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19/01/2009 - 14h44


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19/01/2009 - 14h48


Escolas da região à espera do Magalhães...

Os velhinhos quadros de giz continuam pendurados nas paredes das salas de aula das escolas do distrito de Beja. Mas, logo ali, pregados nas paredes ao lado, ostentam-se os quadros interactivos. Esta é, sem dúvida, a era das novas tecnologias e o futuro, esse, prepara-se diariamente.

A Internet já está na maioria das salas de aula e as escolas também estão equipadas com alguns computadores. Os alunos do 1º ciclo, no entanto, ganharam, este ano lectivo, uma nova ferramenta de trabalho: o Magalhães. Mas o computador portátil de dimensões reduzidas e especialmente concebido para crianças está a chegar a conta-gotas às escolas da região. E, neste momento, muitos alunos, que já os pagaram, ainda não os têm e muitos dos que chegaram encontram-se na posse dos agrupamentos escolares.

O "Diário do Alentejo" foi visitar a escola EB1 de Nossa Senhora das Neves, no concelho de Beja, e não encontrou o Magalhães em cima das mesas. "O Magalhães, neste momento, é uma promessa ainda não realizada. Para a escola chegaram, apenas, seis computadores que estão a ser formatados na sede do agrupamento", assegurou Jorge Parreira, director da escola. Esta escola conta com 50 alunos inscritos no 1º ciclo e aos professores do estabelecimento de ensino, à semelhança do que aconteceu com muitos outros docentes da região, foi atribuída a competência de preencherem os formulários de inscrição e de reencaminharem os dados, para que prosseguisse o pedido dos portáteis. Aqui, como em todas as escolas do distrito contactadas pelo "Diário do Alentejo", "aguarda-se pela totalidade do seu envio".

Distribuição dos portáteis está atrasada

 

Em Aljustrel, de acordo com o Agrupamento Vertical de Escolas do Concelho, "ainda não se está a trabalhar com o Magalhães, uma vez que o agrupamento tem mais de 300 alunos inscritos no 1º ciclo e, ainda, só chegaram um terço dos computadores". Em Almodôvar, também "os computadores estão a chegar a conta-gotas e já foram feitas duas entregas". Este agrupamento conta com cerca de 200 crianças e, neste momento, "também só chegaram um terço dos computadores". Em Alvito "foram entregues metade dos computadores solicitados" e "os Magalhães não estão nas salas de aulas, porque não se encontram, ainda, disponíveis para todos os alunos". No concelho de Cuba "também se aguarda pela chegada do Magalhães". "Fizemos 167 inscrições e, para já, recebemos 69", revela a presidente do agrupamento.

Muitas escolas da região estão a configurar, na sede de agrupamento, os computadores, de modo a que possam ser entregues aos encarregados de educação. E vários estabelecimentos de ensino optaram, ainda, por não distribuir os portáteis. A justificação, essa, é unânime: "Quando houver o Magalhães para todas as crianças da escola serão entregues".

Mértola garante que "os computadores estão a chegar lentamente". E explica: "Temos 202 alunos e só recebemos 50 Magalhães". O Agrupamento da Amareleja conta com 263 alunos e recebeu "57 computadores correspondentes aos alunos do Escalão A". O Agrupamento de Moura "ainda está a lançar as requisições" e, neste sentido, não existe nenhum Magalhães na escola. Serpa também "já entregou todas as inscrições" e, em Pias, 163 alunos pediram o Magalhães e 119 já foram entregues. Em Odemira a situação não é diferente. "Pedimos cerca de 240 computadores e ainda só entregaram nove", garante a presidente do agrupamento. Barrancos debate-se com o mesmo problema. "Continuamos à espera. Ainda não chegou um único computador", afirma a presidente do agrupamento. Ourique pediu 155 Magalhães e, neste momento, foram entregues 54. Ferreira do Alentejo não é excepção. Foram pedidos 291 computadores e, para já, foram entregues 37. Neste concelho, a diferença é que é a câmara municipal que vai pagar a totalidade dos portáteis. Vidigueira solicitou 237 Magalhães para os alunos do 1º ciclo e, até agora, foram entregues 45. O Agrupamento N.º 2 de Beja garante que "já entregou 134 computadores", mas que "ainda faltam chegar alguns". Ao Agrupamento N.º 1 de Beja, do qual faz parte a escola de EB1 de Nossa Senhora das Neves, "já chegaram muitos computadores". Para Domingas Velez, presidente do agrupamento, "esta é uma boa ferramenta de trabalho" e "é, sobretudo, uma oportunidade para as crianças terem acesso às novas tecnologias e a novas realidades".

"Magalhães tem conteúdos muito bons para as crianças"

 

O "Diário do Alentejo" visitou ainda o Agrupamento de Castro Verde. E, aqui, também não encontrou o Magalhães. Esta nova ferramenta ainda não entrou nas salas de aula e a explicação é simples: "Nem todos os alunos têm, neste momento, o portátil". "Foram entregues 110 Magalhães e temos cerca de 307 alunos", afirmou José Correia, vice-presidente do agrupamento e coordenador de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). E acrescentou: "A distribuição está atrasada. Foram criadas expectativas nas crianças e muitas ainda não o receberam".

Em Castro Verde, a escola já entregou os Magalhães que chegaram aos encarregados de educação e, José Correia explica: "O computador foi recebido e foi entregue, porque ele é das pessoas. Quando fizer falta, o professor avisa e os alunos trazem o Magalhães para a escola".

