quarta-feira
28 de Junho de 2017 - 14:51
Subscrever feed Add to Google Subscrever num leitor de feeds
 
Destaque
Os bombeiros têm uma força de elite: Canarinhos
 
Destaque
Ney: Festival Beja na Rua abriu ao ritmo do génio da metamorfose
 
AGENDA
Feira do Cante e tradições em Cuba
semana
 
Ocupação de tempos livres em Beja++
 
Encontrado corpo em Mértola++
 
“Heróis da água” já têm hino ++
 
ACOS promove formação para desempregados de longa duração ++
 
CDU apresenta Paulo Conde em Ferreira++
 
Aljustrel recebe candidatas a miss África Belgium ++
 
PS apresenta candidatos em Ourique ++
 
PCP, PS e PSD apoiam castro Verde como Reserva da Biosfera ++
 
PCP comemora centenário da Revolução de Outubro++
 
Alvito promove sessões gratuitas de hidroginástica++
 
Verão na Biblioteca Municipal de Mértola ++
 
Câmara de Beja promove ateliês de verão para crianças ++
 
 
 
 
 
Pai Natal passa dias angustiantes na Lapónia
 
21-12-2012 14:24:55
  A     A     A  
 

Foram vários os órgãos de comunicação social que tentaram, mas nós conseguimos (toma e embrulha, “Jornal de Letras”!). O “Diário do Alentejo” apresenta a entrevista exclusiva com o Pai Natal. O verdadeiro! E, numa altura em que se fala de crise, austeridade, fim do mundo e da nova cara de Alexandra Lencastre, encontrámos um Pai Natal atento ao que o rodeia, preocupado, inovador – insistiu em ser entrevistado sem calças –, mas desiludido com esta quadra, e com saudades do tempo em que imperava o amor, a esperança, e em que a família se reunia à volta da mesa a ver o filme “Música no Coração” pela 547.ª vez com o tio Alfredo, que tresandava a brilhantina. Foi um Pai Natal desassombrado que contou histórias nunca antes relatadas e revelou o muito que o liga ao… Alentejo.


Esta entrevista é da irresponsabilidade de Ricardo Cataluna


Pai Natal, muito obrigado por nos receber na sua casa.
Ho ho ho… Feliz Natal para si e para os seus! Feliz Natal para todos!

Como é que tem passado?
Bem, vai-se andando… Ando à rasca da coluna. O ano passado arranjei um problema ao transportar uns presentes de grande dimensão. Isto de descer a chaminé com uma mesa de bilhar no lombinho dá muito trabalho… Mas faço-o com todo o agrado! Ho ho ho…

É bom vê-lo com essa boa disposição. A Mãe Natal tem ajudado?
Ho ho ho… porra! (Pai Natal começa a chorar.) Porque é que me foi perguntar isso... A Mãe Natal já não está connosco… (continua a chorar.) Eu admito que não fui um marido fácil… “Oh homem, mete as meias para lavar! Já foste despejar o lixo? Já meteste o papel de embrulho na reciclagem? Já mudaste o óleo às renas? Tens cuecas lavadas, porque é que não as usas?”… Enfim, sinto muita a falta dela…   

Lamento, Pai Natal. Morreu? 
Não, idiota, antes tivesse morrido. Alugou um T0 na Colina do Carmo e tem um relacionamento com outra pessoa. A Leopoldina. (E continua a chorar.) Eu não me importo que ela se tenha tornado lésbica, mas preferia que se tivesse juntado com a Popota – pelo menos tem mais chicha onde agarrar. Ah, que sofrimento… Eu devia ter percebido os sinais: os discos da Lara Li a tocar a toda a hora, os livros da Margarida Rebelo Pinto espalhados pela casa…

Pronto, se calhar é melhor mudar de assunto. Nem tudo pode ser mau… Ainda trabalha com os seus duendes no fabrico de brinquedos?
Oh homem! Você só me fala em tristezas… Aliciaram-me para me mudar para Portugal porque afirmavam que os duendes portugueses trabalhavam como os alemães e recebiam como os do Uganda. E correu tudo bem, até ao dia em que a minha oficina foi fechada pela ASAE. Acusaram-me de exploração de trabalho infantil, pensavam que os duendes eram miúdos. Eu expliquei-lhes que não, mas eles insistiram que os duendes tinham de ir para a escola… E eu a explicar-lhes: “Eles só embrulham os Magalhães, não têm de ser forçados a trabalhar com eles!”, mas não me ligaram. Além disso, disseram-me que não podiamos construir brinquedos que não obedecessem às diretrizes da União Europeia, da Greenpeace, do Ministério da Economia, da Drogaria Armando Espada, do Vítor Gaspar, do Manoel de Oliveira e da revista “Pontos e Bordados”. Enfim, só burocracia… 

O que é que vai fazer agora? 
Já recorremos aos tribunais, mas o meu advogado disse-me logo para não ter muita esperança. A lentidão na justiça portuguesa é tal que daqui a 15 anos devem estar a reabrir o processo dos Távoras.

