terça-feira
25 de Abril de 2017 - 13:30
Subscrever feed Add to Google Subscrever num leitor de feeds
 
Destaque
Conceição Margalha: “Temos de ir buscar a Évora aquilo que não temos cá”
 
Destaque
AeroNeo inicia obras no aeroporto até final de maio
 
AGENDA
“Alentejo: afetos e olhares da arte” na Pousada de Beja
semana
 
Libertadas em Grândola aves selvagens que foram recuperadas++
 
Câmara de Moura apoia clubes desportivos++
 
Mértola aprova Plano Operacional da floresta++
 
Câmara e a Associação de Defesa do Património apresentam iniciativa Florir Beja++
 
Mostra gastronómica em Grândola ++
 
Vila Nova de S. Bento, em Serpa, inaugura pavilhão desportivo++
 
Feira do Livro de Cuba até sábado++
 
Núcleo museológico de Aivados, em castro Verde, ganha sala de exposições++
 
Risco “muito elevado” de incêndio no distrito de Beja++
 
Biblioteca de castro Verde comemora 22.º aniversário++
 
 
 
 
 
O prazer de traduzir textos literários
 
21-12-2012 10:29:17
  A     A     A  
 

São várias as condecorações que acumula no seu currículo e recentemente foi distinguido com o Prémio Nacional Austríaco de Tradução Literária. Tem-se dedicado, entre outras matérias, à divulgação da literatura austríaca em Portugal. Já traduziu, por exemplo, Thomas Bernhard, Peter Handke, Heimito von Doderer, Hugo von Hofmannsthal e Arthur Schnitzler. Foi em Áustria que fez a sua carreira docente, no entanto, não esquece o seu torrão natal: Vidigueira.

Foi-lhe recentemente atribuído o Prémio Nacional Austríaco de Tradução Literária 2012. Qual é a sensação de receber tão distinto galardão? 
A minha sensação ao receber a notícia de que me tinha sido atribuído o Prémio Nacional Austríaco de Tradução Literária foi, em primeiro lugar, de uma enorme surpresa e depois, naturalmente, de uma grande satisfação e, direi mesmo, orgulho, porque este prémio representa para mim o reconhecimento do trabalho que tenho feito, com o objetivo de divulgar a literatura austríaca em Portugal. Dá-me ao mesmo tempo uma certa garantia de que esse trabalho não foi em vão.

O ministério da Educação, Arte e Cultura austríaco elogia o seu empenho na divulgação da literatura austríaca. Como tem sido este trabalho? Quais os autores que traduziu?
O meu trabalho no domínio da tradução literária deve-se, por um lado, ao prazer que sinto em traduzir textos literários (sobretudo poesia) para português e, por outro, à ideia de que as traduções são necessárias para dar a conhecer, num país de outra língua, neste caso Portugal, autores estrangeiros, no caso presente austríacos. Dos autores que traduzi, e que só comecei a publicar depois de me ter aposentado na universidade, distingo particularmente Thomas Bernhard, do qual já foram publicadas oito obras traduzidas por mim, tendo também já pronta a “Autobiografia” deste escritor, em cinco volumes, cuja edição, porém, em especial por motivos financeiros, aguarda ainda o momento oportuno. Dos outros autores que já traduzi distingo particularmente Peter Handke, Heimito von Doderer, Hugo von Hofmannsthal e Arthur Schnitzler.
Como definiria este seu percurso em Áustria?
O meu percurso na Áustria deveu-se a um conjunto de circunstâncias felizes e ocasionais, sobretudo as que levaram a que eu fosse enviado pelo Instituto de Alta Cultura para desempenhar as funções de leitor de Português na Universidade de Viena, em 1962, e as que permitiram depois que, terminada essa missão oficial, eu fosse contratado pela universidade e pudesse ficar em Áustria, fazendo aqui a minha carreira docente, o que me deu o maior prazer. Viena é uma cidade que, desde o primeiro contacto, me fascinou e sinto-me muito feliz por aqui me ter radicado. No entanto, continuo a ser português, mais ainda alentejano, como costumo dizer, e todos os anos passamos, a minha mulher e eu, grande parte do verão emVidigueira (Viena e Vidigueira são os polos da minha vida).

Considera que a literatura é fundamental no processo de integração europeia?
É muito difícil dizer o que é fundamental no processo de integração europeia, porque se trata de um processo extremamente complexo, que depende de muitos fatores. Mas parece-me muito importante, diria mesmo fundamental, que haja nos cidadãos dos vários países o conhecimento e a compreensão suficientes para aceitar e, mais ainda, reconhecer as vantagens de uma tal integração. E a arte em geral e a literatura em particular são fatores que se elevam acima dos interesses, tantas vezes mesquinhos, do dia a dia e permitem uma consonância espiritual ou intelectual que una os cidadãos em vez de os separar, como fazem, por exemplo, a política e a economia. E, no meu entender, o conhecimento e a compreensão do que somos são os fatores que mais podem contribuir para uma humanidade mais humana.


José Palma Caetano
81 anos, 
natural de Vidigueira

É licenciado em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e doutorado em Germanística pela Universidade de Viena. Exerceu em Portugal, mas em maio de 1962 começou a exercer a função de leitor na Universidade de Viena. Exerceu também na Universidade de Graz. Conta com várias publicações em livros e revistas e com várias traduções literárias, somando várias condecorações. 

Bruna Soares


 
 
 
 
  • http://www.yakademia.com http://www.artblows.com http://www.sensepam.com/ http://www.footneuf.com/ http://www.bestsextv.com http://www.nyctrio.com/ http://www.sexboxvideo.com/ http://www.sibura.com