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Beja com menos crianças em acolhimento
 
11-08-2017 15:40:56
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O Relatório Casa 2016 é uma caraterização anual da situação dos acolhimentos das crianças e jovens, emanado pela Segurança Social, no nosso país. O relatório referente ao ano de 2016 foi agora disponibilizado e dá conta de uma redução do número de crianças e jovens institucionalizados, apontado Beja como um dos distritos com menor número de crianças e jovens acolhidos. Quisemos saber como é esta realidade, como vivem todos os dias estas crianças, que, em tão tenra idade, já carregam o peso da vida porque simplesmente se viram privados de uma pequena-grande coisa: a família. Na Buganvília, em Beja, uma das valências do Centro Infantil Coronel Sousa Tavares, as técnicas conhecem os nomes de todos. Dos que ainda estão e dos que já deixaram a instituição. E não conhecem só os nomes, conhecem as histórias de vida, os dramas, mas também as pequenas vitórias que se transformam em alegria.

Texto Natacha Lemos
O bolo da noiva. Foi por este nome que casa onde hoje funciona o Centro de Acolhimento Temporário (CAT) A Buganvília, em Beja, já foi conhecida. Segundo alguns relatos, a casa terá sido propriedade de uma senhora abastada da cidade, que nunca casou, nem teve filhos. Conta-se que a senhora se perdeu de amores por um homem, casado e pai de família, à época, um amor proibido. A casa terá sido desenhada pela dita senhora, como que uma forma de compensar esse desgosto. Em todas as divisões ainda hoje, mesmo depois de várias ocupações distintas e de diversas obras, sentimos que de uma casa se trata.
Por ironia, quis o destino que, depois de anos ocupada apenas por uma pessoa, hoje sejam quase três dezenas as crianças que a habitam, que alegram os seis quartos e ainda um berçário. A Buganvília tem como missão prestar atendimento urgente e transitório às crianças até aos 12 anos, em situação de perigo decorrente de maus tratos, abandono, negligência ou outros. Sob a direção técnica de Elisa Cano Brito, ficamos a saber que, de facto, desde 2014 se sente uma pequena diminuição no número de novos acolhimentos, mas esta tendência parece estar a inverter-se neste ano, uma vez que, só em 2017, já receberam nove crianças.
Rosário Martins, assistente social, está na Buganvília deste o início. Conta que em 2006 acolheram 24 novas crianças, de um total de 42 a residir na casa. Esse número refere-se à maior taxa de ocupação do Centro de Acolhimento Temporário desde o seu início. Outros anos houve, como 2013, em que os registos apontam para as 40 crianças, mas desde 2014 o número de novos acolhimentos saiu dos dois dígitos e ronda agora os sete por ano.
O Relatório Casa 2016 é uma caraterização anual da situação dos acolhimentos das crianças e jovens, emanado pela Segurança Social. O relatório referente ao ano de 2016 foi agora disponibilizado e dá conta de uma redução do número de crianças e jovens institucionalizados desde 2008. Beja é considerado um dos distritos com o menor número de crianças e jovens acolhidas (168). Contudo, é um dos distritos que mais acolhe crianças e jovens provenientes de outros distritos diferentes do de residência do respetivo agregado familiar (81). A realidade em Beja também tem sofrido alterações, acompanhando os estilos de vida da sociedade. Se há uns anos a maioria das crianças institucionalizadas provinha de famílias com mães ligadas à prostituição ou à toxicodependência, hoje a realidade é completamente diferente, e os motivos passam maioritariamente pelas fragilidades e incapacidades das famílias, sejam económicas, sejam psíquicas.