E os brinquedos para este ano? Quem é que os vai fazer?
Fiz um acordo com uma fábrica chinesa. Tenho de reconhecer que os miúdos chineses trabalham muito bem… E a ASAE não mete lá o bedelho!

Estou a ver… Já agora, Pai Natal, uma curiosidade. Aquele mito de que o senhor teria sido inventado pela Coca-Cola é mesmo verdade?
Mais ou menos. Eu já tinha sido inventado antes, a Coca-Cola é que me contratou. Havia um olheiro de Pais Natais que viajava pelo mundo à procura do melhor para fazer a campanha publicitária deles. Mas esta minha transferência para a Coca-Cola foi como a ida do Eusébio para o Benfica. Da mesma forma que o Eusébio esteve para ir para o Sporting antes de rumar ao clube da Luz, eu estive a um passo de assinar pela Canada Dry, mas à última hora fui para a Coca-Cola, e o resto é história… A Coca-Cola é um colosso e a Canada Dry é o Sporting do mundo dos refrigerantes.

Pai Natal, vamos focar-nos na atualidade. Num tempo em que a palavra crise domina tudo, como é que vê este Natal de 2012 em particular?
Cada ano que passa, vejo o Natal com mais descrença. Não me sinto respeitado.

Desculpe?
Sinto que não sou valorizado. O meu terapeuta bem me disse que tinha de aprender a afirmar a minha posição, e por isso estou a dizê-lo: acho que já não me dão valor!


Como assim, se continua a ser visto como uma figura central desta época?
O Natal começou por ser visto como uma celebração do nascimento de Jesus… E continua a ser… Mas é Jesus quem entrega as prendas? É Jesus que tem de fazer dietas malucas para entrar em chaminés cada vez mais pequenas e lutar contra exaustores demoníacos? Sabe da ginástica que tenho de fazer para não cair numa frigideira de óleo a ferver? Mas pronto, como o menino tem 2012 anos tem de se falar do menino Jesus…



Mas o que quer dizer? Noto aí uma pontinha de ciúme… Quer dizer que Jesus não existe?
Nada disso! Vocês, os jornalistas, é que só querem sangue! Jesus existe, mas o que é que ele faz pelo Natal? É ele que entrega milhares de Playstations numa noite? Não! Se calhar nunca ajudou o pai na carpintaria! E curou um cego ao tocar-lhe na cabeça? A sério? O quê, agora Jesus também tem formação em optometria? Se um idoso com 2012 anos vivesse em Portugal, enfiavam-no num lar ilegal e gamavam-lhe a reforma… Mas pronto, como se chama Jesus, acreditam e perdoam-lhe tudo.

Mas esse desencanto só tem a ver com a atenção dada a Jesus? 
Isso não é nada! O problema é outro. Você já viu como é que eu sou representado? Já viu a praga de Pais Natais magros, com olheiras e sem piada? E as marchas de Pais Natais para bater recordes do Guinness? Parecem concentrações de imitadores do José Milhazes...

Isso é porque as pessoas gostam de si.
Se gostassem de mim, não punham bonecos de Pais Natais a trepar as varandas… Nunca dá para perceber se vão entrar em casa para distribuir presentes ou fazer um assalto à mão armada. E quando, na mesma varanda, metem aos três e aos quatro Pais Natais? Parecem um gang… O que é que vem a seguir? Vão meter os bonecos a trepar postes de comunicações? Ainda vão dizer que o Pai Natal vai roubar cobre!

Mas as crianças continuam a gostar muito de si e a mandar-lhe cartas…
Já não é o que era… Os miúdos de hoje não estão particularmente virados para o Pai Natal. Nem sabem muito bem quem eu sou. Ainda no outro dia um miúdo no centro comercial começou a comer-me a barba pensado que era algodão-doce… E no mês passado cruzei-me com uma data de adolescentes que ficaram todos entusiasmados por me ver, e eu não percebia porquê. Acontece que iam para a Convenção do Bloco de Esquerda, e um militante mais velho teve de lhes explicar que eu não era o Marx… E aquelas cartas? Quem é que as consegue ler, estando escritas daquela maneira? Linguagem SNS, ou SMS, ou Smarties, ou lá o que é… De há uns anos para cá até tive de começar a contratar um hacker para fazer a descodificação daquela linguagem…





Não estará a levar as coisas muito a peito?

Não, senhor! Quer outro exemplo? Antigamente, as famílias deixavam-me um pratinho com algumas iguarias para me aguentar na noite de 24. Nos últimos anos só me deixam os restos. Há dois anos fraturei o maxilar em dois sítios depois de comer rabanadas com 15 dias… No ano passado, após comer torrão de Alicante, fiquei com a minha placa quase inutilizada. Aquilo só saiu com esfregão de arame e ácido muriático… É o que eu digo, já não há respeito pelas instituições!

Vamos passar à frente. Segundo descobrimos, o Pai Natal tem fortes ligações ao Alentejo. Consta que até tem uma tia na Amareleja. É verdade?
É quase verdade. Não é uma tia, é uma tetravó. Uma fantástica atriz!

