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IC1 regista acréscimo de tráfego à conta do aumento das portagens (com vídeo)
 
18-12-2012 10:41:09
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O IC1, que com a conclusão da A2, há pouco mais de uma década, viu parte do seu trânsito “desviado” para a autoestrada, tem vindo a registar nos últimos tempos um aumento de tráfego à conta “do encarecimento das portagens”. Mas esse acréscimo parece não ter grande impacto no comércio de Aldeia de Palheiros, localidade da freguesia de Ourique atravessada pelo itinerário complementar. Ao contrário do que acontecia há uns anos atrás, dizem.

Texto Nélia Pedrosa Fotos José Ferrolho


É quase hora de almoço. Francisco Pepe, 73 anos, e Manuel Ricardo, quatro anos mais velho, descem a rua do Jogo da Bola, após a habitual “voltinha” da manhã. Vão a caminho da casa do segundo, onde o primeiro vai buscar “uns ovos caseiros”, dando cumprimento a um “contrato semanal” estipulado entre ambos, dizem entre risos. 
O resto do dia será passado “andando aqui [pela aldeia]”. Aldeia de Palheiros “é uma aldeia de velhotes”, diz Manuel Ricardo, antigo ferroviário, recordando que antes da construção da autoestrada do sul (A2) “todos passavam” pela localidade, uma vez que é atravessada pelo IC1 que, até à conclusão da A2, há pouco mais de uma década, era a principal via de acesso ao Algarve. 
Com o aumento das portagens, e o atual contexto de crise económica em geral, acrescenta Francisco Pepe, ex-proprietário de um minimercado na aldeia e antigo motorista, começa a notar-se um aumento significativo do tráfego, o que beneficia “esses restaurantes” que se situam junto à via. Manuel Ricardo reforça: “Perdeu-se muito trânsito, agora já se nota que passa mais gente”. 
E a proximidade ao Circuito Arqueológico da Cola, situado a escassos oito quilómetros para sul (ver caixa), não “movimenta” a aldeia?, perguntamos. “Às vezes lá aparece um turista a perguntar onde é o castro da Cola. Não é uma coisa diária”, diz Francisco Pepe, que chegou a privar com o arqueólogo Abel Viana, a quem se devem as primeiras escavações do castro da Cola no início da segunda metade do século XX. “Ele vinha ali a [minha] casa e nós começámos a conversar. Fui muito amigo dele”.
Apesar de considerar que a proximidade da aldeia ao castro da Cola não tem grande impacto, o antigo comerciante questiona-se se isso poderá mudar no futuro: “Os mouros quando deixaram ali aquilo deixaram um provérbio que dizia ‘Cola colica ficas tu tão pobre e sendo tu tão rica’. Não sei se não haverá ali minério por debaixo daqueles cerros todos, não sei se não haverá”. 
Manuel Ricardo, que ainda é parente do então “braço direito” do arqueólogo Abel Viana – um autodidata natural de Aldeia de Palheiros, também chamado Manuel Ricardo, que anos mais tarde viria ainda a trabalhar com Caetano de Mello Beirão e com outros arqueólogos em escavações na região –, lembra o tempo em que em castro da Cola vivia “uma ermitoa” que cedia a chave ou abria as portas da igreja de Nossa Senhora da Cola aos visitantes. “Aquilo [castro da Cola] era uma coisa que não dava vida aqui à Aldeia de Palheiros, a não ser no dia 8 de setembro [romaria anual], quando fazem ali uma grande festa, e não há ninguém aqui da aldeia que não vai lá, mas isso já vem, sei lá, era eu miúdo. Agora tem lá um restaurante, que um indivíduo fez, e até se diz que foi uma promessa, e então já lá vai gente de propósito ao Chaparrinho, é como se chama o restaurante”.  Há cerca de meio século, adianta Francisco Pepe, “quase não se podia lá chegar”. O caminho era feito “por estrada velha, por ali afora”.
Na aldeia propriamente dita, acrescenta o antigo ferroviário, também muita coisa mudou nas últimas décadas. “Eu às vezes não durmo e começo a fazer umas contas: desde o 25 de Abril já se fizeram aqui [na aldeia] cerca de 80 vivendas. Isto melhorou muito com o 25 de Abril, agora é que estamos outra vez mal. Antigamente quem é que podia fazer uma casa aqui? Eram casas antigas, feitas em pedra, barro”. A estas habitações mais recentes, Manuel Ricardo acrescenta ainda “as muitas e boas vivendas” que os estrangeiros, ingleses e alemães na sua maioria, “constroem em redor” da localidade: “Eles não gostam de estar dentro das povoações, o problema é deles...”.
Jacinto Pires, 41 anos, proprietário e chefe de cozinha do restaurante Novo Coimbra, um dos que se situam junto ao IC1, garante que, ao contrário “do que muita gente pensa”, o aumento do tráfego naquele itinerário complementar não está a ter impacto no seu negócio. “Antigamente passavam 100 e paravam 100, e mesmo com a autoestrada cheia o restaurante estava cheio. Agora a autoestrada não tem ninguém, mas dos 50 que passam na estrada [IC1] param dois ou três. Não é como a gente quer, nem é como as pessoas pensam. Dizem: ‘Ah, agora saem da autoestrada e passam por aqui’. Mas o pessoal não tem dinheiro”, esclarece o empresário, que detém um outro restaurante em Aldeia dos Fernandes (Almodôvar) e que há três anos decidiu investir no Novo Coimbra “para estar mais perto por onde passa o cliente”, ou seja, mais próximo de uma grande via. “No princípio foi uma boa aposta, agora vamos ver como é que vai ser, porque os próximos anos vão ser muito complicados”. 
Jacinto Pires diz que o negócio “está a um terço” do que era e que muitos dos clientes regulares do restaurante que habitualmente “comiam uma refeição agora comem uma bifana”. Os clientes ditos “de passagem” consomem “um café, um bolo”: “Antigamente não era a passagem [pelo IC1] que me dava clientes, eles vinham de propósito, tinham dinheiro e vinham. Esses que vinham de propósito hoje vêm menos, e o pessoal de passagem é como digo: passam 100, mas param quantos?”
Manuel Camacho, 58 anos, motorista de pesados na Câmara Municipal de Ourique, lembra-se bem das intermináveis filas que se formavam ao longo do IC1, antes da construção da A2, e que obrigavam, principalmente em dias de calor, as pessoas a “desviarem-se para qualquer lado onde pudessem sossegar”. “As pessoas paravam principalmente nos cafés aí rente à estrada, havia muito movimento, e mesmo aqui dentro da aldeia também entravam muito. Para os almoços, para beber um cafezinho. Na estrada havia sempre bichas, estava tudo cheio e as pessoas empatavam-‑se muito tempo”. Agora, diz, como já existe alternativa ao IC1, apesar de este registar nos últimos tempos um maior tráfego devido ao encarecimento “das portagens”, já não se formam filas e “a viagem é seguida”. “Antes de haver autoestrada, de Lisboa ao Algarve se calhar levavam-se seis ou sete horas e as pessoas paravam. Agora não. Eu daqui ao Algarve às vezes encontro sete ou oito carros no caminho e não vejo ninguém parado”. 


