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Volume de negócios no comércio cai mais de 35 por cento em 2012
 
27-12-2012 17:02:01
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Este foi um “Natal triste”, num ano tenebroso para o comércio do distrito de Beja, cujo volume de negócios terá caído mais de 35 por cento em relação ao ano anterior. Quem o afirma é António Carriço. O presidente da Associação de Comércio, Serviços e Turismo do Distrito de Beja (Acstdb) revela nesta entrevista uma profunda revolta em relação às políticas económicas do Governo. E acredita mesmo que 2013 vai ser um ano de “inevitáveis conflitos sociais”. Líder de uma associação que em apenas dois anos perdeu mais de 25 por cento dos seus associados devido a falência, Carriço defende a total abolição de impostos para os estabelecimentos comerciais situados em localidades com menos de mil habitantes e o fim imediato do PEC – Pagamento Especial por Conta. E alerta para o aumento da criminalidade, nomeadamente para o roubo por esticão, que, segundo afirma, está diretamente relacionado com a falta de fiscalização nas lojas de compra e venda de ouro.


Texto Paulo Barriga Fotos José Serrano


Este foi, como chegou a temer, “um Natal triste” para os lojistas da nossa região?
Este Natal foi triste, aliás no seguimento de todo o ano. Temos uma economia em recessão, más políticas para o desenvolvimento da economia nacional e regional e, mais uma vez, não houve poder de compra. Cada vez há mais desempregados, já chegámos aos 17 por cento oficiais de desempregados, que normalmente correspondem a 20 por cento, o que faz com que não haja consumidores e com isso o comércio sofre. 


Mas o problema dos nossos lojistas, do nosso comércio, está no consumo ou está também no próprio comércio? 
O problema do comércio baseia-se em três parâmetros diferentes: o primeiro é precisamente a parte dos impostos disparatados que recaem sobre as micro e pequenas empresas, que são a maioria das empresas comerciais e de serviços. A carga fiscal está a esmagar qualquer possibilidade de investimento e até de existência do próprio comércio. Por outro lado, temos a banca que está a ser cada vez mais usurária. Nesta altura tem ordens para diminuir o acesso ao crédito e está a praticar juros enormes. E, por último, temos a falta de consumidores, uma vez que estamos numa economia extremamente recessiva, estamos com um poder de compra muito abaixo dos níveis da Comunidade Europeia, como já se comprovou. 


Em termos de volume de negócios, aqui na nossa região, já consegue fazer um balanço do ano? 
Numa estimativa global, sabemos que a queda é de mais de 35 por cento em relação ao ano anterior. Isto significa que existe muito menos poder de compra, menos empresas, e mesmo as empresas que existem estão numa situação completamente difícil para a sua sobrevivência. Antigamente falava-se que as empresas tinham em vista o lucro. Isso já não existe. As empresas têm em vista, neste momento, apenas e somente a sua sobrevivência e ela não está a ser permitida por más políticas que o Governo está a impor à economia nacional. 


E em termos de saúde empresarial, como é que está a região em termos de insolvências, em termos de falências efetivas? 
Segundo a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal e o Instituto Nacional de Estatística, o número de insolvências em Beja é inferior. É o segundo distrito com menos insolvências, mas também é um dos distritos com menos empresas. Ou seja, o número de insolvências ronda a média nacional: 30 empresas encerradas por dia. Beja tem menos insolvências, porque tem menos concentração demográfica e tem menos concentração empresarial, e, assim mesmo, os números estão próximos do resto do País. 


O que tem feito a Acstdb para inverter esta situação?
Temos abordado os sucessivos secretários de Estado sobre este problema. Ao atual detentor da pasta, Carlos Oliveira, propusemos que fosse abolido o Pagamento Especial por Conta, porque são avanços que se estão a dar ao Estado sobre um presumível lucro que as empresas tinham e que 75 a 80 por cento das micro e pequenas empresas já não têm. É uma coleta injusta. Por outro lado, também pedimos para que, num distrito como o de Beja, com uma grande interiorização, com uma desertificação galopante e incontrolável, que os estabelecimentos comerciais em localidades com menos de mil habitantes não pagassem impostos. Isto parece uma medida radical. Mas é absolutamente realista. Há aldeias que apenas têm dois ou três estabelecimentos e que esses mesmos estabelecimentos têm um cariz social. É aí que se juntam as pessoas, é aí que convivem, vão à mercearia e é a mercearia que lhes dá crédito. São pessoas reformadas, com fraco poder de compra e este é um trabalho social que não é compensado pelo Estado.


