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Conceição Margalha: “Temos de ir buscar a Évora aquilo que não temos cá”
 
21-04-2017 9:36:16
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Menos de um mês depois de tomar posse como presidente do conselho de administração da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (Ulsba), Conceição Margalha diz-se concentrada no fecho das contas do exercício anterior e no acompanhamento de processos que já estavam em curso. Ainda não teve tempo de visitar toda a instituição, mas reconhece que é importante que o Hospital José Joaquim Fernandes faça um upgrade a vários níveis para que “não se transforme num hospital de retaguarda”. A construção de uma nova unidade hospitalar em Évora não lhe tira o sono, já que prefere que o “Alentejo seja autossuficiente” para não depender de Lisboa que está “mais longe”.

Texto Aníbal Fernandes Fotos José Ferrolho

Passadas algumas semanas da tomada de posse, já tem uma ideia do estado em que se encontra a instituição?
Nesta altura em que entramos é extremamente difícil porque temos de efetuar o encerramento de contas. Por outro lado, é necessário dar resposta às várias candidaturas do Portugal 2020, quer na área da formação, quer na requalificação de algumas unidades ou construção de novos centros de saúde. É uma altura em que exige muito trabalho a todos os técnicos. Portanto, é difícil fazer um ponto de situação completo e saber quais as condições em que a instituição se encontra. O anterior conselho de administração passou-nos os dossiês que ainda os preocupava e que estão em curso. Nós tentámos dar continuidade aos processos de maneira a não perder oportunidades de financiamento, sobretudo no âmbito do Portugal 2020.

Falou em processos em curso. Um dos que foram anunciados diz respeito à aquisição de material de imagiologia. Em que estado é que está o concurso?
O concurso internacional foi lançado. É um concurso muito grande que inclui a aquisição de uma TAC, de radiologia convencional, de ecógrafos e de aparelhos para mamografia digital. Neste momento o júri está a receber pedidos de esclarecimento das várias empresas concorrentes, irá responder e, depois, seguem-se os trâmites normais.

Estará concluído ainda este ano?
Nós desejamos que sim, mas os concursos internacionais, sobretudo os que implicam valores muitíssimos elevados, levam a que haja muitas reclamações e pedidos de esclarecimentos. Muitas vezes queremos que as coisas corram com celeridade, mas elas não correm... Ontem [segunda-feira] falámos com a presidente do júri, que é autónomo, e o que nos disse foi que estão a responder a pedidos de esclarecimento. É um processo que nos preocupa porque os equipamentos existentes na Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (Ulsba) estão em fim de vida e com avarias constantes. Temos os equipamentos cá, mas muitas vezes temos de recorrer ao privado para realizar os exames. Isso acarreta custos muito elevados para a instituição e para os doentes, que têm de se deslocar. Há situações caricatas como, por exemplo, doentes que estão internados na urgência terem de ir fazer uma TAC fora. É uma grande preocupação e deve ser resolvida o mais depressa possível.
As camas atualmente existentes no hospital são suficientes para dar resposta às necessidades da região?
A redução de camas, pelo que me é dado saber, resultou de uma diretiva da Troika aplicada no todo nacional. Acho que temos de apostar, fortemente, no ambulatório. O internamento deve ser o necessário, no tempo certo e o mínimo possível, para benefício das pessoas. O tratamento em internamento acarreta riscos muito elevados de infeção e, por outro lado, não ajuda na recuperação do doente. Sobretudo as pessoas idosas que, fora do seu ambiente, muitas vezes desenvolvem desequilíbrios. Portanto, a grande aposta é no ambulatório com cuidados de qualidade dentro da habitação. Em relação ao número de camas, o que posso dizer é que, do que me tem sido reportado, nesta altura, não tem havido dificuldades. Em períodos de gripe, ou outras situações semelhantes, já poderá não ser assim. Nesses períodos de crise tem havido autorização para a abertura de camas suplementares e penso que deve ser essa a política a seguir: ter a possibilidade de quando necessitamos reverter a situação e abrir as camas necessárias. De uma forma constante penso que não é adequado.

