A primeira edição portuguesa do maior festival de música do mundo, o KaZantip, arranca na sexta-feira no Alentejo, apesar de ainda decorrer a investigação do Ministério Público motivada por uma queixa envolvendo o festival.
Segundo informações prestadas à Lusa pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, o processo, motivado por uma queixa apresentada há mais de seis meses, está na fase de inquérito, ou seja, de recolha de prova em ordem ao apuramento dos factos e das responsabilidades penais.
Questionado sobre se a investigação poderá trazer implicações à realização do KaZantip em Portugal, nas margens do Alqueva, no concelho de Moura, entre sexta-feira e 26 de agosto, o DIAP referiu: De maneira nenhuma. O processo tem por objeto condutas individuais e não um festival. A queixa, que foi remetida no passado dia 6 de fevereiro para o DIAP de Lisboa, surgiu após ter sido colocado num sítio de Internet um vídeo alegadamente filmado numa das edições anteriores do KaZantip e que mostra uma criança envolvida numa cena de sexo oral ao vivo.
A Lusa tentou contactar, por várias vezes e sem sucesso, a produção da edição portuguesa do KaZantip.
Em declarações à Lusa, o presidente da Câmara de Moura, José Maria Pós-de-Mina, disse que o município tem a expetativa de que a edição portuguesa do KaZantip possa decorrer com normalidade.
É evidente que persiste a sombra do que se disse sobre edições anteriores, mas o que sabemos da edição portuguesa deixa sinais de que o festival vai decorrer conforme as normas legais em Portugal, disse.
Segundo o autarca, naturalmente que pode haver situações imponderáveis, provocadas por visitantes, mas o município vai estar vigilante e acompanhar o festival.
Se houver práticas que não forem conformes com as normas legais em Portugal, o município irá tomar as medidas apropriadas e participar os casos às entidades competentes, garantiu.
O kaZantip é vulgarmente conhecido como o festival das orgias, já passou por vários países e, segundo a organização, o primeiro evento realizou-se na Ucrânia e, em 2002, foi obrigado a encerrar pelo governo ucraniano.