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Fazem-se consultas de tarot
 
17-07-2017 12:06:40
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Rui Cambraia Fotógrafo


É hoje impossível redigir uma ordem descritiva daquilo que se passa no universo da fotografia. O gesto fotográfico confunde-se, fundiu-se com o quotidiano, e as imagens fotográficas encarrilharam no rol de banalidades que nos entram pelos olhos todos os dias, a toda a hora. As redes sociais afirmaram-se como álbuns de imagens fotográficas, mais ou menos genuínas. Os gadgets cumprem a parte técnica, nada intuitiva e que o cidadão comum se escusa de estudar. No entanto, desprovido de erudição e dessacralizado (sem qualquer ritualização), a generalidade do ato fotográfico não se distingue daquele outro que telefona ou envia mensagens de texto, nem mesmo da utilização de um frigorífico.
Este fenómeno teve um fortíssimo impacto no mercado da fotografia, gerando lucros incomensuráveis aos principais construtores de câmaras fotográficas e de smartphones, e remetendo para vias de extinção, acelerada, o pequeno comércio da reportagem social e da revelação de fotografias. Igualmente considerável é o impacto a nível cultural, onde a inexistência de padrões qualitativos e referenciais gera uma certa anarquia em torno do valor das imagens que se produzem, da necessidade de as disseminar de forma viral, e do próprio conceito de belo.
É evidente que a democratização absoluta de uma forma de expressão criativa não pode ser condenada por ninguém, mas a sociedade tem este condão de conseguir transformar seja o que for num poluente, e a fotografia não escapou à incubação da componente infeciosa do Humano.
Neste cenário, os artistas e outros fotógrafos profissionais refugiam-se nos extremos opostos onde as massas não se darão ao trabalho de ir: no regresso à fotografia analógica ou nas técnicas avançadas de processamento digital.
Com o advento digital a fotografia já havia perdido a sua credibilidade enquanto testemunho e representação fiel da realidade. Agora, a rendição dos profissionais às infinitas possibilidades criativas da edição digital avançada vem esbater catastroficamente (pedagógica e culturalmente) os limites entre a fotografia e a arte-digital.
Nunca no mundo as coisas serão todas o mesmo. Ser o mesmo é a morte da natureza e do amor – e daí à morte da arte. Só o humano tende a tudo misturar e a tratar coisas distintas como iguais: esta é a essência da disfunção infeciosa do Humano. Paradoxal, porquanto vivemos numa era tecnológica e científica que tudo separa. Distinguir, contudo, não significa separar, pelo contrário, significa relacionar entre si – sendo que nada no universo está realmente separado, estabelecer relações diversas entre coisas distintas é a definição primeira de “inteligência”, e a única forma possível para compreender e conhecer (desconstruir) aquilo que nos rodeia. A fotografia é, por excelência, a arte da desconstrução do visível.
Tudo isto porque passando à porta da loja de fotografia li num anúncio da casa: fazem-se consultas de tarot.
 
 
 
 
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