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Semanário Regionalista Independente - Director: João Matias - ANO LXXVI - Nº 1480 (II SÉRIE) - Sexta-Feira, 3 de Setembro de 2010
edição nº 1480
De 3 a 9 de Setembro de 2010


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Alentejo Ilustrado



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Feira do Queijo resiste ao temporal e à crise

Câmara de Serpa assume-se como impulsionadora da criação de uma Rede Europeia de Municípios Produtores de Queijo Tradicional, projecto que, no contexto desta feira, "avançou uns passos razoáveis", informou João Rocha.

Texto Carla Ferreira
Foto José Serrano

O volume de visitantes surpreendeu a organização da IX Feira do Queijo do Alentejo, que terminou em Serpa no último domingo, 28, animando um fim-de-semana ameaçado pelo temporal. Segundo o presidente da Câmara Municipal de Serpa, João Rocha, o alerta laranja decretado para sábado, 27, para todo o território continental, "naturalmente retirou algumas pessoas à feira, nomeadamente as que vinham de Lisboa e de outras zonas do País, mas não podemos dizer que isso prejudicou a feira, que esteve óptima, com muitos visitantes, embora não tantos como no ano passado". O que efectivamente aumentou foi o número de produtores de queijo presentes - mais 15 em relação a 2009 - que assim chegou a perto de meia centena, confirmando um "crescimento" na representação do sector que é, para o município organizador, "motivo de satisfação", e uma vocação que não se deverá deixar diluir. Porque, como adiantou o autarca, "nós não queremos uma feira maior, não queremos ir muito além do que existe. É uma feira do queijo e não queremos que tenha tudo menos queijo". O que neste momento preocupa a autarquia é o estado do recinto exterior ao Pavilhão de Feiras e Exposições, que "tem que ser melhorado para darmos condições a quem estaciona".
Tendo como anfitrião o Queijo Serpa, o certame foi mais uma vez a montra das marcas nacionais de renome, como os queijos de Azeitão, da Serra da Estrela, de Niza, de Castelo Branco, Terrincho, de Borba e de Rio de Moinhos, revelando também sabores de além-fronteiras, através de um expositor dedicado ao queijo Olomoucké, proveniente da República Checa. O volume de vendas foi outras das surpresas desta nona edição, em que mais uma vez as rouparias coexistiram com as casas de produção de mel, enchidos azeite, vinho, pão, doces regionais e também de artesanato. "Para muitos dos produtores com quem falei, o negócio não correu mal; para outros, correu até melhor do que no ano passado, e isto apesar de toda a crise que o País atravessa", garantiu João Rocha, explicando que o queijo, bem como outros produtos tradicionais emblemáticos, devem ser "defendidos e divulgados o máximo possível". Nesse sentido, a autarquia assume-se como impulsionadora da criação de uma Rede Europeia de Municípios Produtores de Queijo Tradicional, actualmente com "vários municípios interessados", projecto que, no contexto da IX Feira do Queijo, "avançou uns passos razoáveis", informou o autarca. A parceria europeia propõe-se, entre outras tarefas, promover e divulgar os produtos das regiões associadas, zelar pela sua qualidade e genuinidade, recuperar e difundir métodos tradicionais de produção, assim como apoiar a produção e comercialização através da criação de sistemas de cooperação, comercialização e distribuição, e realizar feiras e exposições.
Cante alentejano, fado, teatro infantil, oficinas de fabrico de queijo, demonstrações de tosquia artesanal de ovelhas, apresentações de livros, workshops para crianças e os chamados "laboratórios do gosto" foram as actividades que compuseram os três dias de programação, desenhada em parceria com a Associação de Criadores de Ovinos do Sul (ACOS), Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Serpa, livraria Vemos, Ouvimos & Lemos (VOL) e associação Rota do Guadiana. 


05/03/2010 - 10h44


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