pela diminuição de custos (de que a não obrigatoriedade do policiamento é já um bom exemplo), fica no ar a interrogação: que irá propor o presidente da FPF ao Secretário de Estado da Segurança Social (que tutela o Inatel) em reunião que diz já ter solicitado, para fazer face a essa “concorrência desleal”? Aumentar as taxas de inscrição? Obrigar os clubes a pagar as arbitragens? É que, se assim acontecer, ao invés de fazer voltar os clubes às provas associativas, arriscamo-nos a que, no futuro, nem nas associações, nem no Inatel.
Isto, sim, seria grave. É que, não obstante as dificuldades e contratempos próprios da competição (por vezes levadas a situações extremas, no Inatel como nos campeonatos mais profissionalizados), o desporto e a cultura fazem parte da matriz dessa fundação, cumprindo um desiderato muito importante, que é assegurar o acesso de milhares de cidadãos às mais variadas atividades socioculturais, com recurso a fundos públicos.
No caso do distrito de Beja, há muitos anos que, sem “concorrer” com as provas da AFB, os campeonatos do Inatel são dos que têm mais equipas a participar, com particularidades que interessa realçar. Por exemplo, a flexibilidade que permite que clubes dos distritos de Setúbal (Cercalense e Soneguense) e de Faro (Serrano) possam participar neste distrital, jogando com os seus “vizinhos” de Odemira ou de Almodôvar. Ou ainda o aparecimento de clubes (o Luso Serpense, a AC Cuba, o Vale d’Oca, a Casa do Povo de Milfontes), em localidades onde existem  alguns dos históricos do futebol do distrito de Beja, sem que isso ponha em causa estes últimos, já que apenas se dedicam a proporcionar a prática desportiva regular a um conjunto de cidadãos, o que é sempre de louvar.
Por outro lado, basta olhar para os clubes dos concelhos de Beja e de Odemira (os que têm mais inscritos no distrital do Inatel), para concluir que a maior parte deles nunca participou e dificilmente participará em campeonatos da AFB. No caso de Beja, é paradigmático o caso do Louredense, clube campeão várias vezes no Inatel, participante nas fases nacionais, com boas equipas, organização e condições para a prática da modalidade e que, por opção própria, nunca se inscreveu nas provas associativas (onde, decerto, iria fazer “boa figura”).
Ou seja, mais do que procurar bodes expiatórios no Inatel ou em qualquer outra entidade, o que a federação e as associações terão de analisar é a forma de estancar a saída dos clubes, mantendo assim o serviço público que prestam à comunidade, em particular aos mais jovens. É que, nessa cerimónia, também fiquei atónito, ao ouvir dizer que não é justo que os clubes do Inatel participem nas provas associativas com escalões de formação, já que com estes não têm despesas. Afirmação tão estranha, quanto o facto de há vários anos isso acontecer com alguns clubes, como o Beringelense ou o Figueirense, sem que tal tenha sido alguma vez contestado. Para além disso, convém não esquecer que a federação (e as associações, por via desta) recebe verbas do Orçamento do Estado, parte das quais, precisamente para promover a formação de jovens atletas.
Nota final : desde 1996, que faço parte da Mesa da Associação de Futebol de Beja, sendo, no presente mandato, vice presidente desse órgão. Ao longo dos diversos mandatos em que participei, sempre mantive (como atualmente acontece) a solidariedade institucional com os restantes membros dos diferentes órgãos sociais ( Direção, Conselhos de Arbitragem, Técnico, de Disciplina, etc). O que não significa que, em situações concretas e pontuais, discorde de determinadas posições e decisões.
Como é, no caso vertente, designar-se como “concorrência desleal” aquilo que não é mais que a complementaridade entre o futebol organizado pela federação e pelas associações, com o que é promovido pelo Inatel.  

 
 
 
 
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