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“Jesus Cristo bebia cerveja”
 
02-07-2012 9:36:17
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Jesus Cristo bebia cerveja passa-se no Alentejo. Em que medida é que o território que habitas foi, ou não, determinante para esta narrativa?
O Alentejo, que é onde vivo, é parte fundamental do meu quotidiano, e isso faz com que seja mais fácil extrair algumas coisas do dia a dia e transformá-las em palavras. É o campo, o Alentejo rural, que caracteriza e dá o ambiente que pretendi para este romance. Acho que há alguma solidão, acho que há sempre grandes distâncias a percorrer e tudo é longe. Isso tem as suas marcas nas personagens cuja paisagem se reflete por dentro. As suas almas também são um monte isolado, afastadas de quase tudo.


Há poucos meses “encarnaste” Manuel da Fonseca, a propósito da comemoração do centenário do seu nascimento. Apesar das distâncias, será que existem pontos em comum entre ti e Manuel da Fonseca?
Acho que não existem muitos pontos comuns em termos formais, no estilo de escrita e no modo como usamos a linguagem. Mas tento aproximar-me dele em termos humanos e sociais. Especialmente em temas que eram recorrentes em Manuel da Fonseca. Espero que também consiga fazer refletir sobre a pobreza e a injustiça, sobre o modo como algumas pessoas acabam por aceitar toda a iniquidade a que são sujeitas, e o façam quase com voluntarismo ou abnegação. E um dia, se decidem tomar uma atitude ou revoltar-se, frequentemente são mal sucedidas ou violentas. Por vezes contra outros, ou, o que é mais comum, contra si mesmas.

Segundo a generalidade da crítica especializada, és um dos nomes grandes da nova geração de romancistas portugueses. Para além da questão geracional haverá algo comum a estes escritores? Com quem te identificas mais?
Há sempre pontos comuns. Vivemos a mesma época, com os mesmos estímulos, apesar das diferentes vozes e formas de expressão. E eu acabo por me identificar não apenas com os que escrevem como eu, mas também com todos os que o fazem de modo radicalmente diferente, pois gostaria de ser capaz de fazer o mesmo, de conseguir exibir características que não tenho – mas que admiro – ou que não me são naturais. Além disso, alguns deles são meus amigos e isso também me aproxima da sua escrita de um modo mais intenso. Há ainda que acrescentar um enorme agradecimento ao Valter Hugo Mãe, pelas palavras elogiosas que escreveu na cinta que envolve o livro Jesus Cristo Bebia Cerveja. O Valter chegou a prometer espancar quem não lesse aquilo que eu escrevo.

Falemos de cerveja. Jesus bebia mesmo cerveja ou isso é uma treta que inventaste?
É muito provável que Cristo bebesse cerveja. Era a bebida alcoólica mais comum, consumida por todos, inclusive crianças. Por essa altura, importavam-se do Egito grandes quantidades de cerveja. Também é importante ter em consideração que as bebidas fermentadas não tinham fronteiras tão definidas como têm hoje e seria normal encontrar cevada misturada com frutos em proporções variáveis, além de muitos outros ingredientes que hoje são incomuns neste tipo de bebidas, como especiarias, plantas medicinais, carne, grãos e sementes. A cerveja, que não tinha muitas das características da cerveja que bebemos hoje – basta referir que um dos seus principais ingredientes, o lúpulo, não era utilizado – era omnipresente no Médio Oriente, pelo menos desde que existem cidades e sociedades sedentárias. No livro Fome, de Elise Blackwell, pode ler-se sobre os babilónios: “(...) a cevada permanecia o centro do seu regime alimentar, e nas trocas preferiam cevada à prata.


Afonso Cruz
41 anos,
natural de Figueira da Foz


Escritor, realizador de filmes de animação, ilustrador, músico e produtor de cerveja: um verdadeiro homem dos sete instrumentos. E se o povo diz que “quem muitos burros toca, algum fica para trás”, neste caso engana-se. Em junho, Afonso Cruz, o escritor, viu chegar aos escaparates o seu novo romance Jesus Cristo bebia cerveja e mais um volume da Enciclopédia da Estória Universal (edições Alfaguara); o músico, integrando a banda de blues Soaked Lamb, lançou no Ritz Club, em Lisboa, o novo cd “Evergreens”; e o cervejeiro prepara-se para introduzir no mercado uma malte ao estilo dos monges trapistas, temperada com coentros e mel. Há quatro anos mudou-se de armas e bagagens para o concelho de Sousel, Alto Alentejo. Entretanto, tem acumulado prémios, atrás de prémios, e Valter Hugo Mãe já ameaçou dar pancada a quem se atrever a não ler os seus livros.

 Aníbal Fernandes

 
 
 
 
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