sexta-feira
18 de Maio de 2012 - 23:37
Subscrever feed Add to Google Subscrever num leitor de feeds
 
Entrevista
António Dieb: “Temos sido incapazes de atrair investimento”
 
Destaque
Os amanhas de Ferreira, Serpa e São Luís: Os verdadeiros ossos do ofício
 
AGENDA
Baal 17 estreia "O que é o turismo para todos?" em Odemira
última hora
 
Centro de Paralisia de Beja e Escola D. Manuel I promovem workshop Inovar em Educação++
 
Cimeira Ibérica: Agricultores e ambientalistas preocupados com efeitos da seca++
 
Férias/Crise: Costa alentejana perde turistas e não se mostra animada com meses de verão++
 
Azeites de Portugal, Grécia e Espanha conquistam ouro na Ovibeja++
 
Comunidade do Alentejo Litoral quer poupar com criação de central de compras++
 
Junta de Freguesia de Santa Maria atribui 250 euros mensais ao Museu Regional de Beja ++
 
 
 
 
Jazz
Simon Rose “Schmetterling”


Cinco anos depois de “Procession” (Future Music Records), disco a solo em saxofone alto, Simon Rose regressa com “Schmetterling”, nova aventura solitária, desta feita usando como veículo de expressão outro instrumento da família patenteada por Antoine-‑Joseph Sax (mais conhecido por Adolphe), o barítono. Saxofonista, compositor, teórico e pedagogo na área da livre improvisação – cujo trabalho se estende do solo a formações mais alargadas – deu que falar sobretudo a partir de meados dos anos 1990 por via do trio Badland, que integrou juntamente com outros nomes fortes da improvisação nas ilhas britânicas, o contrabaixista Simon H. Fell e o baterista Steve Noble (numa fase inicial Mark Sanders). Influenciado por luminárias da improvisação livre dos dois lados do Atlântico, sendo particularmente evidentes as de Evan Parker e Peter Brötzmann, prepara agora o doutoramento sobre o potencial da improvisação em diversas áreas (performance, educação, etc.), ao mesmo tempo que vai desenvolvendo o seu interesse pela história dos instrumentos de palheta, em todo o mundo mas sobretudo na Ásia. “Schmetterling” foi gravado em apenas duas horas e meia (entre as 10 e as 12 e 30 horas de um dia de abril de 2010) no hospital psiquiátrico de St. Joseph Krankenhaus Berlin-Weissensee, numa sala em forma de barco, com uma estrutura em madeira no teto alto. Rose contou com a ajuda de Elmar Susse, responsável pela judiciosa disposição de microfones e pela captação. Com uma sonoridade espessa e que se revela como um espelho do espectro emocional, o músico explora até ao âmago as potencialidades criativas do seu instrumento, não só através do uso de multifónicos, da respiração circular ou das combinações com a sua própria voz (como em “At 14th”), mas também tirando real partido da acústica e da ambiência característica daquele espaço. Trata-se de um disco intimista e poderoso, ao longo do qual Rose nos oferece uma música primordial, despida de ornamentos supérfluos e reduzida à sua verdadeira essência (seja nos momentos de maior intensidade de “Panopticon”, “South on Squirrel” e “Boxhagener” ou nos mais contemplativos “Winterfelt” e “Crater Lake”). Um belo disco, que o melómano atento a um jazz mais complexo e exigente não deverá ignorar.



Simon Rose – “Schmetterling”
Simon Rose (saxofone barítono).
Editora: Not Two Records
Ano: 2011


António Branco