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A escritora que pratica alquimia com coentros e poejosNovo Titulo
 
17-12-2012 10:42:12
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Tem no prelo sete livros sobre cozinha e gastronomia. E nenhum deles é a História da Gastronomia em Portugal, esse sonho tão antigo, tão ousado e tão trabalhoso de alcançar. Maria Antónia Goes, nascida e crescida em Alvito, é das mais importantes divulgadoras dos comeres alentejanos. E não apenas. Na sua bibliografia contam-se mais de duas dezenas de títulos. Entre eles os incontornáveis A Cozinha Tradicional do Alentejo – a memória dos temperos ou À mesa com Fialho d’Almeida – um tratado de cozinha alentejana. Em vésperas de Natal, na sua editora de sempre, a Colares/Feitoria dos Livros, acaba de dar à estampa dois novos manuais de bem-comer: A Cozinha da Caça e Doces e Bolos do Alentejo. De fazer crescer água na boca.

Como e quando despertou para a cozinha alentejana?
Para a cozinha alentejana devo ter despertado desde que tive conhecimento, uma vez que nasci numa família alentejana e vivi em Alvito até aos 10 anos, quando fui para o colégio, em Lisboa. Na minha casa comia-se muito bem e a minha mãe seguia escrupulosamente todas as tradições – do peru no Natal, aos nógados sobre folhas de laranjeira (para mim o doce mais bonito do mundo) e as migas de miolos na terça-feira de Carnaval, ao borrego na Páscoa. Mas o meu interesse pela gastronomia ou pelos livros de cozinha, nasceu, sem dúvida nenhuma, na Expo de Sevilha, em 1992, quando visitei a exposição com um casal francês, ambos professores universitários. Num canteiro bastante mal amanhado, estavam uns pés de tomate, de feijão, de pimentos... Ante o espanto deles que não sabiam que quase tudo o que hoje comemos veio de além-mar, com os Descobrimentos, jurei publicar um livro e explicar isso mesmo. Fui ao Ministério da Agricultura e propus um livro para ser distribuído na Expo de 1998, em Lisboa. E assim foi.

O que tem esta cozinha de fascinante?
É a imaginação! Aliada aos produtos locais de ótima qualidade, ao pão sem igual, às ervas aromáticas. Na região mais pobre de Portugal, come-se bem por pouco dinheiro. Que dizer de quem consegue, com um molho de coentros ou de poejos, ou de ambos, uma golada de azeite e um dente de alho, um bocado de pão seco e água a ferver, fazer uma soberba açorda? 
 
De uma só assentada, para o Natal, deu à estampa dois livros. Um sobre caça e outro sobre doces e bolos do Alentejo. 
Fale-nos destes livros.

Não foi de uma só assentada. Tenho imensos livros no prelo. Estive gravemente doente durante dois anos e tive que abandonar a minha atividade de arquiteta, que sempre adorei. Sou superativa – no bom sentido. Durmo pouco, leio imenso e escrevo compulsivamente. A isto, some-se o espicaçar das editoras, sempre a darem ideias e a puxarem por mim. Sobre a caça, que adorei praticar e acompanhar sempre de perto, rodeada de caçadores desde a mais tenra idade, tudo veio naturalmente. Durante anos publiquei receitas, com as respetivas fotografias em revistas da especialidade. Mais tarde, com o médico diabetologista Estêvão Pape e o chefe António Mendonça, fizemos o livro Caça – Carne saudável, muito bonito, com fotografias e receitas, explicando que a carne da caça é mais saudável que a dos animais domésticos – a carne do veado tem 25 vezes menos gordura que a carne de vaca e a de javali tem cinco vezes menos que a carne de porco. Quanto aos Doces e Bolos Alentejanos, foi um pedido da editora.

Já publicou mais de duas dezenas de títulos sobre gastronomia. Qual é o freguês que se segue?
Tenho muitos livros no prelo, já nas mãos dos editores, mas o meu sonho mais próximo é escrever a História da Gastronomia em Portugal. Não é fácil. Há pouca documentação. Lembremo-‑nos que o primeiro livro de cozinha português é de 1680. Até essa data, na Europa, já se tinham publicado dezenas e dezenas de livros. Mas é um desafio, que não vou largar.





Maria Antónia Goes
69 anos, natural de Alvito


É licenciada em arquitetura pelas Belas Artes de Lisboa. Mas foi nas perfumadas artes da gastronomia alentejana que se deu a conhecer ao grande público. Com mais de 20 títulos publicados, Maria Antónia Goes é das mais prolixas e conceituadas divulgadoras da cozinha em Portugal.

Paulo Barriga


 
 
 
 
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