Os trabalhadores da mina de Neves-Corvo, que se manifestaram na quarta-‑feira, em Beja, vão manter a greve, uma vez que ainda não obtiveram quaisquer resposta ou proposta para negociação por parte da Somincor.
Os trabalhadores da mina de Neves-Corvo (Castro
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Verde) vão manter a greve, iniciada a 16 de Fevereiro, dado que ainda não obtiveram quaisquer resposta ou proposta para negociação por parte da administração.
Perto de duas centenas e meia de trabalhadores manifestaram-se na tarde de quarta-feira em frente do Governo Civil do Distrito de Beja, dando "expressão de rua" à luta e na expectativa se serem ouvidos pelo governador civil, o que não aconteceu, uma vez que Manuel Monge "se encontrava ausente".
Uma delegação de mineiros acabou por ser recebida por um assessor do governador civil que, segundo o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM), Jacinto Anacleto, "não disse nada de novo". "Mais uma vez o senhor governador faltou a esta reunião, enviando um assessor que não nos disse nada de novo, apenas aquilo que nos tida transmitido na semana passada, de que a empresa Somincor só negoceia se suspendermos a greve, mas nós não aceitamos imposições prévias", disse o sindicalista em declarações aos jornalistas, no final do encontro, adiantado que "terá de haver uma proposta" que levarão "à consideração dos trabalhadores e eles aí é que decidem se a greve será suspensa ou não".
Através da greve, os trabalhadores da Somincor reivindicam um aumento de 100 euros no subsídio de fundo, que é atribuído aos trabalhadores que trabalham no fundo da mina, "o pagamento dos 50 por cento em falta da compensação do dia de Santa Bárbara" de 2009 e "a garantia do pagamento da compensação na totalidade este ano e nos próximos anos".
Face à ausência de respostas, os trabalhadores ponderam agora deslocarem-se a Lisboa para "pedir responsabilidades, nomeadamente ao primeiro-ministro".
Após a concentração junto ao Governo Civil, os mineiros deslocaram-se à sede da Direcção Regional do Alentejo da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), situada em Beja, para tentarem ser recebidos pelo director, Carlos Graça. De acordo com Jacinto Anacleto, o STIM "participou à ACT algumas violações à lei da greve" que terão sido cometidas pela Somincor, designadamente "a substituição de trabalhadores em greve", mas "até ao momento" não obtiveram "qualquer feedback".
O sindicalista chamou ainda a atenção para o facto de a lavaria "não estar a trabalhar na sua plenitude, sendo que está a tratar 210 toneladas/hora quando deveria estar a tratar 360 toneladas/hora, portanto muito aquém daquilo que é normal". "O Estado português devia intervir porque da forma como a empresa está a trabalhar não está a ter lucros", disse Jacinto Anacleto, adiantando que desde o primeiro dia "a adesão tem-se mantido acima dos 90 por cento nos turnos das 6, 14 e 22 horas", que abrangem os trabalhadores do fundo da mina, em que "o descontentamento é maior". No turno das 8 horas, que abrange os trabalhadores à superfície (mecânicos e serralheiros), só abrangidos pela reivindicação relativa à compensação do dia de Santa Bárbara, "a adesão é fraca", disse.
Os "cerca de 230" trabalhadores em greve decidiram entretanto "doar 1,2 por cento, à volta de 12 euros, do salário base de Março, para ajudar as vítimas do mau tempo que atingiu a Madeira" no passado dia 20 de Fevereiro.
Sindicatos solidários
À delegação de trabalhadores da mina de Neves-Corvo, recebida por um assessor de Manuel Monge, juntaram-se também dirigentes da União dos Sindicatos do Distrito de Beja, que momentos antes tinham estado reunidos em plenário de dirigentes e activistas. Os dirigentes acabam por entregar ao assessor do governador civil a resolução decorrente desse mesmo plenário que dá a conhecer "as preocupações fundamentias dos trabalhadores". "Queríamos alertar o senhor governador para algumas situações, nomeadamente para a questão dos mineiros e para a necessidade de juntar as duas partes à mesma mesa para que se resolvam as coisas", referiu Casimiro Santos.

05/03/2010 - 10h37