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Eleições de domingo deitam CDU por terra e alteram a cor do mapa autárquico
 
09-10-2017 9:58:34
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Partido Socialista “rouba” as câmaras de castro Verde, Beja, Moura e Barrancos à Coligação Democrática Unitária e obtém “vitória histórica” no distrito com mais de 50 por cento dos votos expressos. Socialistas obtêm maioria esmagadora dos assentos na Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo, nove contra quatro, e desconjuntam o que na região ainda poderia restar da “geringonça”.

Texto Paulo Barriga  Ilustração  Susa Monteiro

É necessário regressar a 1985, aos tempos da Aliança Povo Unido, para desencantar uma vitória eleitoral autárquica no distrito de Beja acima dos 50 por cento. No último domingo essa fasquia voltou a ser superada, mas agora pelo Partido Socialista que, com 50,44 por cento dos votos expressos, venceu as eleições em toda a linha: obteve 10 das 14 câmaras, retirou quatro municípios à Coligação Democrática Unitária, entre os quais a capital de distrito, Beja, entrou em força num bastião comunista até agora “imaculado”, castro Verde, e impôs uma maioria esmagadora de nove para quatro na Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo. Cá por estas bandas, a “geringonça” desconjuntou-se. Por completo.
António Costa bem tentou desempenhar o papel do elefante que se passeia pela loja das porcelanas como se de uma bailarina em pontas de tratasse. Com cuidados extremos para não arranhar sequer a asa da frágil xícara de onde se serve a atual coligação parlamentar à esquerda, o secretário-geral do PS foi sempre seco e comedido nos raides que fez ao Baixo Alentejo. Durante o almoço com apoiantes que decorreu em Beja durante a campanha eleitoral não faltaram, inclusivamente, vozes vindas do âmago do partido que o acusaram de estar mais interessado em fazer aprovar o Orçamento do Estado para 2018 e em manter o presente status quo na Assembleia da República, do que em apoiar os candidatos locais.
Tinham razão, os críticos de António Costa, mas uma coisa é a geringonça propriamente dita e outra, muito diferente, são os “efeitos secundários” que a geringonça gera. E se ela, a geringonça, continua a ir andando graças aos remendos que o primeiro-ministro permite ao PCP e ao BE fazerem aqui e ali, já os efeitos desta governação, que está, do ponto de vista ideológico, marcada precisamente por essa inflexão imposta pelos partidos mais à esquerda, estão a propiciar um clima social auspicioso que extravasa em muito a ação e o discurso dos próprios líderes partidários. O que se refletiu nas urnas, de sobremaneira.
Ou seja, a obra excedeu o criador. E por isso mesmo o Partido Socialista alcança no todo nacional a sua maior vitória de sempre numas eleições, as Autárquicas, que em termos históricos costumam servir para penalizar os partidos que se encontram no governo. E este efeito de euforia acabou também por “contaminar” e por entrar pelo distrito de Beja adentro, provocando uma verdadeira hecatombe junto do universo eleitoral da CDU. Não deixa de ser curioso, trágico e irónico ao mesmo tempo, que a principal força política que está a contribuir com avanços para a “qualidade política” do Governo socialista venha a sucumbir precisamente perante os “efeitos positivos” que essas mesmas políticas estão, para já, a gerar junto das pessoas.
É evidente que nem só de fatores externos se fez a retumbante vitória do PS no distrito de Beja. A noite eleitoral tem um vencedor claro e ele chama-se Pedro do Carmo. O presidente da Federação do Baixo Alentejo do Partido Socialista, que há coisa de dois anos interrompeu o seu mandato como presidente da Câmara de Ourique para se fazer eleger deputado da República pelo PS, obteve a maior votação de sempre na região, com quase 40 mil votos, o que corresponde a 50,44 por cento dos boletins validados. Um feito singular.
Mesmo quando em 2001 o Partido Socialista se impôs pela primeira vez a nível distrital, o desequilíbrio das forças não se fez notar com tamanha veemência, uma vez que o PSD marcava presença na liderança das câmaras de Almodôvar e de Ourique. Hoje, o Partido Social Democrata detém uma expressão residual no distrito e a tradicional bipolaridade entre o PS e a CDU nas relações intermunicipais foi perfeitamente arrasada com a conquitas pelos socialistas de 10 das 14 câmaras.
Mas se a noite eleitoral sorriu de feição ao PS e ao seu líder regional, o mesmo não se poderá dizer da CDU que sofre aqui a sua mais pesada derrota desde que há eleições livres para as autarquias locais. A Direção da Organização Regional de Beja do Partido Comunista Português, liderada por Miguel Madeira, não só deixou escapar a capital, como também a segunda cidade do distrito, Moura, ao mesmo tempo que perdeu para o PS uma câmara que até aqui vinha consecutivamente a ser liderada pelo PCP, castro Verde.
