2 de janeiro de 1918:
Tomada de posse dos novos corpos administrativos da Câmara de Beja
No seguimento das eleições de 4 de novembro de 1917 para o poder local (3.º Governo de Afonso Costa), no início do novo ano, mais precisamente a 2 janeiro de 1918, tomam posse, nos paços do concelho de Beja, os novos corpos administrativos do município.
As eleições locais de finais de 1917 realizam-se em Beja num contexto de forte agitação social que tem como pano de fundo a carestia e a falta de géneros provocada pela guerra. A 19 de junho, no seguimento do que já tinha acontecido a 9 e 10 deste mês, os trabalhadores de Baleizão retiram 93 sacos de farinha da estação de caminho de ferro desta localidade e fazem a sua entrega à Junta de Paróquia a fim de que a farinha seja vendida ao preço da tabela (12 centavos / Kg). No dia seguinte, ao repetirem a ação, são recebidos a tiro pela GNR de que resulta um morto e três feridos. Em novembro, na cidade de Beja, os acontecimentos que marcam o quotidiano são as greves dos sapateiros por melhores salários e a dos alunos do liceu contra a recente reforma do ensino.
É, pois, neste quadro que se trava a disputa eleitoral entre democráticos e unionistas, as duas formações políticas republicanas com expressão no concelho e no distrito. Como desde o 5 de Outubro de 1910 que o município de Beja é dominado pelo Partido Unionista, os democráticos, com o objetivo da vitória, procuram o apoio do Partido Socialista, integrando na sua lista dois importantes membros desta agremiação política – Bernardo António Pratas e José João Coroa –, aproximação decisiva para a vitória democrática, uma vez que esta acontece apenas por treze votos.
Fechadas as urnas e contados os votos ganha a lista de Ezequiel do Soveral Rodrigues, proprietário, Henrique Augusto Silva, advogado, e Luís da Rocha, industrial, e perde a candidatura unionista onde, entre outros, se encontram Gomes Palma, advogado e proprietário, José Martins de Mira Galvão, engenheiro agrónomo, e Cândido de Brito Penedo, que tinha sido administrador do concelho de Beja durante o Governo de Pimenta de Castro.
Assim, e em conformidade com os resultados eleitorais, dia 2 de janeiro de 1918, tomam posse o Senado Bejense, tendo como presidente Henrique Augusto Silva, e a Comissão Executiva da Câmara, liderada por Ezequiel Rodrigues, cargos que não chegam a exercer uma vez que o novo poder sidonista dissolve todos os municípios, nomeando em sua substituição comissões administrativas. Desta forma, em Beja, os unionistas que tinham perdido as eleições de 4 de novembro de 1917 regressam ao poder municipal por via da imposição destas comissões administrativas, com o derrotado Cândido de Brito Penedo em Presidente da Câmara Municipal.
Constantino Piçarra