castro da Cola “tem 
um desempenho fantástico”
O Circuito Arqueológico da Cola surgiu, de acordo com informação disponibilizada pela Direção Regional de Cultura do Alentejo, como o “corolário de extensos trabalhos de investigação que, no entanto, estão ainda longe de possibilitar o conhecimento total da realidade arqueológica do concelho de Ourique”. 
O circuito integra um conjunto de 15 sítios arqueológicos “de várias épocas, que se distribuem especialmente em torno do importante povoado que é o castro da Cola”. Estes 15, que foram selecionados “por reunirem as melhores condições para uma apresentação ao público”, fazem parte de um conjunto de “cerca de 30 sítios arqueológicos que cobrem, sem hiatos, todos os períodos cronológicos, desde o Neolítico até à Idade Média, atestando uma permanente ocupação deste território por sociedades dedicadas, essencialmente, à agricultura e à pastorícia – constituindo a caça e a pesca importantes complementos alimentares – e, também, à exploração, em média escala, dos recursos mineiros da região”. Como em qualquer sociedade podem ser observados “locais de habitação dessas populações” e “as zonas por elas escolhidas para perpetuar as suas memórias, através dos monumentos erigidos para sepultar os seus mortos”. 
De acordo com Deolinda Tavares, da Direção Regional de Cultura do Alentejo, o circuito recebe anualmente “dois mil e tal a três mil e tal” visitantes. Comparando “com outras unidades que estão abertas ao público, mais urbanas, mais centrais, mais visíveis”, o castro da Cola tem, do ponto de vista do número de visitantes, diz a conservadora/  /restauradora, “um desemprenho fantástico, enorme, muito bom” e que se justifica “por um lado porque é uma unidade arqueológica muito conhecida não só nacionalmente, mas também internacionalmente, muito referida numa série de publicações, e portanto procurada por várias pessoas”, e, por outro lado, porque “é feito algum trabalho de divulgação de procura de interlocutores, inclusivamente junto de unidades de divulgação turística, e de promoção com o apoio da autarquia”, conclui.