Falou em cuidados de qualidade. Grande parte dos médicos que prestam serviço nos centros de saúde não tem a especialidade de Medicina Familiar. Como é que olha para esta situação?
Essa situação tem a ver com os protocolos que permitiram a vinda de médicos cubanos ou outros, que já tendo terminado o período abrangido pelo protocolo foram contratados pela Ulsba. É uma realidade em centros de saúde periféricos. Não sei ao certo, mas serão cerca de 20 clínicos nessas circunstâncias. É verdade que, em Portugal, não têm reconhecida a sua especialidade – apenas uma médica fez a equiparação junto da Ordem dos Médicos. O que posso dizer em relação a isso é que nós temos de dar alguma prestação de cuidados às pessoas. Prefiro ter estes, apostar na sua formação, na monotorização do seu trabalho, a não ter nenhuns. Hoje temos mecanismos de avaliação de desempenho dos profissionais que nos permitem detetar falhas e pôr a nossa capacidade formativa à sua disposição para melhorar as práticas. E isso tem benefícios: neste momento não temos utentes sem médico de família.

E em relação aos especialistas hospitalares? Os concursos continuam a ficar desertos. O presidente da delegação da Ordem dos Médicos de Beja, Pedro Vasconcelos, disse recentemente ao “Diário do Alentejo” que é um problema que dificilmente será ultrapassado se não houver uma política específica de desenvolvimento do interior. Partilha desta ideia?
Sim. Acho que têm de se criar condições para que as pessoas venham, que se sintam bem, consigam ter emprego para os profissionais, mas também boas condições para os filhos, para que eles cá fiquem. Na minha opinião, a grande aposta – e que tem trazido alguma fixação de profissionais – é trazê-los enquanto internos para fazer a especialidade para que se fixem aqui…

Mas alguns serviços do hospital perderam idoneidade formativa…
A idoneidade formativa tem a ver com o número de profissionais graduados no quadro e com as condições de prestação de cuidados existentes…

Ou seja, sem os tais equipamentos modernos na imagiologia não se pode ter fazer formação nessa especialidade…
E por isso mesmo lhe estava a dizer que é uma das preocupações que tenho e queria tentar resolver, dentro da legalidade, e o mais depressa possível. A Ordem dos Médicos faz visitas periódicas e é nossa intenção continuar a tentar criar as condições para que haja idoneidade formativa na Ulsba. Também temos acordos com outras unidades de maneira a que os internos façam lá a formação, mas sendo a vaga da Ulsba. É um bocado falacioso: as pessoas fazem a formação fora, não adquirem vínculos à região, chegam ao fim, pagam o valor para não regressar à instituição de origem e ficamos na mesma. É um trabalho que tem de ser feito. Não se faz de um dia para o outro. Teremos de criar condições para os poder cativar da melhor maneira…

Os autarcas têm um papel a desempenhar neste capítulo…

O Ministério da Saúde fez o contacto com a Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo para a nomeação do elemento em falta no conselho de administração, mas não tenho conhecimento se já houve alguma resposta sobre o assunto.

Da sua equipa fazem parte dois elementos que pertenceram a uma administração anterior e que foi muito criticada, nomeadamente por excesso de despesismo. Não tem medo de que essa herança possa prejudicar a imagem e o desempenho desta administração?

O que temos de fazer, e o que estou disposta a fazer, é que a equipa tenha um desempenho que procure a contenção de custos. Neste momento as coisas estão balizadas através de um contrato/programa e há objetivos a cumprir. Vamos trabalhar em equipa, ninguém isoladamente decidirá nada, as decisões serão tomadas pelo conjunto da administração. Com  a minha experiência de contenção de custos que vem do passado não será possível fazer doutra maneira. Para além disso, existe um acompanhamento constante da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), da Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo e do próprio ministério para que as vontades de cada um não sejam realizadas se não estiverem dentro dos objetivos que nos foram definidos. E o ministro balizou-nos a conduta de maneira a que esses objetivos sejam atingidos.

