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“Escola ativa” ganha adeptos em Beja
 
19-05-2017 9:38:41
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Pode uma escola não ter diretor, turmas e disciplinas organizadas, não ser necessário fazer soar a campainha para chamar os alunos e ignorar testes e exames? Pode! E já existem algumas, em Portugal, que funcionam desse modo. Em Beja, um grupo de pais, professores, educadores e outros interessados concordam com o conceito e querem promover a “nova escola” que pode abrir já em setembro. Isto para que “as crianças do século XXI não sejam ensinadas por professores do século XX, com modelos epistemológicos do século XIX”.

Texto Aníbal Fernandes Fotos José Ferrolho

Há cerca de um mês, em Beja, um grupo de pais, educadores e professores iniciaram um debate sobre o que deverá ser a escola no século XXI.
A sobrecarga horária, o excesso de alunos por turma, a forma como os conteúdos programáticos são passados aos alunos, por um lado, e a não transmissão de valores como o respeito, a empatia e a cidadania aos mais jovens, por outro, preocupam estas pessoas que se revêm num conceito em que “a escola seja o núcleo de uma rede de aprendizagem” e em que a comunidade participa e por ela é influenciada.
No dia 1 de maio realizou-se um primeiro encontro com a participação de meia centena de participantes para dar o pontapé de saída neste “projeto público” e que, por agora, se encontra centrado em “ouvir a comunidade, contactar pessoas e instituições”.
“Estas mudanças não se podem impor de cima para baixo”, disse ao “Diário do Alentejo” Filipe Jeremias, coordenador da Rede de Educação Viva a nível nacional e responsável pelo nascimento do projeto privado Os Eres, em Leça da Palmeira, e da escola pública Vítor Melícias, em Torres Vedras, e onde são utilizados estes métodos alternativos.
Nos dias em que esteve em Beja a convite do núcleo proponente local da “escola viva”, entre 10 e 13 deste mês, Filipe Jeremias mostrou-se convencido de que existe na cidade “massa crítica” para avançar com o projeto que terá sempre de respeitar “quem não quiser” fazer parte: “Uma comunidade não se muda toda ao mesmo tempo”, reconhece.
O pedagogo defende “uma mudança de paradigma educativo” que, “mais do que nunca, é possível e necessário” em escolas públicas com contratos de autonomia.
Apesar dos exemplos conhecidos a funcionar, onde, para além dos dois citados, se destaca a Escola Básica da Ponte, em Santo Tirso, cada caso é um caso. A realidade de Beja imporá as suas próprias condições porque “as comunidades são todas diferentes”.
Filipe Jeremias lembra que a Constituição da República Portuguesa diz que “a educação é para todos e que todos têm direito ao sucesso escolar”, mas considera que a escola, tal como está, “tem dificuldades em dar resposta aos jovens deste tempo. Por que razão é que num determinado ano temos de aprender determinada coisa? É possível ensinar tudo a todos de outra forma”, respeitando a individualidade e o ritmo de cada aluno, conclui.
Filipe Jeremias cita Agostinho da Silva para dar força à sua determinação e confiança: “O que precisamos é de desembarcar em Portugal” e, no caso, “rumo a uma nova educação em Beja”.
Para já, está agendada, para dia 24, uma nova reunião aberta à comunidade, em local ainda por definir. Desta vez, deverão participar mais de uma centena de pais, educadores e professores – o núcleo tem vindo a crescer… –, mas também diretores de escolas, autarquia, coletividades e associações de pais, onde será discutido um documento a que o “Diário do Alentejo” teve acesso e serão recolhidas opiniões para a concretização do projeto que pode avançar “já em setembro como uma experiência piloto” dentro de uma escola já existente, confirma Alexandra Graça, que integra o grupo de promotores de Beja.
“Fazer com que a comunidade se possa desenvolver a partir da escola” é uma das ideias força do documento. “A comunidade é um conjunto de pessoas que se conhecem e que possuem necessidades específicas, que partilham conhecimento que elas próprias produzem, com o objetivo de suas vidas poderem ser melhores, sendo que, nesta comunidade, a escola é o núcleo de uma rede de aprendizagem”. A citação é de José Pacheco, o professor fundador da Escola Básica da Ponte, conceito, entretanto, implantado no Brasil em mais de uma centena de estabelecimentos de ensino com o nome de código de “âncora”.
Os promotores desta nova ideia de escola em Beja acentuam “o valor nuclear da comunidade na aprendizagem de uma criança” e a importância de “pais, professores, cidadãos no ativo e reformados” passarem os seus conhecimentos à criança.
O texto agora em discussão lembra que o secretário de Estado da Educação, João Costa, defendeu recentemente numa entrevista à revista “Visão” que “os conteúdos precisam de ser integrados, interdisciplinares, relacionando uma disciplinas com as outras”.
Em Beja pretendem “dar o passo seguinte”, aproveitando a “potencialidade cultural e económica que caracteriza de momento o concelho”, e criar um “projeto de comunidade” que será “pioneiro em Portugal e pode, eventualmente, ajudar na fixação de jovens famílias na região”.
Durval Silva, coordenador da Escola Básica de Santa Maria, em Beja, foi convidado para participar no primeiro encontro do grupo. Em declarações ao “Diário do Alentejo” diz que este objetivo para ter sucesso “tem de partir da comunidade”, mas acredita que haverá “professores interessados” em abraçar o projeto.
No entanto, lembra que, ciclicamente, aparecem propostas para uma “escola alternativa” e que ninguém sabe como será o corpo docente daqui a alguns anos. Na parte que lhe toca é um defensor da introdução das novas tecnologias nos processos de aprendizagem e do programa “School in the Cloud”, embora considere que não são processos incompatíveis com o defendido para uma “escola ativa”.