Em termos setoriais, quais são as áreas que estão a ser mais afetadas?
Este ano a área mais afetada foi a restauração. O aumento do IVA fez com que a maior parte dos restaurantes entrasse numa situação de insolvência. A restauração é, talvez, o setor mais significativo para o nosso distrito. Mais de 50 por cento dos nossos 1 200 associados estão neste setor. Ou seja, mais de metade do universo empresarial da região está ligada a esta área. O aumento do IVA de 13 para 23 por cento, o que perfez um aumento real de 78 por cento, é inconcebível para a maior parte das empresas que vigoram neste setor de atividade. 


Tem noção de quantos associados da Acstdb já fecharam a porta?
Nos últimos dois anos perdemos cerca de 300 associados. Cerca de 25 por cento, o que nos leva a crer que, em termos globais, já vamos nos 30 a 35 por cento.


E acha que o problema da falta de poder de compra das pessoas justifica tudo?
Não é o problema da falta de poder de compra, o problema é de política. O Governo não só está a sobrecarregar os portugueses com impostos que não podem pagar, como os próprios empresários. O empresário português costuma ter esperança no futuro e muitos dos setores de atividade aguentam-se abertos tendo em vista um suposto ultrapassar da crise a curto prazo. 


Esse, normalmente, costuma ser o problema dos empresários: adiar os problemas na esperança das coisas melhorarem…
O que nos move a todos é a esperança no futuro e o que eu acho que esta política tem é falta disso mesmo. Não é uma questão apenas deste governo, é uma questão de má governação sucessiva do País, que em vez de cortar no poder de compra dos portugueses deveria cortar nas célebres gorduras do Estado. E muito rapidamente. 


Está com um discurso muito próximo ao dos chamados movimentos de rua, algo anarquista, sem fé na classe política…
Não é uma questão de fé. Acho apenas que estamos a ir pelo lado errado. Apenas um exemplo: como existe um salário mínimo, é compreensível para todos os portugueses, por uma questão até de moral, que exista um salário máximo. Há um indivíduo que vai à televisão dizer que ganha 137 mil euros por mês de reforma e que era gestor público… Como ele haverá muitos outros. Vivemos num país sem moral. Um país em que pagamos impostos sem termos o devido direito ao retorno de serviços relativamente aos impostos. 


Sempre se debateu por uma rápida intervenção na baixa de Beja, nas Portas de Mértola. Como é que olha para esta obra? Está satisfeito com o que foi feito? 

Sim. Houve problemas iniciais. Penso que o tempo de obra derrapou. Sabemos que os empresários foram prejudicados nesse aspeto, falámos com a câmara, tivemos várias reuniões, e penso que finalmente perceberam que somos isentos, que não temos qualquer interesse partidário e que defendemos realmente uma classe. As obras agora estão a decorrer bem e temos de afirmar que a baixa está a ficar digna da cidade de Beja, as obras estão realmente como nós esperávamos. Estamos a estudar um projeto conjunto entre a câmara e a associação dos comerciantes, que finalmente deram as mãos, e estamos a trabalhar em comum na animação da baixa de Beja, para que possamos trazer os tais consumidores e para que possamos compensar os comerciantes dos prejuízos que tiveram durante a obra.


Quando chegou à Acstdb uma das grandes bandeiras que trouxe foi a questão da segurança nas próprias empresas, aliás até chegou a falar na necessidade de videovigilância em certas zonas. Isso ainda é uma bandeira ou agora há coisas mais importantes a tratar? 
A videovigilância foi sempre uma das nossas grandes bandeiras, principalmente para alguns pontos de maior concentração comercial no distrito de Beja. Sabemos que o desemprego vai afetar muito a questão da segurança. Mais que isso, o português é um povo que normalmente não tem muito instinto criminal, mas temos o mercado aberto a outros povos que podem não ter os mesmos conceitos que nós e cuja violência possa, num momento de desespero, não tendo emprego, não tendo meios de sobrevivência, aparecer. 


