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O meu desejo ninguém vai roubar
 
27-12-2012 17:17:47
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Ana Paula Figueira Docente do ensino superior


E chegámos ao Natal e ao final de mais um ano! O País vive um período complicado e o novo ano que se avizinha traz consigo a promessa de intensificar as dificuldades. Mergulhados numa narrativa de desesperança, os nossos governantes parecem esquecer que é o emaranhado de sonhos que ilumina e dá beleza à vida. Os portugueses estão desencantados, desconfiados e descrentes. Desencantados com um País que lhes deu, gloriosamente, uma liberdade que brotou dos cravos nas espingardas; desconfiados dos políticos que, face à escassez de alternativas, têm vindo paulatinamente a eleger; descrentes quanto ao seu futuro e ao dos seus filhos num País onde já se apela à emigração. Fica a sensação de haver chegado a uma encruzilhada onde não se encontra, sequer, o caminho da surpresa! Resta o desalento e a provável impotência! Chegou, pois, a altura de perguntar aos meus leitores: onde ficou o vosso querer, o vosso desejo? Sim, o desejo que O’Neill valoriza como “o nosso desejo naquilo que ele tem de mais imperativo? Porque é através desse potente motor que nós, para nos salvarmos da rotina no que ela tem de mortal, poderemos avançar para mais liberdade”.  Maria Gadú clama na sua canção “Sonhos roubados” que “Eu não sei/onde eu deixei/ou se alguém veio roubar/aquele sonho que sonhei/já não sei onde andará/Ninguém vai me dizer/como devo me virar”. Um grito de alerta, de estímulo, de apelo à acção… de moto próprio! Porque quando se quer ou deseja a mudança, não se espera… antes, busca-se! Portanto, meus caros leitores, neste último texto escrito em 2012, quero pedir-vos que não permitam que vos roubem os sonhos! E menos ainda o querer! A vida é tudo ou nada, onde o talvez não tem vaga. Por isso, na esteira de António Régio, mesmo que (ainda) não saibamos por onde ir nem para onde ir, saibamos, ao menos, que vive em nós o desejo de não ir, contrariados e ausentes de opções, pelo caminho que outros nos querem impor! É aí que reside a chave do começo! Votos de felicidades para 2013.


Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o Novo Acordo Ortográfico


 
 
 
 
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