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Rua
 
27-12-2012 17:11:54
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Paulo Barriga

Está a chegar ao fim o ano mais longo e demorado a passar dos últimos tempos. 2012. O ano que rendeu por uma década inteira. Ou mais. Nem vale a pena tentar corrê-lo em revista nesta estreita tira de papel de fundo cinza. Aliás, nem todo este jornal teria capacidade, em abono da verdade, para lhe fazer condigna justiça, ao ano de 2012. Mas, numa síntese muito arriscada e abaladiça, talvez não fosse despropositado sublinhar as três palavras chave de 2012: rua, dignidade, crise. Na verdade, e muito resumidamente, 2012 foi o ano da rua. Foi o ano em que a rua voltou a ganhar o estatuto de tribuna, de fórum, de largo da aldeia. Onde todos os poderes se confrontaram. Onde a palavra de cada um se transformou na voz de muitos. A vida pública caiu, por fim, na rua. E na rua as pessoas ganharam consciência política, cívica, social. Impelidas pela urgência, as pessoas saíram à rua e a rua mostrou-lhes qual era a sua verdadeira condição. Que, em muitos casos, não andaria muito além dos limites mínimos exigidos à dignidade humana. Dignidade. Cá está outra das palavras que sumariza 2012. Dignidade ou a falta dela. 2012 foi o ano em que as pessoas foram aliviadas de tudo o que dignamente se construiu em nome do bem comum nas últimas décadas. Trabalho. Dignidade. Educação. Dignidade. Saúde. Dignidade. Casa. Dignidade. Tudo ou quase tudo. Porque o resto de quase tudo está impresso a letras gordas e sublinhado a vermelho numa agenda/memorando para 2013. É a crise. A palavra mais grafada em todos os motores de busca do planeta, logo a seguir à palavra sexo, mas com efeito mais prolongado e muito menos estimulante. O mundo está em crise, a Europa está em crise, Portugal está em crise. Em todo o mundo se procuram e punem os responsáveis pela maldita crise. Menos no país do outro mundo em que vivemos. É tudo uma questão de dignidade. Ou de falta dela. E talvez por isso as pessoas saiam à rua, agora, urgentemente, em sua busca. Que em Portugal as pessoas na rua com ela se reencontrem, com a dignidade, são os votos do “DA” para 2013.

 
 
 
 
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