Já que falou nessas instituições da área da saúde deixe-me colocar uma questão sobre uma outra. Como é que está o procedimento que a Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS) abriu à administração anterior, acerca dos custos com os cursos de pós-graduação frequentados pelos antigos administradores?
O que sei desse processo foi aquilo que saiu na comunicação social e do que me foi transmitido. Enquanto o processo estiver a decorrer no IGAS é sigiloso. Enquanto não recebermos o relatório não podemos fazer juízos de valor ou comentários sobre o assunto.

E a questão do pagamento das férias, que o “Diário do Alentejo” noticiou, reclamadas por José Gaspar. A Ulsba pagou?

Penso que sim, que foram pagas. 

E na sua opinião esse pagamento era devido?
Foi pedida uma análise ao gabinete jurídico sobre a legalidade, ou não, de todo o processo. Só depois dessa análise é que se poderão tirar conclusões.


“O Alentejo deve ser autossuficiente”

O anúncio, por este governo, da construção de um novo hospital central em Évora, para todo o Alentejo, levantou a questão do esvaziamento da importância do Hospital José Joaquim Fernandes na estratégia de prestação de cuidados de saúde na região. A opção por uma solução polinucleada não serviria melhor as necessidades dos utentes? 

Eu tenho uma opinião um bocado diversa daquela que tem sido expressa por vários colegas, incluindo o bastonário da Ordem dos Médicos, que fez grandes críticas a essa solução. Acho que o hospital de Évora com a estrutura que tem não tem condições de funcionamento. Portanto, é necessário construir um hospital novo. A questão que se poderá pôr é se é um hospital central, ou um hospital distrital. Nós, neste momento, dependemos muito dos hospitais de Lisboa. O percurso entre Beja e Lisboa é mais longo do que entre Beja e Évora, portanto, não me escandaliza que haja em Évora a colocação de uma tecnologia mais adequada ao desenvolvimento da medicina e que nós possamos beneficiar dela. O Alentejo deve tentar, dentro da sua área de abrangência, ser autossuficiente. Eu prefiro ter uma radioterapia no hospital de Évora, para que os doentes em vez de fazerem 180 quilómetros para Lisboa possam fazer apenas 80 quilómetros. Com tudo protocolizado, como acontece agora, uns ficarão alojados em Évora, outros farão o percurso de regresso. O que tem de haver é parcerias de forma a melhorar a qualidade assistencial aos doentes. Não quero com isto dizer que este hospital deva ser transformado num hospital de retaguarda para fazer coisas menos válidas. Este hospital tem que se diferenciar em algumas áreas, para com isso haver também um movimento inverso, mas eu gosto mais que as parcerias sejam com Évora do que com Lisboa, como é neste momento. No entanto, é preciso não deixar que este hospital regrida, e isso tem a ver com financiamentos, com melhoria de serviços. O hospital de Beja já tem muitos anos e, por isso, precisa de um upgrade em termos de tecnologia, de serviços e na vontade das pessoas. É nesse sentido que temos de trabalhar: melhorar este e ir buscar a Évora aquilo que não conseguirmos ter cá.

Como é que está a decorrer o protocolo de cedência da gestão do Hospital de São Paulo à Santa Casa da Misericórdia de Serpa? Como é que avalia a situação?
Esse é um assunto um bocado quente… Esta situação resulta de um protocolo, ainda no anterior governo, que resolveu que esses hospitais deveriam voltar a ser geridos pelas misericórdias. Penso que é um protocolo que lesiona a Ulsba, que tem uma série de obrigações e de pagamentos e estariam previstos, para além do serviço de urgência, consultas, cirurgias, e que não estão a funcionar. O que eu sei é que o ministério está a equacionar o regresso ao Serviço Nacional de Saúde desses hospitais. Não sei qual é o ponto da situação, mas sei que está a ser estudado e equacionado. 


 
 
 
 
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