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Maria Antónia Goes


Natal em Olhão


Maria Antónia Goes
Escritora e gastrónoma



O Natal em Olhão é diferente do resto do País. Na mesa da Consoada das famílias mais tradicionais não há bacalhau com couves, batatas e cenouras, mas sim litão, mais precisamente litão em branco. O que é o litão? Já aqui fiz uma crónica sobre a sopa de peixe seco, que se comia no Baixo Alentejo na altura das feiras e do tomate. Esse peixe seco é o litão, uma espécie de tubarão mole e sem graça, muito abundante nos mares de Olhão. Caíam nas redes em grandes quantidades e, à falta de serem capazes de dar escoamento ao pescado, os pescadores viam-se obrigados a secá-los para serem consumidos no inverno. Grandes secas de litão pendurado ao sol compunham os areais olhanenses noutros tempos. E digo noutros tempo porque agora não deve ser totalmente legal e, por mais que me esforçasse para visitar as secas, ninguém se quis comprometer a mostrar-me. No entanto, foram-me dizendo que, dantes, todos os pescadores secavam litão no quintal de casa…
Almocei num restaurante junto ao magnífico mercado de Olhão (magnífico na arquitetura e na variedade apresentada nas bancas, tanto de peixe como verduras e frutas) chamado Tapas e Lendas e o dono, Renato Mendonça, explicou-me tudo sobre a tradição olhanense, apresentando-me três maneiras diferentes de cozinhar o litão – em branco, em feijoada e em salada –, todas muito boas e tal como fazia a avó dele.
Olhão, que ostenta orgulhosamente o título de Vila da Restauração, foi o primeiro local a rebelar-se contra os invasores franceses, em 1808. Contaram-me eles que, nesse momento histórico, uma dúzia de valentes olhanenses embarcaram no caíque “Bom sucesso” e, apenas orientados pelas estrelas e por uma vontade férrea, chegaram ao Brasil para dar a novidade a D. João VI. Reconhecido, o rei elevou aquele lugar a vila e deu-lhe o título de Vila da Restauração.
Chamada de vila cubista, de grandes parecenças com a arquitetura árabe e berbere, Olhão nunca foi mourisca, foi sim um importante porto de pesca e o primeiro posto aduaneiro do Algarve. Vivendo da emigração dos aventureiros conterrâneos comerciando e pescando em Marrocos, dali trouxeram, no século XIX, o estilo arquitetónico e os inúmeros terraços que deram à hoje cidade a alcunha de vila cubista.
Voltando ao Natal em Olhão – o prato de eleição é o litão em branco. O litão, que antes era consumido pelas famílias dos pescadores, hoje é mais caro que o bacalhau. O litão em branco é um guisado com muita cebola, alho, batatas e azeite.









 
 
 
 
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