A formação que deve de ser fornecida aos professores do agrupamento, neste momento, também está atrasada. Segundo o coordenador de TIC, "não faz sentido avançar com a formação, uma vez que não chegaram todos os computadores". E o professor alerta, ainda, para outra questão: "Eu não tenho, por exemplo, um computador Magalhães para dar a formação. E tive, mais ou menos, uma hora de contacto com este portátil e foi durante a formação para os coordenadores de TIC". Esta é, precisamente, uma das queixas dos professores da região e, na opinião de José Correia, "deveria ter sido fornecido um computador Magalhães a cada professor e, pelo menos, um a cada agrupamento". Jorge Parreira concorda e acrescenta: "O que falha é que, provavelmente, todos os alunos vão ter um computador portátil e o professor se o quiser também vai ter de o adquirir". Os docentes, contudo, são unânimes em considerar que "o Magalhães tem conteúdos muito bons para as crianças".

"O ideal é que cada aluno tenha o seu Magalhães, uma vez que o professor tem um computador com um
software que permite estar a leccionar sem ter de recorrer ao quadro interactivo, porque automaticamente aparece em todos os portáteis dos alunos", explica José Correia. A operacionalidade, no entanto, ainda levanta algumas dúvidas. "Isto requer tempo e isso é uma coisa que os professores não têm. O docente vai ter de preparar a actividade e a lição, porque, para além da comunicação, está entre o professor e o aluno uma máquina. E todos sabemos que quando trabalhamos com máquinas, para além do cuidado que temos de ter em preparar a matéria, temos de ter a preocupação de perceber se a máquina está a funcionar bem ou não", considera o vice-presidente do Agrupamento de Castro Verde.

Quanto à utilização do Magalhães, durante este ano lectivo, nas salas de aula, José Correia conclui: "Acho que os professores gostariam de utilizar, ainda este ano, o Magalhães na sala de aula. Mas, para tal, é preciso que os professores tenham um Magalhães e que treinem e ganhem experiência com o computador. Para já, o importante é que todos os alunos recebam o portátil, porque isto cria, inclusive, ansiedade nas crianças. Não podemos estar a trabalhar só com alguns".

O Governo espera conseguir dar resposta a todas as encomendas até ao final do primeiro trimestre.

Escolas aguardam pela implementação do Plano Tecnológico

 

O Magalhães não é, porém, a única aposta do Governo. E o espírito é fomentar a integração e a utilização generalizada das Tecnologias de Informação e Comunicação nos estabelecimentos de ensino e, para tal, colocou o Plano Tecnológico de Educação (PTE) em marcha.

O objectivo é a modernização tecnológica das escolas com 2º e 3º ciclos do ensino básico e com ensino secundário, mas, segundo o programa do Governo, "as escolas do 1º ciclo do ensino básico também são abrangidas por um conjunto de projectos do PTE – Internet na Escola, Portal da Escola e Escola Simplex" e "dadas as particularidades destes estabelecimentos de ensino e a da sua gestão, está em fase de estudo um estratégia de modernização tecnológica das escolas do 1º ciclo, em estreita articulação com os municípios". E, na verdade, na região, para já, os municípios têm sido os melhores aliados dos estabelecimentos de ensino.

O PTE tem como objectivo estratégico "colocar Portugal entre os cinco países europeus mais avançados na modernização tecnológica do ensino em 2010", mas, nas escolas da região a sua implementação também está demorada.

"O que temos do PTE, neste momento, é apenas um cabo de fibra óptica que está, na verdade, à porta da escola. Esteve cá uma empresa, em Setembro, que fez um estudo para implementar a rede na escola, mas nunca mais cá apareceu. Para já, não sabemos de nada", afirmou José Correia.

Para o docente, "se o PTE for implementado de uma forma correcta e a tempo, é muito bom para as escolas". O professor, contudo, lembra: "Em Castro Verde, por exemplo, estamos com o problema do tempo. A escola tem cerca de 100 computadores, mas 65 por cento dos mesmos têm mais de cinco anos e o seu tempo de vida útil está no limite. Temos muito material obsoleto e é necessário encontrar soluções". A Escola EB 2, 3 Dr. António Francisco está a espera de computadores e, de acordo com o vice-presidente do agrupamento, "estes equipamentos estão inseridos no PTE e aguarda-se pela sua chegada desde Setembro".

O "Diário do Alentejo" contactou, ainda, outras escolas do distrito e verificou, por exemplo, que todos os quadros interactivos existentes nas salas de aula, não foram distribuídos através do PTE. Esses, segundo os estabelecimentos de ensino, "ainda não chegaram". À Direcção Regional de Educação do Alentejo (DREA) também foram colocadas algumas perguntas, de modo a que fosse possível esclarecer estas questões, mas, até ao fecho desta edição, não foi possível obter qualquer resposta.

Características do Magalhães

 

O Magalhães é um computador portátil leve, mais resistente ao choque e a líquidos e de dimensão reduzida, especialmente concebido para crianças. Mas pode ser usado por toda a família. Pode ser disponibilizado gratuitamente ou a preços reduzidos, de acordo com as condições económicas das famílias. O computador é gratuito para alunos do escalão A e custa 20 euros para os alunos do escalão B. Para os alunos não abrangidos o custo é de 50 euros. As famílias em condições económicas menos vantajosas podem ainda contar com o apoio das autarquias parceiras da iniciativa no acesso aos serviços de Internet. A adesão a estes serviços é, assim, facultativa.

Reportagem de Bruna Soares Fotos de José Serrano

19/01/2009 - 14h49



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