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O Alentejo tem mais um património na Unesco e este junta a cultura à natureza
 
14-06-2017 17:12:27
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Texto Paulo Barriga

14 de junho. Batiam escrupulosamente as 11 horas da manhã em Paris (10 em Portugal) quando o presidente do Conselho Internacional de Coordenação do Programa MaB (Man & the Biosphere) deu por “aprovada” a candidatura do território de castro Verde a Reserva da Biosfera da Unesco. Desta vez não houve cantoria nem chocalhada pela inclusão de mais um “bem” do Alentejo nas listas patrimoniais da humanidade. Mas não deixou de ser “igualmente emocionante constatar”, segundo Francisco Duarte, presidente da autarquia castrense, que esta candidatura “vai também contribuir para a construção de um planeta mais sustentável, porque mais justo e equilibrado”.

E foi precisamente essa mensagem universal de “boa convivência” entre as atividades humanas e o meio ambiente que, no instante imediatamente seguinte à declaração de aprovação de castro Verde na rede de reservas da biosfera da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), que foi mandada transmitir a todos os alunos das escolas do concelho de castro Verde. Isto porque, referiu Francisco Duarte no discurso formal de agradecimento, “vivemos e trabalhamos num território humanizado, de forte identidade e dinâmica cultural, mas que mantivemos ambientalmente equilibrado e de alto valor natural”.

Um “hotspot da biodiversidade” como lhe chamou o autarca e que, para o comité de cientistas que analisa previamente estas propostas nacionais, é merecedor de integrar a lista de reservas da biosfera, uma vez que se trata de “uma das mais representativas estepes de cereais da Península Ibérica e até de toda a Europa” mas que, ao mesmo tempo, acaba por ser um dos “mais ameaçados territórios rurais da região mediterrânica”.

O comité consultivo do MaB relevou ainda na candidatura conjunta do município de castro Verde, Liga para a Proteção da Natureza e Associação de Agricultores do Campo Branco o facto de as atividades agrícolas ancestrais desenvolvidas na região do chamado Campo Branco, nomeadamente o trigo de sequeiro em regime extensivo, serem compatíveis com “espécies endémicas raras” e ameaçadas, como é o caso da Linaria ricardoi. A apreciação à candidatura realça ainda as mais de 200 espécies de aves que se reproduzem e habitam na zona de castro Verde, nomeadamente as aves próprias das zonas esteparias, como a abetarda, ou “outras espécies endémicas onde se inclui a emblemática águia imperial ibérica, uma das aves de presa europeias que mais risco de extinção corre e uma das mais raras em todo o mundo”.

Apesar da aprovação de castro Verde a reserva da biosfera, a relatora do Programa MaB não deixou de “encorajar” as três entidades envolvidas nesta candidatura a colocarem em prática o “plano de ação” constante no processo e a criação de uma sólida “estrutura de gestão”. Uma advertência que Francisco Duarte considera “desnecessária”, uma vez que “ambas estão salvaguardadas e integram a própria candidatura”. É que, referiu o presidente da Câmara de castro Verde, “temos orgulho no caminho que temos vindo a percorrer há mais de 20 anos e que agora é reconhecido”. Embora o autarca refira que “não paramos hoje aqui. Vamos continuar a trabalhar para uma terra melhor. Já a partir de amanhã, com mais vontade e determinação do que ontem”.

Cegonhas e abetardas
Dantes, as boas novas chegavam vindas de Paris, no bico de uma cegonha. Hoje foi a passarada das planícies de castro Verde que levou a boa notícia até à capital francesa, à sede da Unesco. Uma inversão de sentidos que não deixou indiferente Rita Alcazar, responsável pelo projeto desenvolvido pela Liga para a Proteção da Natureza em Vale Gonçalinho, castro Verde: “Há quase três décadas que em castro Verde se promove um trabalho de integração equilibrada entre o homem e a natureza, compatibilizando atividades económicas como a agricultura, a pecuária, o turismo e a mineração com a conservação de espécie ameaçadas a nível mundial, como é o caso da abetarda”.