Isso tem acontecido?
Ainda não há um registo muito forte do aumento de criminalidade. Mas um dos crimes que triplicou no nosso país nos últimos dois anos foi o roubo por esticão. Como toda a gente sabe, houve um negócio, quanto a mim à margem das leis, que foi o da venda de ouro, que veio potenciar esse tipo de crime. As lojas que vendem e compram ouro não têm de demonstrar, como têm as ourivesarias, a proveniência das suas aquisições de peças de ouro. De onde é que aparece esse ouro? Normalmente de roubos por esticão. Isso está visto. Já falei com dois comandantes distritais de polícia e ambos me disseram que se trata de uma lacuna que existe na lei e que o Governo ainda não a conseguiu colmatar. Vemos um proliferar de lojas de ouro e normalmente todo esse ouro é de origem duvidosa.


Numa zona onde as empresas que aparecem ultimamente são precisamente de venda de ouro, está a falar contra as próprias empresas?
Claro, porque essas empresas fazem uma concorrência desleal às nossas lojas tradicionais de ourivesaria, e essas sim estão perfeitamente legalizadas e com um registo de todas as peças que têm. Portanto, não podemos permitir que haja lojas que não sejam vigiadas, que não tenham uma legislação própria e que possam ser recetoras de objetos roubados. Não há, obviamente, prova disso, mas pela quantidade do aumento de roubos de esticão, tudo indica que os pontos de receção sejam esses estabelecimentos.


Aqui há algum tempo, ao “Diário do Alentejo”, o presidente do Nerbe falou de alguma redundância na existência de duas associações empresariais na região. Concorda com esta leitura? 
Entendo que é absolutamente fundamental a fusão das duas entidades. Penso que não há necessidade de haver duas associações empresariais quando todas as micro e pequenas empresas do distrito têm os mesmos problemas, sejam elas de comércio, indústria, serviços ou turismo e, portanto, da minha parte existe uma disposição total na fusão com outra grande associação do distrito que é o Nerbe. São as duas associações credíveis no distrito.


Como é que podia ser feita essa fusão? Temos aqui 1 200 associados, daquele lado talvez 300. Seria quase uma aglutinação dos associados do Nerbe na Associação do Comércio?
Não obrigatoriamente. O Nerbe está a ser bem gerido e pode haver uma fusão pura, porque podemos ter um modelo completamente diferente. Onde exista uma direção com presidente, quatro vice-presidentes, um vice-presidente representante de cada setor de atividade, um tesoureiro e um secretário. Uma associação que abranja toda a estrutura empresarial do distrito. Penso que ambas as associações têm a sua força própria, nós com maior incidência no comércio e serviços.


Há alguma data, há alguma agenda para concretizar essa fusão? 
Penso que durante o ano que vem. Já apresentei essa ideia ao Nerbe e o seu presidente demonstrou logo o seu acordo. 2013 vai ser o ano para trabalhar essa ideia. 


Que perspetivas tem para 2013 em relação ao comércio da nossa região?
As perspetivas que o próprio Governo dá são muito negras para o futuro da região e do País. Acredito que o nível degradante do poder de compra dará inevitavelmente em conflitos sociais. O português aguenta muito, mas chega a um ponto de pobreza que já não tem nada a perder e irá para o conflito social. Dentro desta possibilidade, vejo o ano 2013 muito preocupante para o comércio e para o País. Acreditamos que possa haver correções antes de se chegar a esse ponto. Mas o Governo está mal assessorado por duas pessoas que estão a mandar na governação, o António Borges e o Catroga, esses sim têm uma política extremamente retrógrada. Acredito que haja um retrocesso nestas políticas de destruição da economia nacional e que haja políticas de emergência para levantarmos o nosso Produto Interno Bruto. 


 
 
 
 
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