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Baixo Alentejo apresenta a menor esperança de vida em Portugal continental
 
13-10-2017 9:51:48
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O Baixo Alentejo e as regiões autónomas da Madeira e dos Açores são as regiões que, em Portugal, apresentam os valores de esperança de vida mais reduzidos. As tábuas de mortalidade, referentes ao triénio 2014-2016, divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), no passado dia 27 de setembro, revelam que, neste período, a esperança de vida à nascença em Portugal foi estimada em 80,62 anos para o total da população, sendo que a esperança de vida à nascença no Baixo Alentejo era de 78,62 anos. Menos dois anos em relação à média nacional.

Texto José Serrano Foto José Ferrolho
Em Portugal a esperança de vida à nascença foi estimada em 80,62 anos para o total da população, sendo de 77,61 anos para os homens e 83,33 anos para as mulheres, de acordo com as tábuas de mortalidade do Instituto Nacional de Estatística (INE), relativas ao triénio 2014-2016, agora reveladas. Valores que, segundo o INE, representam “um ganho de 1,44 anos para os homens e de 1,14 para as mulheres, comparativamente com os valores estimados para 2008-2010”.
A região Norte apresentou os valores de esperança de vida à nascença mais elevados, para o total da população e para os homens, respetivamente 80,99 anos e 78,07 anos. A região Centro apresentou o valor mais elevado para as mulheres, 83,66 anos. Por sub-regiões os valores mais elevados de esperança de vida à nascença, acima de 81 anos, registaram-se na região de Coimbra, Leiria, Cávado, Viseu Dão-Lafões e Área Metropolitana do Porto. 
Por outro lado, as menores esperanças de vida à nascença encontram-se nas regiões autónomas e no Baixo Alentejo, com valores que não vão além dos 78 anos. 
José Barriga, médico de Medicina Interna, em Beja, revela: “Não me admiro absoluta­mente nada que o Baixo Alen­tejo esteja na ‘cauda’ dos dados referentes à esperança de vida. Porque as pessoas são pobres e passam muitas dificuldades, as reformas não chegam para os medicamentos e, naturalmente, as pessoas vão deixando de se tratar. Consequentemente, algumas morrem precocemente por falta desses cuidados médicos”. 
Para além das dificuldades financeiras referidas, José Barriga aponta outras causas para estes indicadores negativos, como o “isolamento que a nossa região sofre, com muitas pessoas a viverem em zonas de difícil acesso e longe dos locais de cuidados de saúde. Fala-se muito de descentralização mas nós estamos, cada vez mais, isolados e sem ver investimentos na região. Não me estou a referir aos grandes investimentos nacionais como o Alqueva, que é obviamente importante para a nossa região, mas que não resolve o empobrecimento da sociedade”, considerando que “tem existido, por parte dos sucessivos governos deste país, um contínuo ‘deixa andar, a ver se eles não nos chateiam’, pouco preocupados com esta situação”. 
Orlando Pereira, doutorado em Sociologia pela Universidade de Évora e investigador no Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa, considera que a leitura dos dados apresentados pelo INE denota “uma assimetria litoral/interior”, relacionando os números referentes à mais baixa esperança de vida à nascença, no continente, com “uma população com fracos rendimentos, baixa escolaridade, idosa, excluída social e economicamente”. 
Outras variáveis têm de ser, de acordo com Orlando Pereira, integradas nesta análise sociológica, tais como a “inexistência de serviços, a dificuldade de mobilidade da população envelhecida, empobrecida, muitas vezes a residir sozinha, a fraca capacidade de respostas das instituições com responsabilidade nestes domínios, como, por exemplo, a escassez de centros de dia e lares, a fraca resposta dos serviços de saúde”. Tudo isto, mais “a péssima situação da rede de transportes e das acessibilidades que afastam as pessoas de necessidades fundamentais, cujos indicadores são sobretudo mais preocupantes no interior sul, evidenciando o abandono a que estas populações estão sujeitas”, conclui. 
