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Livro raro exposto em Beja
 
19-05-2017 9:42:24
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Está patente ao público até ao próximo dia 27 a primeira exposição sobre os livros antigos da cidade de Beja, na Biblioteca Municipal José Saramago, em Beja. Em exposição estão exemplares que remontam ao século XVI, dos quais se destaca um livro de título Prosódia de Bento Pereira, o primeiro dicionário latim-português editado em Portugal, de que apenas se encontram identificados oito exemplares em todo o mundo. Este é apenas um dos mais de 2 500 livros que compõem o espólio desta biblioteca e cujo valor é ainda desconhecido.

Texto Natacha Lemos Foto José Ferrolho

Em 2014, todas as bibliotecas do Alentejo foram convidadas pelo Cidehus (Centro Interdisciplinar de História, Cultura e Sociedades) da Universidade de Évora a fazer parte de um projeto intitulado Rede de Coleções Patrimoniais das Bibliotecas do Alentejo. Basicamente o que o projeto pretendia era que fossem feitos levantamentos, em todas as bibliotecas do Alto e do Baixo Alentejo, do património em livros antigos, para que as obras fossem identificadas e incluídas numa base de dados.
A Biblioteca Municipal de José Saramago, em Beja, aderiu e, depois de um trabalho de conferência do inventário pré-existente, tem patente ao público uma exposição de alguns destes livros, intitulada “O livro antigo da cidade de Beja”. O espólio da biblioteca é vasto, incluindo livros clássicos e raros. Contudo, o seu valor é ainda desconhecido, pois nunca foi estudado por especialistas. Espera-se que esta exposição desperte o interesse de especialistas que possam classificar este conjunto de obras.

Livro raro descoberto por acaso Existem 2 633 exemplares no Fundo Documental do Livro Antigo da Biblioteca, dos quais a grande maioria remonta ao século XVIII, apesar de aí estar representada literatura dos séculos XVI ao XIX. O livro mais antigo data de 1523, e não se sabe muito bem do que se trata, uma vez que está escrito em latim. O inventário refere-se a “Gelli” (Avli) e, de acordo com Paula Santos, bibliotecária municipal, não existem técnicos com conhecimentos para explorar este exemplar.
Para já sabe-se que existem três exemplares de um livro bastante raro na Biblioteca de Beja. Falamos de Prosódia de Bento Pereira (o primeiro dicionário latim-português editado em Portugal), de que apenas se encontram identificados oito exemplares em todo o mundo.
Este é um dos livros em exposição, cuja importância foi descoberta por mero acaso. A história começa com Paula Santos a assistiu a uma conferência em Portalegre, onde a oradora falava de uma investigação que tinha levado a cabo sobre este livro. O trabalho de investigação despertou a curiosidade da bibliotecária e assim que pode, quis saber se em Beja, por mero acaso, existiria algum exemplar. E descobriu, não um, mas três.
Um destes livros, conta Paula Santos, “não tem inclusivamente folha de rosto, uma das caraterísticas que foi observada pela investigadora durante a conferência, uma vez que foi um livro que esteve proibido por Marquês de Pombal e os seus proprietários arrancavam esta folha, para que o livro não fosse identificado”. Os outros dois têm inclusivamente marcas de posse, ou seja, referências a quem pertencia.

A Casa dos Livros de frei Manuel do Cenáculo A cidade de Beja tem vindo a ter, desde o século XVIII, espaços onde os livros eram reis. Uma das primeiras bibliotecas semipúblicas deverá ter sido fundada por frei Manuel do Cenáculo. Falamos da Casa dos Livros, criada provavelmente em 1793, em Beja, e terá existido no Paço Episcopal (atuais instalações da GNR de Beja).
Paula Santos refere que a grande maioria do espólio desta Casa dos Livros reside atualmente da Biblioteca Nacional, depois de ter sido feita uma doação, mas parte desse espólio pode ter ficado em Beja e ter acabado na atual biblioteca. Muitos destes livros agora em exposição podem ter passado pela mão desse religioso, que teve um papel fundamental na criação da primeira biblioteca da cidade de Beja, onde conseguiu juntar livros oriundos de diversas ordens religiosas, que entretanto se foram extinguindo.
Em 1874 sabe-se que foi fundada uma outra biblioteca na cidade, que, de acordo com Paula Santos, já se inseria no conjunto de bibliotecas de leitura pública, um grande avanço para a época.
Além destes livros, vindos da Casa dos Livros, há outros que parecem ter vindo de bibliotecas particulares. Alguns têm referências à Liga dos Amigos das Bibliotecas e outros ainda deverão ter sido pertença de pessoas ligadas a conventos.
“Trata-se de uma biblioteca enciclopedista”, refere a técnica, acrescentando que as temáticas são as mais variadas possíveis. Desde a matemática à filosofia, passando pela mecânica e terminando nas ciências, há um pouco de tudo, sendo que é possível, à primeira vista, afirmar que “existe um pendor religioso”, mas há livros de todas as áreas, inclusivamente “literatura comum, como novelas ou línguas”, escritos em várias línguas, como italiano ou hebraico.
Há compêndios de autores como André de Resende e Manuel Severino de Faria, clássicos do padre António Vieira, São Tomaz de Aquino, Cervantes, Fernão Mendes Pinto, Plutarco e Vergílio. “Percebo que é um fundo documental riquíssimo, porque existem exemplares importantes, mas não sei o seu lugar no panorama do livro antigo nacional”, refere a bibliotecária, que espera que esta exposição possa vir a despertar o interesse de investigadores.

Seminário sobre
a Casa dos Livros

Termina no próximo dia 27 a primeira exposição sobre o “Livro Antigo”, na Biblioteca Municipal José Saramago, em Beja. Incluído no programa, está prevista a realização de um seminário sobre a Casa dos Livros de Beja de frei Manuel do Cenáculo, hoje, dia 19, pelas 18 e 30 horas. O seminário estará a cargo de Francisco Vaz, docente da Universidade de Évora.




 
 
 
 
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