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Resgate territorial em Alqueva
 
27-12-2012 17:09:02
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Numa verdadeira “missão de resgate territorial de territórios em processo de desertificação e abandono dos seus capitais e ativos – naturais, produtivos, sociais e simbólicos”, 15 jovens licenciados, na sua quase totalidade oriundos da região, estão desde o início de dezembro último a residir em cinco aldeias ribeirinhas de Alqueva onde “se identificam atualmente novas oportunidades empresariais decorrentes da materialização” do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva. São elas Alqueva (Portel), Campinho (Reguengos de Monsaraz), Capelins (Alandroal), Luz (Mourão) e Póvoa de São Miguel/Estrela (Moura).


Texto Nélia Pedrosa Foto José Serrano


O projeto denominado “Aldeias Ribeirinhas do Grande Lago Alqueva”, cujos promotores principais são a EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva e a Associação Transfronteiriça dos Municípios da Terra do Grande Lago Alqueva, tem como propósito fundamental “alargar o campo de possibilidades desses territórios em estado crítico e, simultaneamente, promover o empreendedorismo de jovens licenciados em situação profissional precária, usando, para o efeito, uma abordagem territorial inovadora que visa fixar no interior dos municípios aquela população universitária recém-licenciada, a qual no final do projeto deverá ter gerado a sua própria oportunidade de emprego”, esclarece a EDIA ao “Diário do Alentejo”. 
A possibilidade de poder ver concretizadas as suas ideias e de colocar à disposição da sua região os conhecimentos adquiridos foram as razões que levaram Brás Saramago, 22 anos, natural de Mourão e com formação em Gestão de Empresas, a candidatar-se ao projeto. Mas o jovem admite que “também não havia muitas mais opções” em termos de emprego, assim que concluísse o seu “estágio curricular de final de curso”: “Foi o que surgiu primeiro e decidi logo concorrer porque sou da zona e era um desafio grande ter de ir viver para outra aldeia e tão perto da minha terra”. 
A integração na pequena aldeia de Campinho, onde partilha uma casa arrendada com mais dois colegas estagiários inseridos no projeto, está a ser “espetacular”, diz, adiantando que o que mais estranha é o facto de a partir das 21 horas “não se passar nada” na aldeia: “Está tudo fechado, não temos para onde ir, ficamos em casa. Às vezes quando há jogos de futebol, ou outra coisa, tentamos ir aos cafés para sociabilizarmos com as pessoas. Basicamente o que mais me chocou foi não terem uma noite ativa”.
Atualmente Brás Saramago e os colegas estão a “analisar estudos de possíveis negócios” e a identificar “as potencialidades da zona”. Algumas das propostas para Campinho poderão passar pelos “desportos náuticos”, pelos “desportos radicais” e ainda pela “ligação das lendas existentes na aldeia a caminhadas”. 
À semelhança de Brás, Eduardo Martins, 23 anos, e os colegas a quem foi destinada Capelins estão numa fase de “criar os primeiros laços, a fazer os primeiros contactos”: “O que temos verificado é que é uma aldeia, uma freguesia, que está muito adormecida, que praticamente já não tem atividade produtiva. Eles importam, entre aspas, tudo das outras freguesias. Não produzem pão, não produzem queijos, não produzem nada. Antigamente produziam, mas deixaram de o fazer, e daí também se reflete o facto de praticamente não existirem jovens”, diz o estagiário natural de Reguengos de Monsaraz, com uma licenciatura em Turismo na vertente de Desenvolvimento, com pós graduações em Análise Económica e em Gestão de Marketing e prestes a concluir um mestrado neste última área. 
No seu caso concreto, explica, “a área que foi identificada como eixo de desenvolvimento foi o turismo cultural e imaginário”: “Vai passar por aí [as atividades a desenvolver], por ouvir as pessoas, as suas estórias. Sabemos que, apesar de não haver cantares alentejanos, que é uma tradição da região, em Capelins há, por exemplo, poesia”, esclarece, revelando que uma das suas propostas, que ainda “está a ser trabalhada”, poderá ser um concurso de fotografia, que envolverá todas as aldeias ribeirinhas. “Nós estamos numa fase embrionária ao nível do levantamento dos recursos, a tentar encontrar recursos com interesse, com potencial. O concurso de fotografia é uma proposta, portanto ainda não posso falar muito sobre isso. A minha colega está a trabalhar nos recursos piscícolas, tentando aproveitar o peixe do rio para se conseguir produzir valor, bens derivados do mesmo, e o meu colega tem trabalhado no design e na criação de logotipos e todo o material criativo” associado ao projeto. 
Concluídos os nove meses de estágio, Eduardo Martins espera, a nível pessoal, “levar experiências, conhecimento, memórias e estórias” que lhe permitam embarcar noutro tipo de projetos: “Penso que vai ser muito positivo e que vai ser bom para a minha formação. Eu estava a trabalhar numa seguradora e uma das coisas que me fez candidatar a este projeto foi a liberdade, autonomia e capacidade que permite em termos criativos para poder criar projetos e aplicar o conhecimento e não ter manuais de procedimentos que devem ser cumpridos à risca”, diz, lamentando apenas a deficiente cobertura de rede de telemóvel verificada na região: “Ao contrário de outras aldeias, temos pouca rede, temos um traço, no máximo dois, e temos muitas dificuldades quer com a Internet quer com a televisão. Acho que foi o principal entrave, uma vez que hoje em dia estamos completamente apegados aos meios de comunicação”. 
Com o contrato de trabalho como docente da Epral – Escola Profissional da Região Alentejo prestes a terminar, e sabendo que provavelmente este não seria renovado, Inês Borralho, 30 anos, não pensou duas vezes quando uma colega da pós-graduação em Higiene e Segurança no Tralhado, que frequentava na ocasião, lhe falou do projeto. A única dúvida da jovem natural de Moura, e com formação em Bioquímica, era se poderia conciliar o estágio com a frequência do mestrado em Análises Químicas Ambientais. “Não houve qualquer impedimento”, diz. 
Instalada em Póvoa de São Miguel, a escassos quilómetros de casa – Inês é a única estagiária que ficou no seu concelho de residência –, a jovem, em conjunto com os seus dois colegas, tem ainda ao seu “cuidado” a aldeia vizinha de Estrela. 
Dadas as novas características da Estrela, “que ficou completamente rodeada de água, perdendo por completo a sua identidade”, salienta Inês, os projetos a definir deverão ter em conta o aproveitamento dessa mesma água, afirma. “Como é uma zona que tem muito sol no verão tínhamos pensado na possibilidade de se construir uma praia fluvial, porque a aldeia está muito abandonada. E como tem muita população idosa também se podia fazer qualquer coisa na área dos cuidados continuados”, revela. 
No caso de Póvoa de São Miguel, “seria aproveitar os subprodutos do olival ou outros, porque têm muitas padarias e queijarias”: “Vamos tentar fazer com que aqueles produtos consigam ser visualizados fora da região”, diz Inês Borralho, acrescentando que gostaria que o estágio se traduzisse numa experiência marcante. “Não sei se vou conseguir fazer daqui um trabalho para a vida, mas se conseguisse era uma coisa muito interessante, ficar na zona. Uma das coisas que me levou a candidatar foi poder melhorar a minha zona, porque está tudo muito apagado nesta zona, mesmo com o Alqueva. Foram muitas as expetativas e afinal acabaram um bocadinho goradas. As pessoas estão um bocadinho desiludidas”, conclui.


 
 
 
 
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