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23 de Abril de 2017 - 06:27
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Livros


Pepetela
Dom Quixote
384 pág.s
10 euros



A geração da utopia


Se o título aponta a esperança, os andamentos da obra – correspondendo a quatro estações da vida da geração da utopia e a outras tantas fases da história de uma nação a forjar-se, Angola – tornam este um livro de desencanto. Livro lúcido, fundamental, superiormente escrito.
1961, início da luta armada pela independência de Angola. Na Casa dos Estudantes dos Império, pelas ruas de uma Lisboa onde a polícia política tudo espia, nascem amores, forjam-se lealdades, desenham-se planos de libertação para homens e mulheres irmanados pelo desejo de uma pátria livre de um Estado racista, decrépito, fascista. O capítulo “A casa” dá conta de uma polifonia, composta por vozes diferentes ideologicamente, subjacente ao nascimento da nação angolana.
O segundo andamento, “A chana”, dá conta da dureza da luta na Frente Leste. Está-se em 1972 e “a vitória é certa” é pouco mais do que uma frase de ordem pela qual se luta quotidianamente no mato. Como se não bastasse a luta contra o exército português, a fome e a sede não dão tréguas. 
Dez anos depois, em “O polvo”, o protagonista é Aníbal. Vive em exílio, na Baía Azul, afastado do centro das decisões políticas mas nem por isso deixa de ser através dele que Pepetela dá conta dos conflitos pós-independência. Através daquele que, na guerrilha, ficou conhecido como “sábio”, afirma-se a descrença nas organizações políticas e constata-se a existência de duas Angolas, nascidas uma da elite urbanas e outra da tradicional. 
“O templo”, capítulo cuja ação decorre em 1991, revela nova (des)orquestração de vozes. Vozes múltiplas, ora alinhadas com o regime no poder, ora descrentes, ora vozes que acreditam que mudar e melhorar é possível. Se as vozes do primeiro coro, reunido na Casa dos Estudantes do Império, criaram, juntas, uma nação, ainda que imperfeita, que futuro para esta conseguirá criar esta nova polifonia?
“Não posso dizer se há um (?) epílogo feliz, mas é um livro muito importante. Para Angola e para o mundo. E a literatura, por vezes, é o inexplicável resultado desses cruzamentos íntimos e históricos”, assim escreve Ondjaki, no prefácio a esta obra fundamental da literatura em língua portuguesa, agora publicada na coleção “Livros RTP”.
Maria do Carmo Piçarra









 
 
 
 
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