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Semanário Regionalista Independente - Director: João Matias - ANO LXXVI - Nº 1480 (II SÉRIE) - Sexta-Feira, 3 de Setembro de 2010
edição nº 1480
De 3 a 9 de Setembro de 2010


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Alentejo Ilustrado



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“Queremos virar a página e iniciar um ciclo
de desenvolvimento sustentável”

A CDU voltou, ao fim de oito anos, a liderar os destinos da Câmara Municipal de Alvito. João Penetra, actual presidente, foi eleito, embora com maioria relativa, e aposta no empreendedorismo e no desenvolvimento económico, de modo a potenciar o progresso do concelho. O autarca acredita que o município não está condenado ao subdesenvolvimento e que este mandato será um grande desafio.

Texto Bruna Soares
Fotos José Ferrolho

João Penetra está à frente da Câmara Municipal de Alvito e pretende gerir a maioria relativa apelando ao bom senso da oposição. Para o autarca, "o objectivo dos eleitos deve de ser o progresso e o desenvolvimento do concelho". As Grandes Opções do Plano e o Orçamento para 2010 já foram aprovados e as prioridades vão para a construção da escola básica integrada e para a captação de investidores, de modo a que se possam fixar empresas. João Penetra considera que "não se faz desenvolvimento em quatro anos, mas que pode dar-se um pontapé de saída muito forte". O autarca da CDU quer, assim, "construir os alicerces" e fazer ponto de honras dos três grandes pilares que definiu: desenvolvimento económico, apoio social e educação.

A CDU voltou a conquistar a Câmara Municipal de Alvito. Esta é uma vitória com outro sabor?
Todas as vitórias têm um bom sabor. Recuperar uma câmara que já não tínhamos há oito anos tem, com certeza, um sabor acrescido. É-nos muito grata a confiança que os eleitores nos deram para voltarmos a governar o concelho. Significa que confiaram na nossa equipa e nas nossas propostas. Penso que as nossas propostas tinham bondade suficiente para serem aceites pela população, sabendo nós, no entanto, que Alvito é um concelho difícil, uma vez que é muito plural e as forças políticas têm estado muito equiparadas. Esta vitória tem, assim, um sabor ainda mais agradável, até porque passámos do terceiro para o primeiro lugar, apesar desta vitória ter sido por maioria relativa.

Como pensa gerir esta maioria relativa na câmara?
Vou apelar ao bom senso. Todas as forças políticas, independentemente da sua cor, devem de ter como objectivo o progresso e o desenvolvimento do concelho. Se forem colocados em primeiro lugar os interesses partidários isso poderá vir a prejudicar as populações. Apelo muito ao bom senso dos vereadores da oposição, nomeadamente para que tenham a responsabilidade suficiente de aprovar as propostas que sejam boas para o concelho. Se fizermos um exercício de comparação dos programas eleitorais das diversas forças políticas, não só em Alvito mas nos vários concelhos do País, vamos chegar a conclusão que cerca de 80 por cento das propostas coincidem. Depois, há um conjunto de 20 por cento que diferem, necessariamente porque somos equipas diferentes, com diferentes ideologias e com maneiras de estar na vida também diferentes. Há variantes entre os diversos concorrentes aos distintos órgãos das autarquias, mas como há um tronco comum acaba por não ser muito lógico que uma proposta que foi apresentada em todos os programas eleitorais venha a ser chumbada. Tendo sido o nosso programa maioritariamente sufragado, esperamos que a oposição não entrave esse trabalho e que o permita realizar. Até agora, isso tem acontecido. As Grandes Opções do Plano e o Orçamento para 2010 foram aprovados em reunião de câmara e na assembleia municipal.

Como encara este mandato?
Como um grande desafio. Alvito precisa de um grande empurrão, no que diz respeito ao desenvolvimento económico. Nos últimos anos tem-se apostado muito no turismo. Julgo que ele é essencial para o concelho, mas não penso que o desenvolvimento se esgote no turismo. É preciso fazer uma grande aposta no empreendedorismo e no desenvolvimento económico. É necessário estimular, nas pessoas do concelho e nas que queiram vir para Alvito, o espírito de investir, de criar empresas, riqueza e empregos. Estipulámos três grandes pilares para este mandato: desenvolvimento económico, apoio social e educação. Nas questões do desenvolvimento económico estamos apostados em criar zonas empresariais, porque ainda não existem no concelho. Se um empresário quiser criar uma empresa esbarra com esta dificuldade. Pretendemos também criar um ninho de empresas para prestar ainda mais auxílios aos investidores. Queremos concretizar estas propostas durante este mandato. O apoio social também é prioritário, uma vez que estamos num concelho do interior e profundamente envelhecido, onde é necessário dar apoio aos idosos e às famílias carenciadas. Neste sentido, já estamos a projectar o cartão "Alvito Social" para dar apoio às pessoas mais necessitadas, em complemento do cartão "Social do Idoso", que apenas abrange esta faixa etária. Também queremos implementar o apoio à natalidade, para que a população possa crescer de forma sustentável. O apoio ao arrendamento também faz parte das nossas intenções, uma vez que é crucial para os jovens casais e para a recuperação de casas nos centros urbanos das duas freguesias.