Motivos dos acolhimentos De acordo com os dados que nos foram facultados, no caso da Buganvília, a grande maioria das crianças que entra em acolhimento tem menos de três anos e quando são retiradas às famílias correm riscos relativos à sua integridade, mas de uma forma mais inconsciente. “Aqui chegam-nos as novas situações. São crianças mais pequenas e os casos referem-se normalmente a um primeiro acolhimento”, diz Rosário Martins.
A maioria é institucionalizada devido a problemas psíquicos da progenitora. Só em 2016 este problema levou a que seis crianças passassem a viver neste CAT. Outros dos motivos na origem destes casos são a negligência, a violência doméstica, as dificuldades económicas e habitacionais e, mais recentemente, os problemas de saúde crónicos da própria criança. Em 2016 foram acolhidas quatro crianças com doenças do foro metabólico. Elisa Cano Brito diz que esta tendência começa a destacar-se. “Temos vindo a notar que neste momento estamos a acolher muitas crianças cujas famílias não conseguem dar resposta a necessidades ao nível de saúde, que antes não tínhamos. As famílias têm muita dificuldade em dar resposta porque são doenças muito exigentes ao nível da alimentação e dos cuidados”.
Outra questão que estas técnicas apontam é o facto de alguns dos pais destas crianças também já terem estado institucionalizados. “De há dois, três anos para cá, temos vindo a notar que já apanhámos estes pais ou irmãos destes pais e agora estamos a apanhar alguns dos filhos. São pais que muitas das vezes já trazem estas fragilidades desde a sua infância”.
Neste momento vivem na casa 18 rapazes e seis raparigas, uma tendência apontada ao nível nacional pelo próprio relatório mas contrária ao que têm sido os dados estatísticos.
Nem tudo é negro neste cenário e há crianças que acabam por regressar à família de origem, seja a família nuclear ou alargada. Outras acabam por entrar em processos de adoção e só uma minoria acaba por passar para outro tipo de respostas sociais, visto que aqui só podem permanecer até aos 12 anos.
Em relação ao número de vagas disponíveis no distrito, por instituição, bem como o número de novos acolhimentos referentes a 2016, com indicadores por idade e sexo no distrito, não nos foi possível obter dados junto do Centro Distrital da Segurança Social de Beja até ao fecho desta edição.

Antecedentes familiares

A associação Semente de Vida é um das entidades que trabalha com as famílias carenciadas. Têm duas equipas, uma ligada ao rendimento social de inserção, com um protocolo com a Segurança Social, onde são trabalhadas a falta de competências das famílias, e uma outra equipa de Cafap (Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental) que trabalha exatamente na preservação da criança no seio familiar. Apoiam cerca de 160 famílias. Neste último caso, diz Fátima Estanque, responsável técnica e presidente da direção, “trabalhamos a família, nas suas competências pessoais, sociais e parentais, para evitar que, numa situação de risco social, seja ela atribuída à criança ou a uma negligência familiar, a criança seja institucionalizada”. A institucionalização é sempre a última opção, mas este trabalho é muitas vezes dificultado, não só pela falta de competências familiares, mas também devido à falta de condições económicas, que muitas vezes acaba por nem permitir que a família tenha uma habitação com as mínimas condições. Nas Semente de Vidas trabalha-se diretamente com a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Beja, e, apesar das tentativas, muitas vezes as crianças acabam por ser retiradas à família e alojadas numa das respostas disponíveis. Fátima Estaque salienta que estes dados agora apresentados vão no sentido contrário à sua experiência, isto porque se deparam constantemente com falta de vagas em instituições de acolhimento. Por outro lado, esta responsável salienta que as novas orientações seguidas pelo Ministério Público vão no sentido de evitar a retirada dos menores à família, procurando inclusivamente respostas na família alargada ou com pessoas idóneas que se disponibilizem para recolher a criança. A associação também corrobora a experiência das técnicas da Buganvília e que passa pelo facto de muitas vezes haver “replicação de comportamentos, sendo que a falta de competências, quando não é trabalhada a montante, reverte-se a jusante”, ou seja, quando já houve problemas nas famílias dos pais, muitas vezes acabam por se repetir nos filhos. “Não houve modelos onde se pudessem suportar para agora, quando são eles pais, saberem os cuidados básicos a dar a uma criança”, diz. Há casos de sucesso. Quando ajudadas, há famílias que conseguem recuperar, mas “há sempre as outras, onde os problemas já estão muito enraizados”, lamenta.

 
 
 
 
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