Atriz natural da Amareleja? É familiar de Eunice Muñoz? 
Sim. É uma querida! Felizmente teve a felicidade de ter alguém como Gil Vicente a apostar nela e a reconhecer o seu talento. Não podia ter iniciado a carreira de melhor modo.

Pois… Alguma vez visitou o Alentejo?
Vou lá todos os anos, visitar uma prima finlandesa que vive no parque de campismo de Beja. É muito agradável: o tempo é fantástico, a luz é linda, a comida ótima… Só é pena que ninguém me reconheça quando não estou vestido de Pai Natal. Geralmente ignoram-me ou, quando estou muito tempo parado, atiram-me moedas para os pés. Acho que me confundem com um sem-abrigo. 

Também sei que está atento à atualidade regional alentejana. Há algo que queira destacar?
É verdade… Fui assinante do “Notícias de Beja” até há bem pouco tempo. Mas enquanto não arranjarem uma versão para iPad, não renovo a assinatura. E tenho andado a acompanhar as obras nas Portas de Mértola, por exemplo. 

Estão quase a acabar…
Pudera, começaram por alturas das invasões napoleónicas! Já era tempo…

Gosta do resultado final? 
Lamento profundamente que não haja espaço para estacionar as minhas renas… E que não haja um posto para carregar as minhas duas renas elétricas…

Renas elétricas?
Sim, ao contrário do que possam pensar, aqui o Pai Natal é muito amigo do ambiente. Só é pena que estas tenham pouca autonomia… Se dependesse só delas, distribuiria apenas presentes entre Pias e Moura.

Costuma receber cartas de figuras da região? O que é que lhe pedem?
As coisas mais inacreditáveis. Este ano recebi a carta do deputado Mário Simões – pede-me que o PSD tenha mais de 1 000 votos em todo o distrito nas próximas autárquicas. Eu já lhe respondi… Disse-lhe: “Mário, filho, tu não queres um presente, queres um milagre! Olha, entra em contacto com o menino Jesus, pode ser que ele te dê uma mãozinha e que cure alguém das cataratas pelo caminho… Ho ho ho…”.

Fascinante, Pai Natal. E quem mais lhe enviou cartas?
Recebi uma carta do Miguel Ramalho, mas não percebi nada. Tive de pedir ajuda a um dos duendes para a ler. Estava toda esborratada das lágrimas que ele derramou pelo facto de a CDU não o deixar ser cabeça de lista à Câmara de Beja. Segundo percebi, ele pediu como prenda de Natal a cabeça de Pulido Valente numa bandeja de prata. Ou era isso, ou uma caixa de Mon Chéri, não sei…

Já agora, recebeu uma carta do presidente da Câmara de Beja?
Claro! Pediu-me coisas muito simples. Paz no Médio Oriente, fim da fome em África, que o preço dos combustíveis baixe e que o João Rocha se candidate a uma Câmara nas próximas eleições, desde que seja na Tailândia… Ah, e um colete à prova de bala para as próximas assembleias municipais e distritais.  

Mais alguma carta que queira destacar?
Sim, quero destacar a carta de um grande senhor: castro e Brito. Ele pediu-me uma ExpoBeja só para ele. Por mim, até lhe dava duas! Ele é muito simpático. Sempre que passo pela Ovibeja oferece-me feno com fibras para as minhas renas obrarem bem. Se eu tivesse poder, faria tudo para que fosse canonizado! Veja bem a quantidade de presidentes da Câmara de Beja e ministros da Agricultura que ele teve de aturar! É por isso que é muito respeitado. Digo--lhe mais, se aquele homem fosse considerado santo, haveria uma data de agricultores que viriam de propósito de Portel só para se encontrarem com ele e lhe poderem tocar na alfaia agrícola.

Agora que estamos quase a terminar a nossa entrevista, permita-me uma pergunta à Daniel Oliveira: Pai Natal, o que dizem os seus olhos?
Dizem-me que se eu não tiver cuidado com os doces, daqui a uns meses vejo uma camada de tal maneira de diabetes que não vou conseguir distinguir as minhas renas de um fogão de campismo. 

Quer deixar alguma mensagem de Natal aos leitores do “Diário do Alentejo”?
Desejo-lhes um Bom Natal! Não gastem tudo em gomas, evitem os fritos e leiam um livro de vez em quando, desde que não seja mais um volume da biografia do Paulo Futre… Ah! E se virem o senhor que escreve a secção de Filatelia do jornal, mandem-lhe um abraço meu, está bem? Sou um grande fã!


Ricardo Cataluna viajou para a Lapónia, a partir do aeroporto de Beja, num avião da Zé Renato Air fretado pela Liga de Amigos do Pai Natal de Vale de Vargo.




 
 
 
 
  • http://www.yakademia.com http://www.artblows.com http://www.sensepam.com/ http://www.footneuf.com/ http://www.bestsextv.com http://www.nyctrio.com/ http://www.sexboxvideo.com/ http://www.sibura.com