Das coisas
nascem as coisas

“Das coisas nascem as coisas”, dizia o famoso designer italiano Bruno Munari referindo-se aos objetos que nos rodeiam. Quando se trata de ideias, elas nascem da cabeça de alguém. Neste caso foi das de Nídia e Nelson Monteiro, dois jovens pais de Beja que, depois de terem assistido a uma palestra na Biblioteca Municipal José Saramago com o fundador da Escola da Ponte, organizada pela empresária Ana Santos e pela educadora Maria Ana Venâncio, e pensando já no futuro percurso educativo do seu filho Tomás, foram impelidos a questionar a escola como ela é atualmente.
“Desde que o meu filho [hoje com dois anos] foi concebido que eu e o pai nos dedicámos a ler livros sobre pedagogia infantil, educação e inteligência emocional”. Foi desta curiosidade que nasceu o contacto com os conceitos de “escola viva” e “escola ativa”, diz Nídia.
Uma consulta no Youtube ao filme “A educação proibida” abriu-lhes novas perspetivas e incentivou-os a procurar algo parecido em Portugal. “Eu e o meu marido ficámos surpreendidos, mas felizes, por perceber que havia cá a escola com que sempre sonhámos mas não pensávamos existir”.
Infelizmente essa escola era distante de Beja, a terra onde a mãe de Tomás nasceu há 35 anos e onde pretende que o filho “cresça e aprenda a ser gente, educado por gente e com gente que transpira o cante alentejano, searas de trigo, sol de torrar, junto dos avós e da terra, numa região que tem tudo para ser exemplo para tantas outras”.
Nélson Monteiro,36 anos, tal como a mulher, é fisioterapeuta e quirioprático. Com a formação feita em Portugal e Inglaterra, depois de três anos de trabalho na Alemanha, resolveram instalar-se em Beja, onde exercem a sua atividade há cerca de quatro anos.
Perante a inexistência de propostas na região, pensaram mudar-se para o norte do País, para Leça da Palmeira, onde está instalado o projeto Os Eres, que integra a Rede Educação Viva, e que lhes “encheu as medidas”.
No entanto, em março deste ano, a vinda a Beja de José Pacheco, fundador há 40 anos da Escola Básica da Ponte, em Vila das Aves, Santo Tirso, e a única escola pública em Portugal que leciona no “modo de educação viva”, permitiu-lhes perceber que havia mais gente interessada “em juntar esforços para que as crianças de Beja tenham opção de escolha em educação”.
O encontro dos dois com Filipe Jeremias, ex-coordenador do projeto Os Eres, convenceu-o a ajudar à promoção e ao lançamento desta ideia na cidade. O resto da história está dependente do que a comunidade – palavra central nesta ideia – queira fazer dela.





 
 
 
 
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