diariodoalentejo.pt
Semanário Regionalista Independente - Director: João Matias - ANO LXXVI - Nº 1478 (II SÉRIE) - Sexta-Feira, 20 de Agosto de 2010
edição nº 1478
De 20 a 26 de Agosto de 2010


Capa Edição Impressa

Alentejo Ilustrado



cartoons



"A nossa aposta é no conhecimento,
no desafio científico e na internacionalização"

O Instituto Politécnico de Beja (IPB) comemora, na terça-feira, 10, o seu 30.º aniversário. O "Diário do Alentejo" esteve à conversa com Vito Carioca, presidente do IPB, que falou, entre outros assuntos, dos desafios, das expectativas, dos problemas, dos projectos e das apostas do instituto. O IPB está há 30 anos ao serviço da região e pretende contribuir, em parceria com diversas entidades, para o seu desenvolvimento. O presidente do Instituto Politécnico de Beja acredita que "é possível um Alentejo melhor".

Entrevista Bruna Soares
Fotos José Serrano

Há 30 anos que o IPB fomenta o conhecimento no distrito. Neste momento, apresenta-se com uma nova visão e uma nova missão e encontra-se preparado para dar resposta aos desafios actuais. Esta casa de ensino pretende privilegiar a excelência, a competência e a inovação e, neste sentido, conta com a parceria dos órgãos locais, regionais e nacionais. O IPB aposta também na internacionalização e, segundo Vito Carioca, quer "ter um campus saudável, disponível e aberto", com o intuito de passar a sua mensagem para "o exterior, para a Europa e para o Mundo". A aposta vai, ainda, para a criação de um Pólo Tecnológico de Investigação e de Desenvolvimento. O presidente do IPB garante que "o número de alunos está estável" e que "a intenção é privilegiar a qualidade e não a quantidade". Os investimentos que estão em marcha na região também abrem novos leques de oportunidades e o IPB, como parceiro importante que é, já está a fazer um estudo sobre oferta formativa, o que significa que alguns cursos podem abrir, outros reajustados e alguns, inclusive, fechar. A situação financeira do instituto, de acordo com Vito Carioca, "está em média estabilidade". No dia 10, o IPB presta homenagem às pessoas e às instituições. O dia vai ser de agradecimento público.

Como é que define, ao longo destes 30 anos, o percurso do Instituto Politécnico de Beja (IPB)?
O Instituto Politécnico de Beja, neste momento, encontra-se numa segunda fase. Com o aparecimento dos estatutos e o novo modelo que os consagra, foi preciso uma nova visão e uma nova missão, nomeadamente obrigou o presidente do IPB a definir objectivos estratégicos e operacionais completamente diferentes dos anteriores. Estes 30 anos revelam um percurso bastante importante, uma vez que prepararam toda a estrutura logística e física. Este percurso preparou também o terreno para que, efectivamente, seja mais fácil a este presidente cumprir e consagrar o programa de quatro anos a que se propôs.

Falou numa nova visão e numa nova missão pode especificar estes dois intuitos?
Os estatutos consagraram um modelo completamente diferente. As escolas perderam a autonomia financeira e os estatutos criaram a obrigatoriedade de um conjunto de outros órgãos, cargos e funções. E também porque os desafios actuais não são os mesmos de há seis meses ou um ano. O Alentejo entra, hoje, em minha opinião, numa nova procura de novas sinergias e numa maior aposta no seu desenvolvimento. Acreditamos que este conjunto de investimentos - Alqueva, Aeroporto de Beja e Porto de Sines - são muito importantes. Acreditamos que esta é uma transformação para melhor e, neste contexto, o IPB tem de ter uma nova forma de estar e uma nova visão. Não digo que seja melhor do que a anterior, mas que seja diferente. Temos que reajustar os nossos pressupostos, as nossas valências e a nossa atitude, em função destes novos desafios. Se não mostrarmos essa capacidade, será mau para o instituto e para a região.

Tendo em conta estes investimentos para o Alentejo e a importância do IPB como parceiro, é preciso reajustar e abrir novos cursos, de modo dar resposta a estas novas áreas?
Sim. Neste momento, decorre um processo de análise de oferta formativa. Para já, estou a reunir e a consultar os órgãos e as pessoas. Há uma equipa que está a fazer um estudo sobre oferta formativa e, até 15 de Dezembro, o assunto será levado a Conselho Geral. Em função destes novos desafios, importa fazer mudanças e isso vai ser feito. Em meados de Dezembro esta decisão estará tomada. Por outro lado, decorre um processo de departamentalização, com o objectivo de criar novas estruturas de decisão científica e operativa.

Quais são as apostas do IPB?
Estes 30 anos de existência deram-nos, em termos de parque, de campus e de logística, excelentes condições. Agora, a nossa aposta é no conhecimento, é no desafio científico e é na internacionalização. Queremos também apostar na criação de um Pólo Tecnológico de Investigação e de Desenvolvimento. Já foram dados os primeiros passos e será, certamente, uma realidade. É preciso continuar o que se começou a fazer, mas, em minha opinião, deve de ser dado um salto grande e deve de ser feita uma aposta imensa nestes aspectos.

Considera que o IPB tem um excelente parque. A construção da Escola Superior de Tecnologia e de Gestão de Beja (Estig) era o que faltava?
A construção da Estig foi muito importante. Esta escola veio trazer a este campus, não completamente porque nos falta ainda ter um pólo tecnológico, o completar de uma lógica de estrutura. O investimento do Estado feito na Estig foi deveras importante para a nossa região, para o IPB e para as pessoas.

