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Semanário Regionalista Independente - Director: João Matias - ANO LXXVI - Nº 1480 (II SÉRIE) - Sexta-Feira, 3 de Setembro de 2010
edição nº 1480
De 3 a 9 de Setembro de 2010


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Alentejo Ilustrado



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COTR aposta na agricultura,
nos campos de golfe e nos espaços verdes

Uma eficiente gestão da água permite "significativas economias nos custos das culturas de regadio", diz o director técnico do Centro Operativo e de Tecnologia do Regadio (COTR), entidade privada criada em 1999, que, para além da agricultura, vai apostar em áreas como os espaços verdes e os campos de golfe.

Texto Nélia Pedrosa
Foto José Ferrolho

O Centro Operativo e de Tecnologia do Regadio, com sede na Quinta da Saúde, nas imediações de Beja, vai reforçar a sua ligação ao tecido empresarial e ao processo de reconversão do sequeiro em regadio na área do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva. Jorge Maia, director técnico do COTR desde Maio do ano passado, explica que, sem descurar as questões da experimentação e demonstração - outras das valências do centro -, "o apoio ao agricultor" no âmbito do regadio passa "a assumir um papel primordial", uma vez que "a água de Alqueva está a chegar aos campos".
O COTR dispõe actualmente de 10 técnicos "devidamente qualificados", que ao longo da última década têm vindo a desenvolver experimentação junto de equipas de investigação nacionais e internacionais, nomeadamente de países como Espanha, Israel, Estados Unidos da América e Austrália, "onde há um grande empenho na procura de soluções para os problemas relacionados com a água, pelo facto de ser um bem escasso nestas mesmas regiões", diz o responsável.
"Ligámo-nos a essas equipas e fomos desenvolvendo alguns projectos de cooperação. Fomos vendo o que é que se ia fazendo nessas regiões, onde já havia tradição de regadio. Conseguimos ganhar algum dinamismo, criar uma equipa que está em condições de dar apoio ao regadio de Alqueva porque basicamente foi para isso que o COTR foi criado em 1999", esclarece Jorge Maia, adiantando que uma eficiente gestão da água permite "significativas economias nos custos das culturas de regadio", assim como "um controlo sobre a qualidade dos produtos", o que pode ter reflexos "nos rendimentos da exploração e na redução do impacto ambiental do regadio".
O director técnico chama a atenção, por exemplo, para as medidas tomadas na zona da Andaluzia, na vizinha Espanha, com a publicação de um decreto-lei no Verão do ano passado "referente ao apoio financeiro para a constituição de equipas de apoio técnico ao agricultor ao nível do regadio", o que comprova "a sua importância [do apoio técnico]". "A água em Espanha é cara e escassa e eles precisam dela para continuarem a ser competitivos em termos agrícolas", diz.
O COTR tem vindo já nos últimos anos a prestar serviços de apoio à gestão da rega a alguns empresários agrícolas da região, nomeadamente em áreas como a vinha e a fruticultura, apoio esse que se tem revelado bastante positivo. "Num dos projectos que temos participado, num pomar junto a Ferreira do Alentejo, conseguimos pêra rocha com a mesma qualidade uma semana mais cedo do que em Torres Vedras ou na região de Alcobaça. Isso é uma vantagem estratégica da região. Temos a área, o clima e a água devidamente gerida", realça o responsável.
Mesmo em termos de marketing, acrescenta Jorge Maia, os agricultores podem tirar partido do facto de "fazerem uma gestão correcta da água": "O COTR presta apoio a viticultores de renome em termos de comercialização de vinho do Baixo Alentejo. Uma vez que também são exportadores de vinho, e se calhar para países nórdicos, onde são mais sensíveis às questões ambientais, temos vindo a fazer um desafio no sentido de que difundam esta questão da gestão cuidada da água".
Os agricultores
não devem recear o regadio

Mas mais do que o apoio directo ao agricultor por parte do COTR, o responsável considera fundamental "a implementação de capacidade técnica dentro das organizações de produtores, sejam associação de agricultores, de regantes ou cooperativas agrícolas". Uma forma de chegar ao maior número de agricultores e de maximizar a gestão correcta da água. "É fundamental haver nessas organizações um técnico que possa recolher toda a informação junto da equipa do COTR e depois disponibilizá-la directamente ao seu agricultor", diz.
A receptividade das organizações de agricultores não tem sido, no entanto, a desejada. Jorge Maia aponta como justificações o facto de as mesmas "não estarem vocacionadas para dar apoio técnico ao agricultor, porque o apoio técnico sempre foi entregue às casas comerciais, mas que em termos de água não existem". A solução passa por insistir junto das organizações "de modo a que elas consigam perceber as mais-valias que podem advir de uma correcta gestão da água de rega".
Ao nível dos próprios agricultores que procuram o COTR, diz o director técnico, nem todos adjudicam os seus serviços de apoio. "Creio que o agricultor algumas vezes não consegue ver as mais-valias deste serviço, porque não faz as contas na totalidade ao custo da água. Mas também acredito que seja um serviço caro porque exige muita mão-de-obra. Ao nível da vinha, por exemplo, todas as semanas vamos fazer medições para dizer aos vários viticultores da região o momento exacto e a quantidade exacta de água que têm de aplicar para maximizar a qualidade daquela uva. Por outro lado, também podem ter algum receio de transitarem para o regadio porque acompanharam os avós e os pais durante anos e anos a fazer sequeiro e agora aparece-lhes à porta de casa uma boca de rega. Eles têm é de perceber que não têm que ter medo dessa boca de rega, têm é que a utilizar da melhor maneira e nós temos mecanismos para os ajudar", refere Jorge Maia, adiantando que no caso dos custos inerentes a todo o serviço de apoio a solução poderá passar por "agilizar os processos". "O nosso objectivo quer ao nível dos agricultores, quer ao nível das associações de agricultores, é trabalharmos com eles dois, três anos, transferir-lhes conhecimentos e desenvolver capacidades na área para que depois andem pelos próprios meios", esclarece.
COTR quer aumentar receitas

Para além do tal reforço no processo de reconversão do sequeiro em regadio, o COTR aposta em diversificar a prestação de serviços, passando a abranger áreas como os espaços verdes e os campos de golfe, tendo em vista o aumento de receitas.
Com o encerramento do Quadro Comunitário de Apoio III, o centro deixou de ser financiado a 100 por cento pelo programa comunitário Pediza. "No actual quadro comunitário [QREN] não existe qualquer linha em termos de COTR. A direcção tem feito um grande esforço no sentido de obter alguma sustentabilidade e vamos vivendo quase ano a ano, principalmente através de alguns projectos que vão surgindo, quer a nível nacional, quer com Espanha, mas isso dá-nos um financiamento muito reduzido e é só para nos mantermos na linha da frente em termos de tecnologia de regadio. Por isso tivemos que diversificar, contactar com outras áreas onde a utilização da água é importante, como sejam os espaços verdes ou os campos de golfe", explica o responsável, adiantando que com o fim do financiamento por parte do Pediza o COTR "passou a ter uma abrangência nacional".
O centro já apresentou à Associação Portuguesa de Greenkeepers um plano de formação para este ano que visa acções em sete campos de golfe (seis no Algarve e um na zona Oeste), e vai desenvolver um projecto com o INAG - Instituto da Água que promoverá junto de 20 entidades gestoras de espaços verdes sessões de enquadramento e capacitação no que diz respeito ao uso eficiente da água. 


05/02/2010 - 11h08


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