António Barros
Presidente da Junta 
de Freguesia de Ourique 


Aldeia de Palheiros beneficia, de alguma forma, da proximidade ao castro da Cola? 
Existe da parte da população um orgulho sobre a localização deste sítio arqueológico nas proximidades da aldeia. Mas onde se nota mais a associação da comunidade ao local é na manifestação religiosa a 8 de setembro e a 1 de Maio. Nota-se na restauração um fluxo turístico que advém da visita a este espaço e às atividades religiosas que lá ocorrem. Uma das estratégias da Câmara e da Junta de Freguesia, através da consolidação do Centro de Arqueologia Caetano de Mello Beirão, é exatamente criar dinâmicas que permitam atrair mais pessoas ao circuito e envolver a comunidade local.


O atual contexto de crise económica está a levar algumas pessoas a trocarem a A2 pelo IC1. Esse aumento de tráfego está a ter impacto na restauração e no comércio local? 
Esse é um dado que vemos aumentar de dia para dia. Os custos associados à autoestrada são cada vez maiores e obrigam as pessoas a circular pelo IC1. Naturalmente que este é um facto positivo para nós e para a atividade económica local, em particular os restaurantes que acabam por criar mais postos de trabalho. Os palheirenses sabem receber muito bem e são pessoas afáveis que de sobremaneira contribuem para fazer deste local um ponto de paragem de referência.


Quantos residentes tem a aldeia, de acordo com o Censos 2011? Perdeu população?
É uma aldeia com cerca de 450 habitantes, em que 50 por cento da população tem mais de 50 anos e é homogénea em termos de género. A perda de população é residual, ou seja, em termos da freguesia (2 878 habitantes) perdemos 160 habitantes em 10 anos. 


A que setores de atividade se dedica atualmente a população em idade ativa?
As atividades predominantes são a agricultura, serviços, restauração e construção civil.


Quais são os principais problemas da aldeia?
Os fatores mais negativos são o desemprego, a população envelhecida e cada vez mais famílias carenciadas. O que é preocupante é constatar e lidar com uma política de discriminação negativa do interior, de abandono por parte do Governo, de criação de mais dificuldades a um tipo de população que é sempre mais desfavorecida. Essa é a nossa maior preocupação para o futuro. Felizmente procuramos contrariar isto e registam-se alguns casos de famílias jovens a instalarem-se na aldeia.


E as principais potencialidades?
Acreditamos que com a fixação de famílias jovens, que trazem um novo dinamismo e participam ativamente nas associações locais, a existência de empresas localizadas na área de Aldeia de Palheiros e a oportunidade de renascimento do tráfego no IC1 é possível acreditar que se reúnem condições para um desenvolvimento profícuo. Da nossa parte continuamos a apostar no apoio direto à população e na criação de condições para desenvolver novos projetos de iniciativa privada ou comunitária.

 
 
 
 
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