"Queremos que a excelência
seja definitiva e decisiva"

O número de alunos tem vindo a aumentar ou a diminuir?
Este número caracteriza-se pelo signo da estabilidade. Defendemos que a aposta deve de ser na qualidade dos nossos alunos, na excelência dos ensinos e não na quantidade. O que importa é criar boas estruturas de apoio e de suporte aos alunos. Defendemos mais a estabilidade dos cursos, a reconversão dos mesmos e a manutenção destes 3000/3500 alunos. Queremos que a excelência seja uma aposta definitiva e decisiva.

Existe, então, a possibilidade de alguns cursos fecharem?
Existe a possibilidade de alguns cursos fecharem e de outros abrirem.

O corpo docente também está estável?
O know-how que nós temos é fundamental e importantíssimo. Em função das alterações de oferta formativa, certamente, que terá de haver reajustamentos. Agora, a ideia desta presidência é estabilizar o corpo docente. Tudo faremos para que as pessoas tenham estabilidade, para que possam fazer as suas formações e para que acreditem que Beja precisa, realmente, de know-how. Queremos o máximo de estabilidade nas pessoas, porque é fundamental para a sua motivação e para que o IPB caminhe rumo à excelência e à centralidade, enquanto pólo difusor de cultura e de conhecimento. A nossa missão é académica, científica, social, humana. Esta centralidade é estar ao serviço dos outros, para os outros e com os outros. Acredito que o IPB pode contribuir para que o Baixo Alentejo seja uma melhor região.

Relativamente à internacionalização. Já existem, por exemplo, muitos alunos de outros países que procuram o instituto. No exterior, há um maior reconhecimento do IPB?
Esta é uma matéria de importância extrema. Acreditamos que temos de preparar os nossos alunos e os nossos professores para os desafios da internacionalização, para os desafios do processo de Bolonha e para os desafios da "aldeia global". Vamos fortalecer o apoio financeiro às lógicas da mobilidade e cooperação. Criando um campus saudável, disponível e aberto, conseguiremos levar esta mensagem. A mensagem de um IPB virado para o exterior, para a Europa e para o Mundo. Se conseguir fazê-lo, no final dos meus quatro anos de mandato, terei cumprido um dos meus objectivos.

Como está a situação financeira do IPB?
A situação financeira das instituições de ensino superior não é boa. Os problemas do subfinanciamento estão e aí e são problemas graves em todas as instituições. É um problema sobre o qual devemos reflectir. Tendo em conta o contexto nacional, considero que a nossa instituição está em média estabilidade financeira. Não temos uma situação caótica, mas também não estamos numa situação famosa. Temos tentado fazer tudo para optimizar recursos e para fazer uma gestão equilibrada das despesas. Na verdade, temos tentado que haja uma optimização criteriosa e rigorosa das despesas e das receitas. Os meus antecessores conseguiram deixar uma situação equilibrada e acredito que vou continuar nesse caminho.

Quais são as expectativas para o futuro?
Queremos cumprir aquilo a que nos propusemos atingir. Queremos ouvir as pessoas e tentar o equilíbrio de uma boa gestão dos recursos humanos. As pessoas são o recurso fundamental de qualquer instituição. Tenho também a expectativa de que o IPB, em colaboração com todas as instituições do distrito, possa contribuir para um melhor Baixo Alentejo, em que as pessoas se possam fixar, em que haja desenvolvimento sustentável e em que as pessoas acreditem que o interior pode ser diferente. Gostaria que o Governo também visse estas questões desta forma, dando alguma discriminação positiva para as regiões do interior, porque temos problemas que o litoral não tem. Acredito que, daqui a quatro anos, possamos estar sentados a dizer que temos um Alentejo melhor. 

"Sem o IPB o distrito seria mais pobre"

Qual é a importância do IPB na região?
É uma instituição de uma extrema importância para o distrito. Em termos locais e regionais, penso que, ao longo destes 30 anos, foi uma instituição que soube pautar pela dignidade, pela excelência e por uma relação franca e aberta com todas as instituições da região. Penso que permitiu ao distrito lançar um know-how importante, sendo que alguma parte ficou cá e outra saltou para fora, em termos nacionais e internacionais. Sem o IPB, certamente, o nosso distrito seria muito mais pobre. Queremos, com a comemoração destes 30 anos, agradecer à população.

Quais são as acções que estão previstas para dar forma a esse reconhecimento público?
No dia 10, vamos agradecer de formas diversas e distintas. Vão ser colocados outdoors, todas as pessoas do concelho de Beja vão receber em casa um postal de agradecimento e vão ser homenageadas muitas instituições. Queremos, neste sentido, principalmente, agradecer a todos os que sempre estiveram connosco, a todos os que acreditaram em nós, a todos os que nos apoiaram e ajudaram. Não posso esquecer também todos os meus antecessores, meus colegas e amigos. Decidimos e planificámos que este deve de ser, sobretudo, um momento de agradecimento. Vamos homenagear todos os que nos ajudaram a ser o que somos hoje: uma instituição de reconhecida competência que tenta trilhar caminhos de excelência, de inovação, de mudança e de efectiva parceria com os órgãos locais e regionais e com a comunidade. 

 


06/11/2009 - 10h21


© 2004 DIARIO DO ALENTEJO - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS
ESTATUTO EDITORIAL - SUPORTE TÉCNICO - PEDIDOS DE INFORMAÇÃO - TABELA DE PUBLICIDADE - FICHA TÉCNICA - CONTACTOS - WEBDESIGN