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Elogio bejense a Jorge Amado
 
17-12-2012 10:37:43
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O “Diário do Alentejo” publicava regularmente, no início da década de Sessenta, recensões de novos livros e críticas literárias.
Em dezembro de 1962, um “registo bibliográfico”, não assinado, revelava “De como o mulato Porciúncula descarregou seu defunto”, num texto onde se elogiava o autor da novela, Jorge Amado, ligado na época ao Partido Comunista Brasileiro. O vespertino bejense conseguia, de forma hábil, fazer passar as ideias progressistas do escritor brasileiro pelas malhas da Censura fascista:
“É de Jorge Amado, esse mundialmente festejado autor de ‘Jubiabá’, a curiosa e sugestiva novela que acabámos de ler, integrada na colecção ‘Best-Sellers’ há pouco iniciada sob a criteriosa orientação de Jorge Daun.
Jorge Amado é, decerto, o escritor brasileiro mais querido e popular em Portugal (porque não em todo o mundo?!). Prosador inconfundível, que faz da linguagem tipicamente baiana um doce poema de humanidade e filosofia social, ele recolhe no dramatismo quotidiano da gente da rua toda a riqueza temática dos seus romances.
São dele mesmo estas palavras de defesa a determinado faccionismo político que, por vezes, se pretende apontar no homem para ‘destruir’ a inegável validade do escritor, sempre identificado com a problemática social do seu tempo:
‘Meu único compromisso até hoje e, espero, certamente, até à última linha que venha a escrever, tem sido com o povo, com o Brasil, com o futuro. Minha parcialidade tem sido pela liberdade contra o despotismo e a prepotência; pelo explorado contra o explorador; pelo oprimido contra o opressor; pelo fraco contra o forte; pela alegria contra a dor; pela esperança contra o desespero – e orgulho-me dessa parcialidade’.
Contudo, em ‘De como o mulato Porciúncula descarregou seu defunto’, Jorge Amado narra apenas uma história leve, poética mesmo, do amor frustrado dum mulato.
Original a maneira como o escritor começa por levar ao leitor a figura, de sugestivo desenho psicológico, de Gringo, como sendo a de personagem central da novela, para, quase tão suavemente que mal se dá por ela, operar a mutação e nos oferecer a narrativa do amor de Porciúncula por Maria do Véu, moça perdida nos vaivéns da sorte que sonhou até morrer com o vestido de noiva ‘todo branco, com o véu arrastando e flores na testa’, que jamais teve.
Original também, e como afirmação magistral do grande prosador, o fecho da novela, no qual, de novo, Gringo, o bêbado da cachaça, volta a entrar em cena e cuja história se promete (apenas promessa no enquadramento da narrativa) para ‘outra vez, mesmo porque exige tempo’...”. 

Carlos Lopes Pereira

 
 
 
 
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