Todas as derrotas têm um peso específico. Mas a perda de uma câmara como a de Beja, para mais no decurso de uma “batalha” em suposto tempo de tréguas, é algo difícil de aceitar. Há muito mérito do candidato Paulo Arsénio na obtenção deste resultado, tanto assim que houve momentos do percurso eleitoral em que parecia que navegava sozinho, à deriva, em rota de naufrágio. E talvez tenha sido esse ato de humildade, de prosseguir com uma certa dose de obstinação um trajeto aparentemente impossível, que lhe valeu esta expressiva vitória que se estabeleceu muito à custa do voto urbano. Em comparação com 2013, em que a CDU retirou a câmara ao PS por escassos 300 votos, em 2017 o PS retoma Beja com uma diferença de mais de 1 400. E, feitas as contas, a migração não é conseguida à conta de fatores externos, é mesmo no confronto direto entre candidaturas.
Situação análoga aconteceu em Moura onde a CDU voltou a insistir em José Maria Pós-             -de-Mina, candidato que já em 2013, então em concurso para a Assembleia Municipal da segunda cidade do Baixo Alentejo, tinha perdido para o PS. Mas se a vitória da CDU de há quatro anos, para a câmara municipal, tinha sido por uma unha negra, 22 votos, o resultado da presente eleição foi convincente para o lado do PS, como poucas vezes o tem sido nas disputas eleitorais em Moura: mais de seis centenas de votos deram a vitória a Álvaro Azedo.
Bem ali perto, em Barrancos, a apresentação a eleição de Dalila Guerra, pela coligação CDS-PP/                                                            /PSD, mexeu profundamente nas peças do tabuleiro e fez transitar diretamente da CDU para o PS mais uma antiga câmara comunista. Aliás, este foi o único concelho onde o PSD, com lista própria ou em coligação, teve alguma influência, ainda que indireta. O partido de Passos Coelho elege apenas dois vereadores em todo o distrito, em Ourique e em Almodôvar, mas apenas para fechar executivos de maioria absoluta do PS. Num processo autofágico, desbaratou uma vitória que, à partida, parecia certa em Almodôvar, não aproveitou a transição de candidatos socialistas em Ourique e saiu da câmara de Alvito, que também já havia sido sua. Para além da CDU, o PSD de João Guerreiro é um dos grandes derrotados da noite eleitoral.
Já uma das vitórias mais empolgantes e inesperadas terá sido a do PS em castro Verde. António José Brito retirou aos comunistas uma presidência que lhes pertenceu desde os primórdios do poder local democrático. Uma vitória que, apesar de o candidato ser natural de Entradas, se alicerçou essencialmente no bom resultado que o PS conseguiu recolher na União de Freguesias de castro Verde e Casével.
Outro dos pontos de interesse desta eleição residia em Vidigueira. Tudo indicava que a penosa passagem de testemunho do anterior presidente Manuel Narra poderia colocar em risco a continuação da CDU à frente dos destinos daquela vila. No entanto, a lista de independentes resultante da cisão obteve apenas um mandato e os votos no PS não foram suficientes para bater o candidato comunista Rui Raposo. Era também aguardado com especial interesse o regresso de Pita Ameixa às disputas Autárquicas em Ferreira do Alentejo. O antigo deputado do PS voltou não apenas para ganhar a câmara, como também para obter a mais expressiva vitória em todo o distrito de Beja: 67,96 por cento dos votos em urna.
Quanto aos demais partidos a concurso, é difícil estabelecer uma evolução precisa das votações de 2013 para 2017, devido às coligações com o PSD, no que respeita ao CDS-PP, e em função do apoio que o Bloco de Esquerda costuma dar às candidaturas cívicas. Assim mesmo, é possível assinalar uma grande proximidade entre as votações gerais dos dois partidos de direita nos casos em que se apresentaram de forma isolada. No entanto, no concelho de Beja, onde o líder centrista se apresentou, o CDS-PP acabou por ser a força menos votada. Já o BE continua a demonstrar grande dificuldade em se impor nas zonas rurais, tendo conseguido pouco mais de 1 500 votos em todo o distrito e tendo protagonizado um dos mais curiosos factos da noite, uma vez que o seu líder, Alberto Matos, perdeu em Serpa para a candidatura isolada do PCTP-MRPP. 
Numa eleição negra para a CDU e histórica para o PS, as câmaras municipais ficam assim distribuídas: Odemira, Ourique, Almodôvar, castro Verde, Aljustrel, Ferreira do Alentejo, Mértola, Beja, Moura e Barrancos vão ser presididas por executivos do Partido Socialista. E Cuba, Alvito, Vidigueira e Serpa por listas da Coligação Democrática Unitária. O que leva a crer que Marcelo Rebelo de Sousa tinha razão quando vaticinava que depois do dia 1 de outubro o País iria entrar na era política pós-geringonça. 




 
 
 
 
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