Maria Filomena Mendes, atual presidente do conselho de administração do Hospital do Espírito Santo de Évora, ex-vice-reitora da Universidade de Évora, licenciada em Economia e doutorada em Sociologia, na especialidade de Demografia, considera que, para além dos números apresentados e dos números do Baixo Alentejo referente à esperança de vida, “é importante realçar que a esperança de vida no País e em todas as suas regiões é elevada, com valores próximos da média europeia. O aumento da esperança de vida encontra-se associado a uma melhoria das condições gerais de saúde. Nada nos indica que o acesso à saúde e a qualidade assistencial na região do Baixo Alentejo seja muito diferente da de outras regiões alentejanas ou de outras do interior do País. Será necessária uma análise mais aprofundada, relativamente às diferenças em termos de mortalidade por idade, sexo e causas de morte”.
Os dados apresentados agora pelo INE, relativos ao triénio 2014-2016, revelam também que “a esperança de vida aos 65 anos atingiu 19,31 anos para o total da população [portuguesa]. Os homens de 65 anos de idade poderão esperar viver, em média, mais 17,44 anos, e as mulheres mais 20,73 anos, o que representa ganhos de 1,42 anos e de 1,31 anos, respetivamente, nos últimos 10 anos”. Neste outro indicador de longevidade, o Baixo Alentejo e as regiões autónomas apresentam, novamente, os piores valores, abaixo do valor, da média nacional, de 19 anos. 
Sandra Lopes, docente na Escola Superior de Educação, do Instituto Politécnico de Beja, licenciada em Sociologia e mestre em Demografia Social, considera que na leitura destes dados “interessa perceber e verificar a qualidade de vida e a prestação de cuidados e acompanhamento dos nossos ‘mais idosos’, sendo que poderão existir diferenças contextuais/territoriais de maior isolamento e fatores estruturais como analfabetismo, envelhecimento, oferta de acesso a cuidados continuados de saúde continuados, etc., que podem explicar essas evidências”. 
Para contrariar estes valores, no sentido de aproximar o Baixo Alentejo à média nacional nos indicadores de esperança de vida, será necessário, de acordo com Sandra Lopes, “apostar em formatos de acompanhamento mais direcionados às populações no sentido da prevenção. Estamos perante, nos últimos anos, uma certa alteração dos padrões de causa de morte. Os tumores malignos são a segunda causa de morte no nosso país [a primeira está relacionada com doenças do aparelho circulatório] e isso talvez implique uma nova forma de encarar o problema da saúde pública, dado que nalguns casos os rastreios – cancro da mama, colón, etc. – podem contribuir para reduzir as mortes associadas a essas doenças e fazer a diferença ao nível do tratamento e da diminuição da morbidade. Tanto mais importante quanto os níveis de envelhecimento e o peso do analfabetismo estrutural sejam elevados, aspetos que caracterizam, como sabemos, a população residente no Baixo Alentejo”. 
Para que esta inversão seja uma realidade é, segundo José Barriga, “imperioso voltar a trazer para o hospital de Beja valências perdidas, não deixar acabar os serviços que, pouco a pouco, têm estado a ser centralizados em Évora. Qualquer dia será a vez da genecologia. Se esta situação não for revertida o hospital de Beja sofrerá um desprestígio e tornar-se-á pouco mais do que um hospital provinciano, concelhio”. E conclui: “Como é que querem desenvolver uma região, que tem inúmeras potencialidades, levando de cá os serviços hospitalares? Se o poder político não mudar a atitude que tem tido para com esta terra, seremos cada vez mais os últimos, na saúde, em tudo”.


Valores indicativos de longevidade no total do Alentejo 
e em cada uma das cinco sub-regiões 

De acordo com as tábuas de mortalidade, referentes ao triénio 2014-2016, divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística, os valores da esperança de vida à nascença neste triénio foram: para o total do Alentejo 80,04 anos; Alentejo Central 80,50 anos; Lezíria do Tejo 80,07 anos; Alentejo Litoral 79,75 anos; Alto Alentejo 79,53 anos; e Baixo Alentejo 78,62 anos. Para o mesmo período os valores da esperança de vida aos 65 anos foram: para o total do Alentejo 19,05 anos; Alentejo Central 19,77 anos; Lezíria do Tejo 19,32 anos; Alentejo Litoral 19,31 anos; Alto Alentejo 19,04 anos; e Baixo Alentejo 18,40 anos.

 
 
 
 
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