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Pouco mais de 80 pessoas em Albergaria dos Fusos (com vídeo)
 
30-03-2012 11:49:37
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A barragem é de Albergaria dos Fusos, mas houve tempo em que tinha o nome de Alvito. Mas tenha que nome tiver as gentes da aldeia gostavam é que a ela chegasse o desenvolvimento, e que com ele viessem mais forasteiros e até possíveis habitantes. De boca em boca só se ouve um número: 80. “Já só somos uns 80”.  

 

Texto Bruna Soares Fotos José Ferrolho

“Somos uns 80 a viver aqui”. É este o número que sai, sem indecisão, das bocas das gentes que habitam Albergaria dos Fusos, no concelho de Cuba, até porque a conta, essa, não é difícil de fazer. Basta ir subtraindo os que vão deixando a aldeia. Todos se conhecem e a margem para erro é, assim, mínima.

“Há para aí umas 80 pessoas, se chegar. Dos que partiram uns estão ali a caminho de Vila Ruiva (cemitério) e outros abalaram para Lisboa”, diz Francisco Batista, que se apresenta de camisa aos quadrados para dentro das calças, boina na cabeça e com uma bolsa milimetricamente colocada no cinto para o telemóvel. 

Habitantes, não restam dúvidas, são cada vez menos. Mas, ainda assim, o que melhorou ao longo destes anos? “As calçadas e as ruas”, responde sem hesitação. Francisco Gonçalves, por sua vez, diz que “as melhorias foram muitas” e que “a terra tem muito mais condições”.

No largo não há carros a circular e o som dos pássaros, que vieram com a primavera ou que nunca chegaram a partir, é o que mais se ouve. As aves de António Pomares ajudam à festa. Dentro da sua pequena drogaria apetrechada de tudo e mais alguma coisa, em pleno largo, são elas que se ouvem, ainda que dentro das gaiolas. “Gosto muito dos passarinhos e trago-os aqui para a loja, assim estou sempre a ouvir alguma coisa”, conta. Até porque a voz dos clientes escuta-a cada vez menos. “Tinha um comércio alimentar do outro lado e tive de fechar, porque as pessoas vão-se aviar aos supermercados, às superfícies grandes”, afirma.

Quem também espera pelos clientes é Cidália Ferreira, no seu café, atrás do balcão. “Estou aqui há 20 anos. Esta terra está muito velhota. A maioria das pessoas tem entre os 60 e os 70 anos. Malta jovem há pouca e está cada vez menos gente na aldeia”, afirma.

Há, no entanto, os forasteiros, quase sempre ao fim de semana, que procuram a barragem e a casa de turismo, que se instalou na aldeia, aproveitando todas as potencialidades da terra. “Quando há movimento lá, nota-se aqui no café”, assegura Cidália Ferreira. Na aldeia toda a gente comenta o turismo rural. “Foi uma coisa boa que veio para aqui”, consideram os homens, que se sentam nos bancos, abrigados do sol.

A barragem de Albergaria dos Fusos, que tanta luta deu a estas gentes, uma vez que a batizaram de barragem de Alvito, é o que ainda faz renovar a esperança, embora o tão aguardado progresso insista em não chegar. “Se houvesse desenvolvimento na barragem podia desenvolver-se a aldeia”, diz Francisco Gonçalves, adiantando: “Estava previsto um hotel, mas parece que isso está em stand by. Aquilo não vai ser feito. Dizem que não têm dinheiro para fazer o hotel. Isso poderia trazer até habitantes, porque há aí muita casa à venda e podia ser que alguém viesse para aqui morar”.

Manuel Reguengos senta-se num dos bancos, abrigado pelo alpendre, enquanto vão chegando os seus companheiros de prosa e explica como trocaram as voltas à barragem, atribuindo-lhe o nome de Alvito. “A barragem de Alvito era para ser ali em baixo. Começaram a construir, mas como o terreno não deu, mudaram para aqui. Ali já era barragem de Alvito e aqui continuou a ser barragem de Alvito à mesma, mas sem o ser”. Os homens acenam positivamente com cabeça e Manuel Reguengos lamenta: “Nos papéis já está barragem de Albergaria. Mas as pessoas passam aí nos carros e perguntam onde é a barragem de Alvito”.

Ao lado dos homens repousa a antiga escola primária e crianças não se avistam. A escola há muito que fechou. Apenas se avista Jacinto Batata a pular o muro, do alto dos seus mais de 70 anos. Antes parou o seu veículo motorizado de três rodas e caixa aberta, que carregava duas couves, junto ao alpendre. “Crianças há muito poucas. Só o que há aqui é malta velha e eles não fazem crianças”, conta o homem, entre sorrisos. Jacinto não se senta e recorda: “No tempo em que era rapaz havia aí muita malta nova, faziam-se grandes bailes. Agora não há nada. Não está aí ninguém. Só se forem os velhos bailar com as velhas. A mocidade abalou toda”. E o espaço multiusos, perguntamos. “Às vezes fazem lá casamentos e batizados”, diz Francisco Batista.