E outros projectos?....
O terceiro pilar assenta na educação. A educação é fundamental para criar massa crítica, para criar poder de intervenção e para valorizar ainda mais as pessoas e a sua capacidade de trabalho. Apostámos na construção da nova escola básica integrada, até porque o acordo com o Ministério da Educação já vem do anterior mandato. Esta foi uma conquista do anterior executivo, mas concordamos com esta prioridade e demos-lhe seguimento neste mandato. A obra já está em execução e esperamos que no próximo ano lectivo a escola já esteja em funcionamento. Continuaremos a apostar também na Escola Profissional de Alvito, uma vez que já se firmou na região e é importante para a formação profissional dos jovens. Queremos que a escola cresça, até porque o grande problema da escola é a falta de instalações. Neste momento, funciona em pré-fabricados e em vários edifícios da vila de Alvito, o que não ajuda, em termos de ganhos de sinergias. Ter um edifício novo e centralizar nele toda a actividade da escola seria importante para o estabelecimento de ensino. Os apoios às bolsas de estudo também são cruciais. Estes três grandes pilares são fundamentais e fazemos deles ponto de honra.

"Não estamos condenados ao subdesenvolvimento"

E as prioridades para este ano?
A construção da nova escola básica integrada e a captação de investidores, de modo a que se possam instalar nas zonas empresariais a criar, avançando com o estímulo ao empreendedorismo. Também pretendemos, neste mandato, arrancar com a realização do estudo do Plano de Desenvolvimento Estratégico do concelho de Alvito, que queremos que seja o mais consensual possível, com o objectivo que projecte, num espaço de 15/ 20 anos, a realidade de Alvito. Paralelamente, pretendemos desenvolver o Plano de Marketing Territorial. Mas o marketing territorial é mais do que turismo e ambicionamos projectar a imagem do município, em termos nacionais e internacionais, com o intuito de atrair visitantes, mas também pessoas que possam fixar-se no concelho e, sobretudo, investidores. Esperamos realizar este objectivo durante este ano. Queremos construir os espaços empresariais, tanto em Alvito como em Vila Nova da Baronia, e é necessário que 2010 seja o ano da realização dos projectos. Não se faz desenvolvimento em quatro anos, mas pode dar-se um pontapé de saída muito forte. Sabemos que é preciso um prazo mais dilatado, mas podemos construir os alicerces.

Quais são as principais dificuldades do concelho?
Este é um concelho do interior com pouca gente e, essencialmente, com poucos recursos financeiros. Isto acaba por ser "pescadinha de rabo na boca". Não havendo muitos recursos financeiros, acaba por não existir maneira de atrair mais gente e mais empresas, porque é preciso construir infra-estruturas. Por outro lado, se não houver empresas e mais gente também não há mais dinheiro, uma vez que as participações do Estado para as autarquias, para além da área do território, vão também muito em função dos impostos cobrados na área do concelho, da riqueza e do número de habitantes. Sendo este um concelho pequeno, é claro que as transferências do Estado não são muito altas e isso é um constrangimento. Pensamos, porém, que este ciclo tem de ser quebrado, nomeadamente com a criação de infra-estruturas que venham a ser rentabilizadas. Se criarmos a possibilidade de fixação de empresas, as pessoas também se fixam. É preciso aumentar a riqueza do concelho e isso aumentaria as transferências do Estado para o município. Penso que não estamos condenados ao subdesenvolvimento. Não é uma fatalidade. Queremos virar a página e iniciar um ciclo de desenvolvimento sustentável.

O aeroporto de Beja também pode ser importante para a concretização deste objectivo?
É importantíssimo para toda a região. Alvito está muito perto de Beja e vai beneficiar muito com o aeroporto, que espero que venha a entrar em funcionamento o mais rapidamente possível. Alvito está também a meio caminho entre as duas capitais de distrito, Beja e Évora. Estamos perto das duas capitais e encaramos Évora como um pólo turístico importante, em que Alvito pode ser complementar. Beja, com o aeroporto e o IP8, pode vir a beneficiar muito o concelho.