Membro ativo da comissão técnica que elaborou a candidatura, Rita Alcazar, no momento de inclusão de castro Verde na lista das reservas da biosfera, não deixou de sublinhar “a participação e o diálogo constantes” entre as diferentes entidades que agem no território de castro Verde e que, segundo esta cientista, “têm permitido um desenvolvimento socioeconómico aliado à preservação do património natural”. No entanto, prossegue Rita Alcazar, esta aprovação “reconhece o mérito e a excelência do trabalho desenvolvido por todos os castrenses, sendo por isso motivo de enorme satisfação. Mas esta classificação representa também uma responsabilidade acrescida, pois o novo desafio será o de conseguirmos fazer ainda melhor no futuro”.

Embora todos reconheçam que não é fácil e que é até muito pouco usual juntar num mesmo projeto de conservação agricultores, ambientalistas e políticos, José da Luz, presidente da Associação de Agricultores do Campo Branco, “alinha” pela mesma tónica de Rita Alcazar quando, depois da aprovação da candidatura do Campo Branco, referiu que “a satisfação é de nós todos, em conjunto”, mas que, “a partir de agora, seremos cada vez mais responsáveis na defesa deste património que temos à nossa guarda”.

O homem no centro da natureza José da Luz, tal como os restantes elementos da comitiva portuguesa a esta 29.ª sessão do Conselho de Coordenação Internacional do Programa MaB, era o rosto da satisfação com o desfecho deste “processo”. Acredita o agricultor que “a sua base de sustentação era tão evidente e meritória que a sua aprovação foi um facto e, naturalmente, um grande orgulho para todos aqueles que nela trabalharam e para todos aqueles que, com a sua ação através dos tempos, contribuíram para essa realidade e que são os agricultores e os habitantes do nosso mundo rural”.

Com efeito, a candidatura de castro Verde veio mostrar à Unesco que há um sítio no fundo de Portugal onde o sol aperta mais e os solos são mais fracos, onde o homem tenta sobreviver, salvaguardando o meio físico, cultural e social que o rodeia. Francisco Duarte acredita que este relacionamento “é valioso e diferenciador”. Acrescenta o edil de castro Verde que “qualquer processo de defesa ambiental ou natural é possível tendo no epicentro das suas preocupações e da sua intervenção a relação do homem com a natureza de forma realista e objetiva”. E ainda que “é possível proteger, valorizar  e desenvolver um território com todas as suas componentes naturais num diálogo permanente com quem lá vive e precisa de viver com  dignidade”.

De salientar que a inscrição de castro Verde na lista de bens que são reservas da biosfera da Unesco, a 11.ª no que toca a Portugal e a primeira integralmente a sul do rio Tejo, provém de um trabalho iniciado há perto de três décadas com a candidatura da Associação de Agricultores do Campo Branco a um programa agroambiental, então inédito, denominado Plano Zonal de castro Verde. A criação do projeto de conservação do Vale Gonçalinho encetado pela LPN e a “valorização integral do território” desenvolvido pela câmara foram os demais temperos desta “receita de sucesso”, segundo Francisco Duarte.

A delegação portuguesa à 29.ª sessão do MaB foi formalmente presidida pela presidente do Comité Nacional deste programa, Anabela Trindade, e pelos presidentes do município de castro Verde, Associação de Agricultores do Campo Branco e Liga para a Proteção da Natureza, respetivamente Francisco Duarte, José da Luz e Tito Rosa. Estiveram ainda na sessão os restantes membros da comissão técnica de candidatura: Paulo Nascimento e Carlos Pedro (CM castro Verde), Ana Nobre e Ana Lampreia (AACB) e Rita Alcazar e Sónia Fragoso (LPN).

GOVERNO REAGE COM “REGOZIJO  E CONTENTAMENTO”

A secretária de Estado do Ordenamento do Território e Conservação da Natureza reagiu com “grande regozijo e contentamento” à classificação de castro Verde como Reserva da Biosfera, elevando para 11 as áreas com esta marca em Portugal.

Célia Ramos considera que a decisão da Unesco “vem reforçar a expressão das reservas da biosfera portuguesas, que de 10 passam a 11, e também da participação de Portugal no programa Mab [Man and the Biosphere, Homem e Biosfera, em português]” da entidade internacional.

A governante felicitou o município de castro Verde, a Liga para a Proteção da Natureza (LPN) e a Associação de Agricultores de Campo Branco, subscritores da candidatura, e realçou tratar-se de “mais um reconhecimento internacional, desta vez com o timbre da Unesco, dos valores naturais e culturais” do País.
 
 
 
 
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