Jacinto senta-se no seu veículo. Aquece o motor, dá a conhecer as virtudes da máquina e arranca rua acima. Vai ver o seu “hortejo”. Com o barulho Umbelina Cabanas assoma-se à porta. E resume: “Aqui é como nos outros sítios. Uns dias são melhores, outros são piores”.

 

 

Luís Pôla

Presidente da Junta de Freguesia de Vila Ruiva

 

Em sua opinião, quais são as principais potencialidades de Albergaria dos Fusos?

Penso que as potencialidades de Albergaria dos Fusos passam pelo turismo rural e, inclusive, já existe uma casa de turismo rural na aldeia. A barragem de Albergaria dos Fusos, no entanto, representa uma das suas mais valiosas atrações turísticas.

 

Qual é a relação desta terra com a barragem de Albergaria dos Fusos?

A relação desta terra com a barragem deve-se, sobretudo, à sua proximidade. Situa-se a cerca de três quilómetros da aldeia.

 

Esta aldeia pode no futuro atrair mais visitantes?

Julgo que esta terra poderá atrair mais visitantes, nomeadamente através de diversas atividades, como desportos náuticos, pesca desportiva, entre outros. É, sem dúvida, uma área com excelentes aptidões para o desenvolvimento do turismo. Não se pode esquecer ainda a existência de boas condições ambientais, bem como os recursos naturais e também as excelentes condições para a prática de atividades ao ar livre.

 

Estão previstos novos projetos para a aldeia?

Sim. Existe um projeto para a aldeia. Trata-se de um complexo turístico, que será implementado a cerca de dois quilómetros de Albergaria dos Fusos.

 

Neste momento particularmente difícil para todo o País, devido à sentida e conhecida crise, quais são as principais dificuldades desta terra?

A população desta terra é envelhecida e essa é, sem dúvida, neste momento, a principal dificuldade que se sente em Albergaria dos Fusos.

 

Em ano de seca como está o caudal da barragem de Albergaria dos Fusos?

O caudal da barragem de Albergaria dos Fusos mantém-se. Já existe a ligação entre a barragem de Albergaria dos Fusos e a barragem de Alqueva e, neste sentido, o caudal está dentro dos níveis esperados.

 

E a agricultura, sustento de muitas das pessoas que habitam esta terra?

A agricultura acaba por sofrer as consequências do ano que se vive. A seca traz a estas terras, mas também a toda a região, um impacto negativo.

 

 

Turismo rural dinamiza aldeia

 

A Casa do Alto da Eira instalou-se em Albergaria dos Fusos e hoje é apontada como uma das principais dinamizadoras da vida da aldeia. São vários os turistas que a procuram ao longo do ano e a terra acaba sempre por beneficiar. A Casa do Alto da Eira tem ainda levado o nome de Albergaria dos Fusos além-fronteiras. O turismo rural é apontado como uma das principais potencialidades da terra.

 

 

Ponte romana


Antes de se entrar na povoação de Albergaria dos Fusos ergue-se uma ponte romana, considerada uma das mais monumentais ainda existentes no País. A ponte está classificada como Monumento Nacional e tudo indica que por ela passava a antiga estrada romana, que de Faro e Beja seguia para Évora e Mérida.

 

Ermida e igreja de Nossa Senhora do Outeiro

 

A ermida de Nossa Senhora do Outeiro ou de Nossa Senhora da Visitação ergue-se fora da aldeia. Conta a lenda que nas primeiras sextas-feiras de março a imagem da padroeira do lugar chorava e suava tanto que tinha ensopado vários lenços e que o azeite da sua lamparina nunca diminuía, aumentando sempre. Ainda hoje, junto à igreja, existe o cemitério da aldeia. A igreja de Nossa Senhora do Outeiro, por sua vez, ergue-se dentro de Albergaria dos Fusos e foi construída no século XX. O traço arquitetónico é moderno de formas geométricas simples – círculo, quadrado e ângulos retos.

 

 

Barragem de Albergaria dos Fusos

 

A barragem de Albergaria dos Fusos fica a escassos quilómetros da aldeia. Tem uma área aproximada de 1 480 hectares e tem sido apontada a sua aptidão para o desenvolvimento de atividades relacionadas com o turismo. É conhecida por ter boas condições para atividades ao ar livre, tais como desportos náuticos e pesca desportiva. Fala-se ainda da possibilidade de poder vir a ter uma praia fluvial. Abastece os concelhos de Cuba, Alvito, Portel e Viana do Alentejo. A forma da albufeira, o plano de água, a paisagem natural e a existência de alguns pontos de interesses têm atraído ao longo dos anos vários visitantes.

 
 
 
 
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