Como é que encontrou a autarquia?
Não costumo muito falar sobre o passado. Sou autarca há 24 anos e nos últimos quatro mandatos fui eleito em Viana do Alentejo. Nunca me referi aos mandatos anteriores. Quando nos candidatamos a uma autarquia, vamos para o que der e vier e para aquilo que encontramos de bom e de mau, sem nos queixarmos do que é que herdámos ou deixámos de herdar. A autarquia é o que é e nós temos de assumir essa responsabilidade, até porque foi para isso que nos propusemos ao eleitorado. Se no final do mandato não tiver sucesso, não vou desculpar-me com os mandatos anteriores. Nunca o fiz e nunca o irei fazer. Não vou falar sobre como os meus antecessores deixaram a câmara municipal. Aliás, durante um debate para as eleições autárquicas, dei os meus parabéns ao anterior executivo por ter conseguido o acordo para a nova escola, que foi um sucesso. Se o executivo anterior não fez melhor foi porque não pôde. Não sou de atacar os meus adversários políticos e muito menos aqueles que nem foram adversários, uma vez que não se candidataram. Sendo esta a minha postura na vida, não vou tecer nenhumas considerações.

"Temos que ser habilidosos
para fazer coisas com pouco dinheiro"

E quanto à situação financeira da câmara municipal?
Não é muito boa. As transferências do Estado não são muitas e esta é uma autarquia que tem alguma dificuldade em gerar receitas próprias. Vive quase, exclusivamente, das transferências do Estado, que não são muito altas. Não tem muito dinheiro. É preciso criar receitas próprias e isso só acontece com desenvolvimento económico e voltamos, mais uma vez, à conversa anterior. O que temos de fazer, durante este mandato, é criar um ciclo de desenvolvimento económico que permita vir a ter empresas e pessoas empregadas. Temos que ser habilidosos o suficiente para poder fazer coisas com pouco dinheiro. Não podemos é deixar de as fazer.

Por onde vai passar a política cultural?
Essa é uma área importantíssima. A política cultural, em Alvito, sempre foi intensa. Estamos, neste momento, a elaborar a nossa agenda cultural para o ano de 2010 e estamos a apostar muito nas exposições, nos espectáculos musicais, no teatro e no cinema. A promoção da leitura também é um dos nossos objectivos.

Para já, está satisfeito com o trabalho desenvolvido?
Sim, mas gostaria de já ter feito mais. Sou uma pessoa que quer sempre conseguir mais. Mas não sou pessimista. Penso que o trabalho que fizemos até agora tem sido muito proveitoso. Estamos a arrumar a casa à nossa maneira e a pôr a equipa a funcionar. Julgo que temos estado a conseguir, até porque temos vindo a fazer um trabalho de equipa muito frutuoso. Nas reuniões de câmara também tento envolver sempre os vereadores dos outros partidos nas decisões importantes desta casa. Estou muito satisfeito com o trabalho desenvolvido.

O balanço é, então, positivo...
É positivo, embora seja ainda muito cedo para o fazer. O grande balanço vai ser feito pela população daqui a quatro anos. Quando a comunidade for chamada às urnas vai dizer se está satisfeita ou não com o trabalho da CDU. Tudo iremos fazer para que as pessoas apreciem de uma forma positiva o nosso trabalho. Somos, no entanto, democratas o suficiente para aceitar sempre a decisão das pessoas. Mas garanto que antes das pessoas fazerem esse juízo nós próprios o iremos fazer. Não queremos ser prepotentes nem autistas e considerar que temos razão em tudo. Temos de ser humildes o suficiente para, periodicamente, fazermos uma análise ao nosso trabalho.

Por onde acha que deve de passar o futuro da região?
A região apontou, já há algum tempo, infra-estruturas para o seu desenvolvimento - Alqueva, aeroporto de Beja e IP8. Algumas delas já vão estando concretizadas, mas outras nem por isso. Alqueva felizmente está construído, mas ainda não está terminado e, por exemplo, ainda não está implementado o plano de rega para o Baixo Alentejo. A questão do aeroporto de Beja também é essencial para o desenvolvimento da região, uma vez que é ele que vai trazer turistas, pessoas, mercadorias e, essencialmente, emprego. O IP8 também é muito importante, para ligar a região ao litoral, à A2 e também a Espanha. A região deve explorar ao máximo estas infra-estruturas e tirar delas o máximo de proveito. 


05/02/2010 - 11h14


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