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“As mulheres têm de estar presentes na revolução tecnológica”
 
17-02-2017 11:51:30
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A “mais masculina” das universidades portuguesas, o Instituto Superior Técnico, decidiu este ano outorgar um prémio de mérito a duas das suas alunas de excelência. Nesta primeira edição foi recompensado o valor da jovem engenheira biológica Inês Godet, que está a desenvolver na Universidade John Hopkins, nos EUA, investigação na área da quimioterapia oncológica. E foi distinguida a carreira da bejense Maria da Graça Carvalho, engenheira mecânica, duas vezes ministra da Ciência, relatora da agenda Horizonte 2020 enquanto deputada ao Parlamento Europeu e atual conselheira científica da Comissão Europeia. A questão da discriminação por género e da igualdade de oportunidades na ciência e na tecnologia em Portugal estiveram no centro desta entrevista que decorreu, não sem alguma ironia, na sala onde estão emolduradas as fotografias dos presidentes do Técnico. Homens, todos eles.

Texto Paulo Barriga Fotos José Ferrolho

Que relevância atribui a este prémio?
É um prémio importante porque é o reconhecimento da escola onde estudei e onde sou professora e que é, no fundo, a minha casa. É um prémio também importante pelo simbolismo do nome, Maria de Lourdes Pintassilgo, mulher, engenheira, que foi a única primeira-ministra em Portugal e cujo pensamento me serve de inspiração em muitas áreas, nomeadamente no que diz respeito ao papel das mulheres na sociedade, na engenharia, na educação… Ela escreveu muito sobre educação, de uma forma muito atual, sobre desenvolvimento e sobre relações internacionais, e tinha um pensamento muito, muito inspirador.

É a edição inaugural do Prémio Maria de Lourdes Pintassilgo. Esta distinção surpreendeu-a?

Foi uma surpresa, não estava à espera, mas foi uma agradável surpresa. Fiquei muito honrada e muito contente.

Que necessidade é esta de o Instituto Superior Técnico, uma casa tradicionalmente “masculina”, homenagear as “suas mulheres” de mérito?
Sabe que os exemplos no feminino são muito importantes para atrair outras mulheres. Eu tenho uma história que costumo contar. Nós, na Engenharia Mecânica, durante muitos anos, não conseguíamos aumentar o número de mulheres: uma, duas, o máximo três por ano, num universo de 70, 80, 90 pessoas que entravam para o curso. Um ano, o presidente do departamento decidiu que no dia aberto, que é o dia em que recebemos alunos do ensino secundário que depois vão ter de escolher o curso, a receção iria ser feita pelas duas professoras que existiam e por outras colaboradoras que nós tínhamos. Éramos poucas, mas juntámo-nos todas e fomos nós que recebemos os alunos.

Foi quase uma excentricidade…
Aliás, houve um aluno que perguntou: “Será que o curso de Engenharia Mecânica é bom para rapazes? É que só vejo senhoras”. Nesse ano tivemos 25 raparigas a entrar no curso de Engenharia Mecânica, quando costumávamos ter duas ou três. Muitas delas ficaram espantadas, não estavam à espera de ver senhoras como professoras deste curso e, ainda para mais, vestidas como nós. Pensavam elas que a Engenharia Mecânica era ferrugem, pessoas de fato-macaco, todas cheias de pó, de carvão…

Mas as engenharias ainda continuam a ser um mundo de homens.
Sim, mas está a mudar, embora na Engenharia Mecânica a mudança esteja a ser mais difícil. A situação em Portugal tem melhorado muito, aliás a maioria da população do ensino superior são mulheres, cerca de 67 por cento. A maioria dos alunos de pós-doutoramento são mulheres e, quanto aos investigadores, estamos quase em paridade. O problema é depois, no prosseguimento da carreira, aí vai baixando sucessivamente.

Por que é que isso acontece?
Devido a uma série de questões, uma delas é conseguir compatibilizar a profissão com a vida privada, a família e o cuidar dos filhos… essa é uma das razões. A segunda é que, na promoção, não estou a dizer que haja discriminação, mas como o espírito e a cultura são mais masculinos cria-se alguma dificuldade na promoção das mulheres nas diferentes carreiras. A paridade é mais fácil na academia, mas quando vamos para o mundo empresarial é muito, muito difícil.

Basta olharmos para esta parede…
Por exemplo, as mulheres são maioritárias no ensino superior e só uma é que é reitora nas universidades públicas. Se olharmos para as fotografias dos presidentes do Instituto Superior Técnico que estão aqui atrás de nós vemos que na história da instituição não houve nenhuma mulher neste cargo. Portanto, há ainda toda uma cultura nos cargos de gestão, nos cargos importantes, que é muito discriminatória.

