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Classe médica à beira de um ataque de nervos
 
07-07-2017 10:45:36
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Burnout. Queimado, se traduzido à letra. Exausto, se associado à saúde. Burnout é uma síndrome, e não uma doença, que foi descrita em 1974 por um psicólogo alemão, radicado nos Estados Unidos, de nome Herbert Freudenberger, que ligava a fadiga ao modo de vida. Quarenta e dois anos depois foi apresentado um estudo, sob a chancela da Ordem dos Médicos, realizado pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, sobre precisamente a síndrome de Burnout entre a classe médica. Falamos de uma condição que, além de estar a afetar um grande parte desta classe profissional, está já a ter reflexos na vida de muitos portugueses, cujo ritmo de vida acaba por se tornar insuportável.


Texto Natacha Lemos Foto José Ferrolho

Tecnicamente falamos de exaustão profissional, que se inicia por um esgotamento emocional, físico e psíquico. Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa, mas o cansaço extremo é um elo comum, mas a irritabilidade, a ansiedade, o desencorajamento, a perda de concentração e produção são dos sintomas mais referidos. Fisicamente, as perturbações gastrointestinais, estão no topo da lista.
De acordo com a psiquiatra Ana Matos Pires, diretora do serviço de Psiquiatria do Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja, falamos de um conjunto de sinais e sintomas que “não configuram propriamente uma doença e podem acontecer no contexto de várias doenças”. Muitas vezes a síndrome de Burnout é isso mesmo, um conjunto de sinais e sintomas físicos e psiquiátricos, que surgem muitas vezes associados a desencadeantes profissionais”. Está estudado em classes profissionais específicas, nomeadamente entre os profissionais de educação e de saúde, e tem na sua origem esta “noção de rutura por híper cansaço”. Como já foi dito, os sintomas podem ser físicos e psiquiátricos, e há casos em que o doente tem mesmo de ser medicado e acompanhado, em especial quando o quadro clínico já se encontra associado à depressão. O abuso de álcool ou drogas acaba por estar ligado a esta síndrome, numa tentativa de o doente conseguir controlar a sua ansiedade.
“Tem muito a ver com o nosso estilo de vida e é muito mais comum na urbanidade do que na ruralidade, e não é por acaso que começou a ser falada em profissões como a saúde e a educação. É o desgaste acumulado neste tipo de profissões mais exigentes, o que não quer dizer que não possa surgir noutros contextos”, diz a psiquiatra.
Na grande maioria das vezes são usadas estratégias para minorar o problema, estratégias comportamentais de proteção que estão ligadas a alterações do estilo de vida. Estes casos, comenta a médica Ana Matos Pires, “devem ser complementados por uma abordagem psicoterapêutica ou psicopedagógica, no sentido de alteração do comportamento”.


Sessenta por cento dos médicos estão exaustos
De acordo com o estudo recentemente divulgado pela Ordem dos Médicos, trata-se de uma “reação disfuncional ao stresse profissional cumulativo e prolongado”. É uma síndrome que se caracteriza por três fatores: exaustão emocional, despersonalização e diminuição da realização profissional e que pode levar à ansiedade, depressão, somatização e perceção de menor saúde física.
Foram validadas as respostas de 9 176 clínicos, de todo o País, e a primeira grande conclusão é que mais de metade dos inquiridos (66 por cento dos médicos) encontra-se num nível elevado de exaustão emocional, aproximadamente 39 por cento apresenta um nível elevado de despersonalização e cerca de 30 por cento reporta uma elevada diminuição da sua realização profissional. São os médicos mais jovens quem reporta “níveis mais elevados em todos os indicadores” e são as “mulheres que apresentam maiores níveis de exaustão emocional, enquanto que os homens apresentam maiores níveis de despersonalização”.
Se, por um lado, a existência de parcos recursos e de elevadas exigências associadas à própria profissão, nomeadamente aos horários de trabalho, à relação com o doente e com a doença, à ideia de que há menor controlo pessoal sobre a vida e a existência de menos cuidados pessoais são alguns dos motivos apontados pelo estudo que levam à exaustão emocional e a despersonalização, por outro, “são os fatores de natureza organizacional que estão associados de forma mais consistente a este fenómeno”.
Em Beja, o serviço de Psiquiatria e Saúde Mental do hospital está a promover, desde o final de maio, um grupo de promoção da saúde mental, destinada aos colaboradores da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (Ulsba). É uma das valências da consulta de Psiquiatria do Trabalho, conduzida pelo psiquiatra Pedro Moura, e tem como objetivo “contribuir para a redução do stresse ocupacional e melhoria da resiliência individual, contribuindo assim para a melhoria da performance do capital humano da instituição”.

Beja, na linha da frente

O psiquiatra Pedro Moura, do serviço de Psiquiatria e Saúde Mental do hospital de Beja, está a realizar um estudo sobre as problemáticas associadas ao contexto de trabalho, cujas conclusões irá apresentar em outubro próximo, no Congresso Mundial de Psiquiatria, a realizar em Berlim. Será um dos cinco oradores a participar no único simpósio sobre Psiquiatria e Trabalho, onde serão debatidas estas questões, entre pares de todo o mundo.
Para já, sob o título “Riscos psicossociais nos profissionais da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo”, foi feita a recolha de dados junto dos trabalhadores da Ulsba, faltando agora a sua análise e conclusões. Tendo em conta que, para a “Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA), o stresse relacionado com o trabalho (termo que é usado em alternativa a fatores de risco psicossociais) é um dos maiores desafios para a saúde e a segurança na Europa” e que, “quase um em cada quatro trabalhadores é afetado pelo stresse, havendo estudos que o apontam como responsável por entre 50 a 60 por cento dos dias de trabalho perdidos”, pretende-se com este estudo “avaliar o risco real incorrido por estes profissionais no âmbito da sua atividade profissional nesta instituição”. O objetivo é que os dados obtidos permitam, por exemplo, “desenhar protocolos de vigilância médica com um maior grau de especificidade, contribuindo assim para a melhoria da sua saúde e performance profissional”. No questionário, para além das questões básicas, como género, idade, categoria profissional, serviço, horário de trabalho ou número de filhos, foram ainda incluídas questões que estão ligadas com o bem-estar no local de trabalho, com a exigência que se sente com a sua função, a relação com os colegas, a existência de conflitos, horários de trabalho e relação com a família, entre outras.



 
 
 
 
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