Daí o valor simbólico deste prémio?
Sim, um valor simbólico de chamar a atenção e de atrair cada vez mais mulheres para estes cursos, nomeadamente para o Técnico. Há outro ponto que preocupa quem olha para estes assuntos, que tem a ver com as questões relacionadas com a sociedade de informação. Assiste-se a uma digitalização acelerada, uma valorização da importância das tecnologias da informação e comunicação e aí temos menos mulheres do que homens e a situação não está a melhorar, pelo contrário, está a regredir. Em muitos países, como os Estados Unidos da América ou a Suíça, está mesmo a diminuir drasticamente.

Essa diminuição também se deve ao tal condicionamento familiar? Ou aqui existem outras implicações culturais?

Devemos ter muita atenção. As escolhas começam muito cedo, logo em criança, nas brincadeiras que se têm e no tempo que se dedica a certas coisas. Neste caso, os rapazes dedicam mais tempo aos jogos de computador, às consolas. O estereótipo do nerd, da pessoa que está sempre ao computador, é um rapaz e não uma rapariga. É preciso ter muito cuidado nesse ponto, porque a grande maioria dos empregos do futuro vão ser baseados nas novas tecnologias, nas tecnologias de informação…

Acredita que, de alguma forma, estes estereótipos são geradores de exclusão?
Exatamente! E não podemos deixar que este percurso que está a ser feito em todo o mundo, onde há cada vez mais mulheres nas diferentes áreas, seja agora contrariado por esta nova revolução tecnológica. As mulheres também têm de estar presentes nesta revolução tecnológica.

A revolução que está a enunciar confina-se a Portugal?

Não, é geral. Aliás, ela é mais patente, por exemplo, nos Estados Unidos da América que, com a Suíça, como antes referi, é dos países que mais tem regredido e que já teve uma situação muito melhor nos anos 80, princípios dos anos 90. Nestes dois países, o número de mulheres que está nas áreas da computação tem vindo a diminuir drasticamente. Se olharmos, por exemplo, para empresas como a Google, LinkedIn ou a Apple, o número de mulheres é muito reduzido e, geralmente, estão em tarefas de administração e não nas tarefas tecnológicas. Aí sim, nessas áreas, a tecnologia está quase exclusivamente entregue aos homens.


As boas políticas devem depender
do conhecimento científico




Como tem “sobrevivido” ao período pós-redação do Horizonte 2020? O que tem feito?
Olhe, para já, a Comissão não para. Há a execução, há a avaliação a meio tempo e já, desde há um ano, que se está a preparar um novo Programa Quadro que ainda não tem nome. Portanto, é todo um ciclo que acaba e a preparação de um novo programa que começa. Essa é uma questão. A outra questão a que me tenho dedicado e que me fascina é um ponto de vista diferente: é colocar a ciência no centro da elaboração das políticas públicas. Ou seja, estamos a trabalhar para relevar a importância da evidência científica, da evidência dos factos, para que os políticos e para que quem faz as políticas tenha uma boa tomada de decisão. O comissário Carlos Moedas desenhou e implementou um novo sistema dentro da Comissão Europeia que dá aconselhamento científico aos outros comissários, a todas as outras políticas, sejam elas o ambiente, a energia, a saúde… Nesse sistema de aconselhamento científico são apresentadas opiniões feitas por peritos independentes mais especializados em cada matéria, conhecimento que é fornecido aos decisores políticos da Comissão Europeia para que possam decidir baseados nos factos e na evidência científica.

Como é que está a decorrer a execução do Horizonte 2020?
Está a correr bem. Portugal tem tido uma participação muito melhor do que no sétimo Programa Quadro, e tem sido um programa muito bem aceite. Claro que há pontos que ainda precisam ser melhorados.

Em que áreas estamos a intervir mais? Onde estamos a aproveitar…

Temos muitos participantes novos, pequenas e médias empresas, mesmo da parte industrial… A participação cresceu muito à custa dos novos participantes. No fundo, o programa está a responder bem para o perfil que foi desenhado: um programa mais aberto, para ir buscar a excelência onde ela se encontre, mesmo que seja em pequenas unidades. E isso está a acontecer. O único problema do Horizonte 2020 é que ele é uma vítima do seu próprio sucesso. Há muita gente que foi bem-sucedida, há muita gente a participar, a enviar propostas, e o financiamento não é tanto como nós gostaríamos e, portanto, precisávamos de mais.

É inevitável que lhe pergunte: como é que está a ser a execução do Horizonte 2020 no Alentejo?

Há áreas em que o Alentejo tem grande excelência, tanto na aeronáutica, como nas energias… Mas a participação ainda pode ser melhor, e espero que muito em breve possa ser melhor.

Acredita que um dia destes ainda consegue voar de avião de Bruxelas, onde reside, para a sua terra, Beja?
Espero que sim, temos um aeroporto tão bonito, tão bem organizado, que devia ser utilizado.

Como é que se sente a breves minutos de receber um prémio como este das mãos de outro bejense, o comissário Carlos Moedas?

Com uma grande honra e fico muito feliz por ele ter conseguido, com uma agenda tão complicada, sempre tão cheia, vir propositadamente a Lisboa, entregar o prémio e estar connosco neste evento. É uma grande honra. 






 
 
 
 
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